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Egberto Gismonti: gravadora distribuirá digitalmente o catálogo do artista Egberto Gismonti: gravadora distribuirá digitalmente o catálogo do artista

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Egberto Gismonti: gravadora distribuirá digitalmente o catálogo do artista

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A gravadora Universal Music anunciou nesta sexta-feira (23) que distribuirá digitalmente o catálogo de um dos maiores nomes da música popular brasileira, o guitarrista e pianista Egberto Gismonti.

Desde 1969, as direções da icônica gravadora alemã ECM na música e no som incorporaram os conceitos de amigos e parceiros encontrados ao longo do caminho. Um desses parceiros é Egberto Gismonti, cujas gravações na ECM incluíram álbuns solo, projetos com grupos aclamados incluindo o Trio Mágico, com Jan Garbarek e Charlie Haden, o duo com Nana Vasconcelos, a banda Academia de Danças, o quarteto/trio com os colaboradores Nando Carneiro e Zeca Assumpção e colaborações com orquestras.

Até o momento, a ECM lançou 17 álbuns com Gismonti e outros 16 no próprio selo de Egberto, a Carmo, onde ele é apresentado como solista, sideman (músico), compositor, arranjador e produtor.

A complexidade do Brasil, seu entrelaçamento e coexistência de cultura, encontra eco na música de Egberto Gismonti, que se vale de recursos “primitivos” e “sofisticados”. Como observou o crítico Josef Woodard, na obra de Gismonti “a linha entre o folclore, a herança clássica, as sugestões do jazz e os modos inomináveis de invenção são maravilhosamente mesclados”.

Nascido no Brasil em 1947, na pequena cidade de Carmo, no Rio de Janeiro, Gismonti estudou piano desde os cinco anos e, mais tarde, flauta e clarinete. Ele é autodidata em violão, instrumento que ele aprendeu aos 21 anos, logo desenvolvendo suas inovadoras técnicas de duas linhas simultâneas e contra-melodias. Em 1970, ele viajou a Paris para estudar com dois professores importantes, a famosa pedagoga Nadia Boulanger e o compositor de doze notas Jean Barraqué, o discípulo mais dedicado de Webern. Por mais valiosas que fossem essas experiências, elas serviram também para fortalecer o respeito de Gismonti pela música de sua terra natal, que lhe parecia ser de um recurso ilimitado.

World Music, como seria mais tarde denominada, estava à sua porta – tantas tradições musicais se sobrepunham e se encaixavam no Brasil: “Todas as culturas europeias e outras culturas fazem parte de nossa cultura”. Ele sempre citou seu tempo com os índios do Xingu, na selva amazônica, como parte crucial de sua educação musical e filosófica, aumentando a consciência dos elementos essenciais necessários à sobrevivência, na arte e em outros lugares.

Na década de 1970, aconteceram experiências com músicos de jazz, incluindo o carinhosamente lembrado grupo Mágico, com Jan Garbarek e Charlie Haden (ele se reuniu brevemente com Haden em 1989 para uma apresentação posterior Em Montreal), e também jam sessions em Los Angeles com Herbie Hancock e Wayne Shorter, além de colaborações com Paul Horn e Ron Carter. Mas, no último quarto de século, ele seguiu sua própria poesia rigorosamente em amplos contextos brasileiros, buscando penetrar nos mistérios e segredos de seu país e celebrar sua diversidade cultural.

A estrutura heterogênea e multicultural é provavelmente a característica mais notável da sociedade brasileira. Durante os 170 anos de história, não houve polarização – mas levou a uma grande mistura com o africano, o indiano, o oriental, o europeu e, desde o século XX, o norte-americano. A mistura multicultural resultante desenvolveu um clima tolerante fértil no qual a cultura brasileira foi capaz de crescer.

O poeta Oswald de Andrade descreveu esse elemento absorvido como “antropofagismo”. Sua definição desse canibalismo cultural pode ser considerada como: “uma maneira brasileira de ver o mundo sob o aspecto de emaciação, de uma adaptação crítica de experiências não locais e da reavaliação dependendo de temas nacionais no sentido de canibalismo segundo os selvagens”.

Esse comportamento tolerante em relação às culturas estrangeiras fez do Brasil um protagonista das importantes variações de World Music. Dependendo de sua própria civilidade mista, o Brasil estava predestinado a cruzar todas as influências musicais possíveis. Isso criou uma variedade folclórica e popular. Mas é um erro reduzir a música brasileira ao samba, à bossa nova e a lambada, que foi criada por dois plagiadores de Paris. O etnólogo brasileiro Edison Carneiro explorou mais de 40 variações de samba. Mas existem muito mais que podem ser encontradas neste país tropical: há também baião, forró, frevo, choro ou rancho, para dar apenas alguns exemplos. Todos esses estilos diferentes podem ser explorados em outras diversas misturas e também podem ser encontrados na música pop ocidental ou no jazz.

