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Entrevista com o cantor Jão: “Eu quis arriscar com o projeto Acústico”

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O cantor Jão, vencedor do prêmio MTV MIAW 2018 na categoria que celebra as revelações da música nacional e considerado um dos nomes mais promissores do pop para 2018, completou na última sexta-feira (1) o lançamento do  projeto especial Primeiro Acústico, com a divulgação da faixa inédita Aqui.

A série de videos deste projeto traz ainda versões acústicas das músicas Imaturo, Ressaca e Álcool e já estão disponíveis no YouTube. No Spotify, o EP com o áudio das quatro músicas também pode ser acessado.

Jão, que concedeu uma entrevista exclusiva ao The Music Journal Brazil na tarde desta segunda-feira (4), falou sobre a concepção deste projeto e do próximo álbum que lançará no segundo semestre de 2018, além de sua referências imediatas e de sua relação com os fãs onde sua proximidade com eles é direta: “Vibram muito com cada conquista minha!”

Confira:

Marcelo de Assis: Você conquistou o MTV MIAW como revelação de música nacional. Como você recebeu esta premiação e como ela irá agregar em sua carreira artística?

Jão: Cara, é o meu primeiro prêmio então eu lembrarei dele como muito carinho sim e a galera votou muito para eu ganhar. Concorri com pessoas que eu gosto muito como a Iza, a Clau,  então foi bem gostoso ganhar. E no dia da premiação foi muito legal, porque eu estava no meio de pessoas que eu gosto muito. Acho que ganhar esse prêmio é uma forma de validação para que continuemos o nosso trabalho cada vez mais.

Marcelo de Assis: Agora você está com um trabalho novo, o Primeiro Acústico e como nasceu a ideia de fazer um trabalho acústico no inicio de sua carreira?

Jão: Geralmente as pessoas falam que um trabalho Acústico deveria se realizado mais para frente na carreira, depois de um tempo, mas depois que lançamos o single Imaturo em janeiro, as rádios começaram a tocar e eu queria lançar alguma coisa para as pessoas ouvirem nesse meio tempo e mostrar um lado meu diferente também, com mais voz, arranjos diferentes uma coisa mais crua com banda e nós temos uma música inédita neste EP também e eu achei uma oportunidade boa para a galera conferir. Eu quis me arriscar em um arranjo mais acústico.

 

 

“Eu tento fazer um pop bem brasileiro com letras cruas, letras que falam da realidade”

 

 

 

Marcelo de Assis: Suas canções tem um apelo eletrônico em um pop sofisticado e como foi readaptá-las deste formato musical para um formato acústico. Como foi esse processo?

Jão: Foi bem desafiador. Eu fui na produtora e nós penamos bastante, porque algumas músicas foram mais fáceis, por terem uma pegada mais crua. Imaturo, por exemplo, que é mais voltada ao eletrônico de todas as canções, tivemos que sustentar a música para um acústico, para deixá-la mais dark foi bem mais difícil, mas contei com a colaboração dos meus produtores. Tivemos um maestro muito bom que se chama Michael que fez todo o arranjo de tudo, inseriu violoncelos, tudo o que eu não uso muito nas minhas músicas e eu tive que contar com a ajuda dele para ele me mostrar qual a melhor maneira de trabalhar e nós gostamos muito do resultado.

Marcelo de Assis: Você está próximo de lançar um álbum de inéditas …

Jão: Isso. Vou tentar lançar entre o final de agosto e o inicio de setembro.

Marcelo de Assis: E o que os fãs podem esperar deste novo trabalho?

Jão: Olha, acho que um pop bem diferente. Eu tenho referências de muitos lugares diferentes. Eu tento fazer um pop bem brasileiro com letras cruas, letras que falam da realidade. Eu ouvindo o álbum inteiro ele é bem dark, tem umas pegadas mais obscuras que eu gosto muito. A galera vai se identificar e gostar bastante.

Marcelo de Assis: Então deverá nascer de alguma experiência do acústico? Uma conexão com isso?

Jão: Na verdade eu acho que tem alguma similaridade sim, acho que acústico tem essa pegada mais sombria. Seguiremos mais esta linha para as músicas do novo CD.

Marcelo de Assis: Você trabalhou com a HeadMedia no final de 2017. Como foi trabalhar com eles e como isso agregou em sua carreira?

Jão: Agregaram demais! Eu acho que as coisas subiram de nível.  Você sempre tem que agregar pessoas que conheçam bem do assunto para alcançar mais qualidade. Então, a gente se ama muito e se odeia muito. (risos). É uma relação de amor e ódio, porque passamos muito tempo no estúdio juntos, as vezes ficamos discutindo até altas horas da madrugada, brigando porque a música tem que ser assim, tem que ser daquele jeito e no outro dia a gente volta e está todo mundo se amando (risos). É uma relação assim, sabe? Passamos muito tempo juntos e estamos nos descobrindo criativamente. Eu acho que sou uma pessoa muito controladora com o meu material. No começo foi um pouco desafiador mas é algo que estou aprendendo a lidar. Eles estão no mercado há muito tempo e agregam demais para mim.

Marcelo de Assis: E os fãs? Como é a sua essa relação com eles?

Jão: É muito próximo. Eu brinco que era uma parte do negócio que não esperava o que eu fosse ser, que era ser cantor. E foi acontecendo muito naturalmente, a galera foi chegando, foi agregando e eles gostam de construir a carreira de cantor junto comigo, o que eu acho mais legal. Vibram muito com cada conquista minha. No MIAW eles era fizeram um mutirão, tatuam nomes das músicas e eu acho isso muito legal.

Marcelo de Assis: Mas quando bateu a incerteza se você seria um artista?

Jão: A minha infância e a adolescência inteira eu tinha muita certeza, mas quando chegou perto do vestibular, dessa pressão toda de fazer uma faculdade, foi quando eu tive uma incerteza se eu tinha realmente capacidade para fazer isso …

Marcelo de Assis: Mas de quem era a pressão?

Jão: Acho que era minha mesma! De uma certa maneira da sociedade em geral, em você ter um caminho mais tradicional. Aí minha irmã entrou na faculdade também. Eu entrei na faculdade de publicidade e que foi a melhor coisa que fiz na vida porque lá encontrei as pessoas que me ajudaram a correr atrás do meu sonho de cantar. E a faculdade também me ajudou em me descobrir como pessoa, como cantor e aprender coisas de design, de marketing, que me ajudam até hoje para a minha carreira.

Marcelo de Assis: Quais são suas referências musicas?

Jão: Difícil. Eu gosto de muita coisa como Marília Mendonça, Cazuza, Shawn Mendes, Ed Sheeran, Queeneu tento olhar para todo mundo e admirar pessoas boas, independente do gênero para saber o que posso tirar de melhor dali.

Marcelo de Assis: Para este projeto Acústico você chegou a pensar em um formato para shows?

Jão: Estamos pensando em fazer uma data especial em São Paulo ou no Rio de Janeiro neste formato mais acústico.

É jornalista e pesquisador musical. Cobre shows nacionais e internacionais e já entrevistou bastante gente interessante do Brasil e do mundo. Foi vencedor do Prêmio TopBlog Brasil em 2010 na categoria "Música"e foi membro do Grammy Latino.