Entrevista com John Helliwell do Supertramp | The Music Journal Brazil | MTV

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Entrevista com John Helliwell do Supertramp

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Irreverente, bem humorado e um grande talento a serviço do rock e do jazz.

John Helliwell, lendário saxofonista do Supertramp conversou com o jornalista Marcelo de Assis em 2012, contou sobre o seu novo projeto Crème Anglaise onde se mantém fiel as suas raizes do jazz e, claro, falou muito sobre o Supertramp, nos revelando o lançamento do tão esperado DVD Paris.  Acompanhe:

Marcelo de Assis:  John, é um prazer enorme realizar esta entrevista com você para o The Music Journal Brazil. E você sabe que você tem muitos fãs no Brasil, graças a sua fantástica colaboração musical no Supertramp, certo?

John Helliwell: Estive com o Supertramp durante 39 anos e a colaboração musical sempre foi muito boa. Estou orgulhoso do meu jeito de tocar com o grupo e eu acho que ele sempre esteve bem integrado para ajudar a produzir um som único.

Marcelo de Assis: Quando começou a sua paixão pela música e, claro, pelo saxofone?

John Helliwell: Eu tinha 2 ou 3 anos quando ouvi meus pais cantando trechos de Handel’s Messiah – eu amava a música da época.  Tive aulas de piano quando eu tinha 9 anos e aos 13 anos eu fui atraído pelo clarinete. Comecei a aprender esse instrumento, então eu me interessei por jazz moderno e também comecei a tocar saxofone aos 15 anos. Eu fui inspirado por grandes saxofonistas de jazz, como Cannonball Adderley e Sonny Rollins.

Marcelo de Assis:  John, eu gostaria que você falasse sobre seu projeto Crème Anglaise, que é um grupo de jazz e que tem Mark Hart, que também fez parte do Supertramp. Como surgiu a idéia deste projeto? Ele reflete suas influências musicais?

John Helliwell: Eu tive um grupo de jazz desde 1992, quando fui estudar saxofone no The Royal Northern College of Music em Manchester. Em 2004 fui convidado para tocar em Genebra, na Suíça, para a empresa de relógios IWC e o diretor da empresa me implorou para incluir uma música do Supertramp. Liguei para o Mark e convidei para se juntar a nós. Eu também decidi que eu precisava de um nome para o grupo, então eu inventei “Crème Anglaise”. Eu escolhi um nome francês porque se fala francês lá e também pode significar The Cream Of The Jazz Musicians (A nata dos músicos de jazz, em inglês). Nós gostávamos de tocar juntos e, no ano seguinte, gravamos um CD. Tocamos músicas escritas pelos membros da banda e mais alguns outros artistas favoritos.  No disco há músicos dos anos 40, 50, 60, 70 e 80!

Marcelo de Assis:  E como tem sido a receptividade do públcio neste projeto?

John Helliwell: É um álbum de jazz por isso vendeu poucas cópias em comparação com Supertramp, mas estou muito orgulhoso dele! Eu ouvi vários álbuns da cantora Barbara Walker com o pianista de jazz Uri Caine. Então a convidei para o projeto na Filadélfia, e ela disse “sim” imediatamente!

Marcelo de Assis:  Você tem uma profunda ligação com o jazz e o que se nota em seu trabalho, é que com grande versatilidade você conseguiu definir um estilo próprio, que marcou as canções do Supertramp. Este foi um grande desafio para você?

John Helliwell: Meu jeito de tocar neste álbum veio com muita facilidade por causa dos grandes músicos que me cercam. Eles são uma inspiração para mim!

Sobre o retorno do Supertramp na comemoração dos 40 anos da banda

Marcelo de Assis:  John, o Supertramp entrou em uma turnê comemorativa dos 40 anos de existência da banda. Como foram os shows pela Europa?

John Helliwell: A banda foi excelente! Tivemos nove músicos no palco e tem um som completo. Tocamos muito bem e os shows foram emocionantes e bem recebidos pelo público.