Gismonti analisou o rico potencial de suas raízes culturais e também a origem dos tradicionais instrumentos brasileiros. Como resultado, ele é capaz de tocar diferentes instrumentos como piano, guitarra, bandolim, vários instrumentos de percussão e flautas. Ele passou dois anos explorando várias afinações e procurando diferentes sons, o que o influenciou a experimentar calimbas, sanzas, cuícas e o bambuzal, que foi criado por ele.

Ele também fez novas experiências quando se juntou aos Índios do Alto Xingu, no Amazonas. Absorvendo os sons da selva, ele aprendeu um pouco sobre a natureza das expressões musicais. Gismonti ficou muito impressionado com as lições que o Pajé (curandeiro/orientador espiritual) Sapaim lhe deixou. Ele percebeu que o caminho reto é muitas vezes o mais rápido, mas nem sempre o melhor. Gismonti considera sua própria música como uma expansão de sua personalidade e suas gravações como um sonoro álbum de família.

Ele vê o intercâmbio cultural e a mistura estilística como uma maneira especial de superar a discriminação racial. Ele está lutando por uma linguagem musical sem barreiras e considera sua própria música como um espelho da híbrida sociedade brasileira.

O mesmo pode ser dito sobre os lançamentos da Carmo. Entre os artistas estão o guitarrista e pianista Nando Carneiro, o cantor e percussionista Aleuda, o percussionista e baterista Robertinho Silva, o pianista Luiz Eça, Luigi Irlandini, Antonio José e muitos outros. É claro que Egberto Gismonti também se apresenta tocando.

É jornalista e pesquisador musical. Cobre shows nacionais e internacionais e já entrevistou bastante gente interessante do Brasil e do mundo. Foi vencedor do Prêmio TopBlog Brasil em 2010 na categoria "Música"e foi membro do Grammy Latino.

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Spotify lança documentário sobre o gênero pernambucano “Brega-Funk”

Plataforma digital registra aumento de 145% no interesse por playlist dedicada ao gênero musical

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Spotify lança documentário sobre o gênero pernambucano "Brega-Funk"
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O Spotify está lançando o documentário MPB Brega-Funk, o segundo do projeto Música Pelo Brasil (MPB), contando a história do gênero musical pernambucano e suas origens recifenses.

MPB Brega-Funk, com direção de Felipe Larozza e apresentação do jornalista GG Albuquerque, explora a evolução desse verdadeiro ritmo contagiante e da cena no Brasil. As gravações aconteceram em Recife, onde o brega-funk nasceu, e passa também por São Paulo, com entrevistas exclusivas com alguns dos maiores nomes dessa cena, como o próprio Dadá Boladão, com 3 milhões de ouvintes mensais na plataforma, Shevchenko & Elloco, MC Loma e as Gêmeas Lacração, MC Troia, A Tropa, MC Lia e Magnatas do Passinho SA, entre outros.

Spotify lança documentário sobre o gênero pernambucano "Brega-Funk"

“A história do brega-funk é a história da cultura de sobrevivência dos Mcs do Recife. O movimento reuniu elementos de diferentes cenas musicais da periferia do Brasil em uma batida eletrônica original e inovadora. Um som que mudou a identidade e o imaginário cultural de Pernambuco e Nordeste”, diz GG Albuquerque, pesquisador de músicas periféricas e curador do documentário produzido pelo Spotify.

O material aborda o brega-funk num contexto geográfico, musical e social, mostrando como o gênero ajudou a moldar o cenário cultural de Recife: “Brega-funk é um lifestyle, tem tirado muita gente da criminalidade, principalmente a galera que dança passinho. Quando surgiu o passinho Shevchenko tudo mudou. A galera que dança passinho saiu do tráfico, da bandidagem, saiu do vácuo mesmo”, destaca MC Draak, da galera do É A Tropa.

Neste contexto, o documentário traz também dados de consumo proprietários do estilo no Spotify, que ajudam a entender sua popularização com base em números reais de streams: “Eu to achando muito massa e agradecendo muito a Deus por estarmos chegando em locais que diziam que a gente não ia chegar e a gente vem hoje rompendo as barreiras”, completa MC Troia, que tem total apoio de outra entrevistada do documentário, a MC Lia: “A válvula de escape das comunidades do Recife hoje em dia é o brega-funk. O brega-funk vai dominar o mundo. Se o mundo não terminar em guerra ele termina em brega-funk, disso eu sei.”, conclui a cantora.