Marcelo de Assis:  Bom, aqui no Brasil existem milhares de fãs do Supertramp. Muitas pessoas questionam porque o Roger Hodgson não fez parte desta turnê comemorativa. O que aconteceu de fato?

“Acho que foi a maior platéia que já tocamos”, conta Mark Hart, sobre os shows do Supertramp no Brasil.

John Helliwell: Antes da turnê, houveram negociações entre Rick Davies e Roger Hodgson. Eles não puderam concordar sobre vários aspectos da turnê, então, Roger não quis se juntar a nós.

Marcelo de Assis:  Vocês pretendem se reunir novamente? Se existir alguma possibilidade de isto acontecer, que tal vir ao Brasil novamente?

John Helliwell: Eu não acho que uma reunião entre Rick e Roger seria possível porque Roger, talvez, queira muito controle. Rick e a banda gostariam de vir para o Brasil. Talvez em algum momento (…..?)

Marcelo de Assis:  Certa vez eu vi uma entrevista em que Roger Hodgson chegou a dizer que você era o saxofonista preferido dele.  Como é a sua amizade com ele nos dias de hoje?

John Helliwell: Bem, isso é uma coisa agradável de se ouvir! Ele é um dos meus cantores favoritos. Nós não nos vemos muito hoje em dia. Ele está sempre em turnê e eu vivo em Inglaterra.

Marcelo de Assis:  Outra questão que eu queria levantar aqui, é que eu acompanhei durante alguns anos a expectativa dos fãs em um lançamento em vídeo do lendário show Paris  que vocês realizaram em 1979. Existe algum projeto para o lançamento de um DVD?

John Helliwell: O concerto em vídeo será lançado neste ano, provavelmente em setembro por uma empresa chamada Eagle. Ficou muito bom, você vai gostar!

Marcelo de Assis:  Para você, qual foi o melhor álbum do Supertramp?

John Helliwell: Eu estou dividido entre Crime Of The Century (1974) e Breakfast In America (1979).

Marcelo de Assis:  John, você se apresentou com o Supertramp aqui no Brasil em 1988 nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Foi o maior público da história da banda. O que você achou do público brasileiro?

John Helliwell: Eles amam a música! Eles tem música correndo em suas veias!

Marcelo de Assis:  O que você mais gostou do Brasil?

John Helliwell: Das pessoas e sua música. Do calor (do sol e de vocês) e das Cataratas de Foz do Iguaçú.

Marcelo de Assis:  Uma de suas mais famosas características é que você sempre se mostrou bem-humorado nas apresentações, até contando piadas na platéia. Tem sido assim até hoje?

John Helliwell: Eu comecei anunciando o Supertramp porque ninguém queria mais fazer isso. Eu apenas tento ser natural e descontraído com o público.

Marcelo de Assis:  Você gosta da música brasileira? Você tem algum artista favorito?

John Helliwell:  Eu não conheço a musica popular brasileira moderna mas eu gosto de Ivan Lins, Djavan, Gilberto Gil, Antônio Carlos JobimCaetano Veloso.

Marcelo de Assis:  Quando você vai trazer o Crème Anglaise para o Brasil?

John Helliwell:  Quando você me chamar!

Marcelo de Assis:  Tudo bem, caso venha, além de ser muito bem recebido pelo nosso público, eu já separei todos os discos do Supertramp que eu tenho para você autografar, combinado?

John Helliwell: Eu assino qualquer coisa, menos um cheque! (risos)

Marcelo de Assis:  John, muito obrigado pela sua entrevista. Além de ser um dos maiores músicos do rock e do jazz, você é um gentleman! Gostaria que você deixasse uma palavra aos fãs brasileiros….

John Helliwell: Não mudem! Eu adoraria vê-los novamente, seja com o Supertramp  ou o Crème Anglaise. Até mais meus amigos!

É jornalista e pesquisador musical. Cobre shows nacionais e internacionais e já entrevistou bastante gente interessante do Brasil e do mundo. Foi vencedor do Prêmio TopBlog Brasil em 2010 na categoria "Música"e é membro do Grammy Latino.