“Quando esse tipo de fenômeno cultural, essa junção de ritmos acontece localmente – neste caso o brega-funk – ele se reflete na música que ouvimos no Spotify. Por isso, por meio da cultura local e musical, o Spotify consegue conectar artistas e fãs de uma maneira que antes não era possível, construindo uma comunidade de descoberta e inspiração mútuas, expandindo esse fenômeno para todo país”, diz Roberta Pate, diretora de relacionamento com artistas e gravadoras do Spotify na América Latina.

O Spotify ainda informa que a playlist Brega-Funk cresceu 145% só em 2019 no Brasil, impulsionada pelos sucessos Surtada de Dadá Boladão, Tati Zaqui e OIK, Envolvimento de MC Loma e As Gêmeas da Lacração e Contagiante de Felipe Original.

Confira o documentário:

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Erasmo Carlos envereda pelos caminhos do samba em novo disco

Projeto “Quem Foi Que Disse Que Eu Não Faço Samba?” começa dia 16 no Teatro Riachuelo, no Rio de Janeiro

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Erasmo Carlos envereda pelos caminhos do samba em novo disco
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Um dos maiores ícones de rock do país, Erasmo Carlos traz novidades. Neste novo momento, ele troca a guitarra e a jaqueta de couro pelo pandeiro e a leveza do samba. Com um vasto repertório conquistado ao longo da carreira, dedicada ao rock, mpb e à Jovem Guarda, Erasmo demonstra todo o seu amor pelo samba em um novo projeto autoral.

Erasmo Carlos envereda pelos caminhos do samba em novo disco

Quem Foi Que Disse Que Eu Não Faço Samba? é o nome de um novo EP do cantor com 8 faixas, entre inéditas e regravações de sua própria autoria.

No dia 15 de novembro sai a primeira faixa, A História Da Morena Nua Que Abalou As Estruturas Do Esplendor Do Carnaval em todas as plataformas de música. A previsão de lançamento do EP completo, também captado em imagens, é para dezembro, pela Som Livre.

O novo trabalho do Tremendão surgiu de um sonho antigo do cantor em compartilhar com o público suas composições de samba. Sobre o EP, Erasmo conta como foi difícil escolher apenas 8 faixas e o que o público pode esperar da sua experiência no gênero: “Minhas influências são o rock’n´roll e o samba, que vieram mais ou menos na mesma época. Sou músico e compositor, sempre fiz sambas, mas as pessoas nunca prestaram atenção nisso. Fiquei muito feliz com o resultado desse projeto com a Som Livre e espero que o público curta muito”, comemora.

Erasmo diz que adora fazer canções bem-humoradas e que gostaria de lançar muitas outras nesse mesmo estilo. Entusiasmado com a regravação de Moço para o EP, ele diz: “Foi uma música que tocou bastante e foi sucesso na novela O Bofe (1972), cantada na voz do Betinho e eu quis regravar”.

Além dessa, compõem o EP as faixas A História Da Morena Nua Que Abalou As Estruturas Do Esplendor Do Carnaval, Sem Anjo na Multidão, Samba Rock, Maria e o Samba, Samba da Preguiça, Medley de Samba e Mané João.

No dia 16, Erasmo abre a turnê de shows do projeto no Teatro Riachuelo, no Rio de Janeiro, às 20h. O setlist é composto pelas faixas do EP, junto a grandes sucessos do artista, como É Preciso Saber Viver, Festa de Arromba e Mulher. Depois Erasmo segue para São Paulo com duas sessões no Blue Note, no dia 22 de novembro, sendo a primeira às 20h com piano e voz, seguida da segunda apresentação às 22h30 com banda.

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Roberta Campos e Vitor Kley lançam o single “Fique na Minha Vida”

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Roberta Campos e Vitor Kley lançam o single "Fique na Minha Vida"
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Roberta Campos, em turnê do seu recente DVD Todo Caminho É Sorte, convidou Vitor Kley para um dueto em Fique Na Minha Vida. A faixa, que está disponível em todas as plataformas digitais pela Deck, apresenta sua harmonia de violão com delicadas guitarras e percussão, traz arranjos influenciados pelo pop rock e MPB.

Roberta Campos e Vitor Kley lançam o single "Fique na Minha Vida"

O single tem sua letra composta pela própria Roberta. “Dorme no meu peito, faça o seu ninho em mim”, diz um dos versos. De acordo com a cantora, sua vontade de convidar o autor de O Sol surgiu por achar que suas vozes combinariam bem.

“Eu fiquei muito feliz quando o Vitor me respondeu aceitando o convite de gravar a música comigo! Ficou ainda mais lindo do que eu imaginava”, explicou Roberta Campos.

O gaúcho já admirava a mineira e se sentiu à vontade na gravação: “Poder gravar com ela foi muito legal. É alguém que vem da mesma vibe que eu, estilo voz e violão. E ainda tem uma voz inconfundível. A música é linda”, comentou Kley.

Confira:

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