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Entrevista com Cleo: “Sinto coisas diferentes quando estou cantando”

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Dando início a um novo projeto musical, a versátil  Cleo  lançou recentemente o EP Jungle Kid que conta com 5 faixas onde a artista experimenta diversos tipos de sonoridade e mostra sua versatilidade cantando em inglês.

Cleo concedeu uma entrevista exclusiva ao The Music Journal Brazil nesta terça-feira (20) na Vevo Brasil para falar sobre o seu novo projeto, como concilia a vida de atriz com a de cantora e os desafios deste novo trabalho. Confira:




Marcelo de Assis: Cleo, como surgiu a ideia para criar esse EP?

Cleo: Eu escrevo desde os 12 anos, fazer música é algo que eu sempre quis, era um desejo que estava adormecido, meio que deixado de lado mas que sempre voltava à minha cabeça e aí chegou uma hora que o desejo ficou muito grande e eu tive que fazer.

Marcelo de Assis: Foi uma questão de maturidade nesse sentido?

Cleo: Eu acho que sim! Eu acho que estou mais pronta, me sinto mais segura, autoconfiante … Eu tinha muito medo do que as pessoas iriam falar. “Quer cantar e quer ser atriz também?” (risos). Sabe essas coisas que gente burra fala? Eu prestava muita atenção no que as pessoas iriam falar. Hoje em dia não mais.

Marcelo de Assis: Mudou o senso crítico …

Cleo: É porque chega uma hora que ou você é feliz e é fiel aos seus valores e autêntico ou você fica “batendo palma para maluco dançar”, entendeu?

Marcelo de Assis: O que me chamou a atenção nesse EP é a pluralidade de gêneros incorporados … Acho que não estou enganado!

Cleo: Não! É isso mesmo! Você foi certeiro! (risos).

 

 

“O meu trabalho é uma extensão de mim. Tudo é inspiração para mim, tudo é possibilidade de virar um conteúdo ou algo que eu possa usar para um personagem ou algo que eu possa usar na música. Eu adoro aprender com a vida!”

 

 

 

Marcelo de Assis: Então, quais são suas referências musicais? Qual é essa água que você bebeu?

Cleo: Olha, essa água que bebi tem um pouco de funk dos anos 1980 até hoje, tem rock pra caramba, tem hip hop pra caramba, até moda de viola tem… Mas o que eu ouvia muito na minha infância e adolescência com certeza era funk, muita coisa do DJ Marlboro, DJ Tubarãorock dos anos 1990 como Nine Inch Nails, No Doubt, Garbage, System Of A Downmas ouvia algumas coisas do Brasil que eu gostava muito como Caetano Veloso, Marina Lima, Fernanda Abreu, Maria Bethânia que eu amo, a Gal, Elis Regina também…

Marcelo de Assis: Vários universos …

Cleo: Vários universos! Michael Jackson pra caralho! Ele para mim é referência para tudo. Mike Patton, Incubus, Deftones, Prodigy, mais eletrônico … Sneaker Pimps, Portishead, Radiohead, Nirvana, muito Pearl Jam! Hole eu sempre fui apaixonada, Kanye West …

Marcelo de Assis: E como você canaliza tudo isso em suas composições com tanta referência musical em algumas faixas do EP?

Cleo: Não sei … eu acho que as minhas referências estão claras nas minhas escolhas de arranjo, de interpretação, de timbre…

Marcelo de Assis: A faixa Cloud me chamou muito a atenção. Ela é bem introspectiva, tem um piano ali …

Cleo: É. Só voz e piano! Aquele piano foi o Guto, meu produtor, que fez. Foi o primeiro piano que ele tocou. Eu queria que a faixa ficasse mais crua possível.

Marcelo de Assis: Jungle Kid e Impulses  são bem experimentais e  suas sonoridades mesclam alguns gêneros. Como surgiu a ideia de criar esse tipo de som?

Cleo: Eu gosto! Meu ouvido cria isso. Ouve um som, vem uma melodia, pesquisa um synth que tem a ver com uma música que você gosta ou cria uma base que te lembra uma música que você gosta… eu acho que o meu processo é muito experimental mesmo. Eu gosta de estar no estúdio, ouvir as possibilidades, de criar junto e fazer a minha interpretação das coisas … acho que sou uma edição de um monte de coisas! (risos)

Marcelo de Assis: As faixas Bandida e Faz O Que Tem Que Fazer parecem ter uma característica mais pop …

Cleo: São mais abertas!

Marcelo de Assis: Elas serão singles de trabalho também?

Cleo: Nós queremos trabalhar tudo, mas acho que, óbvio, elas são muito mais palatáveis comercialmente. Eu gosto de tudo. Eu gosto de coisas muito introspectivas e coisas de nicho e gosto de coisas muito populares. Eu quero poder fazer as duas coisas, não quero ficar em um lugar só! Eu adoro pop, eu adoro voz e piano, coisas mais experimentais… Quero passear por tudo, criar em todos esses ambientes!

 

 

“Eu acho que estou mais pronta, me sinto mais segura, autoconfiante …”

 

 

 

Marcelo de Assis: Os seus futuros trabalhos também terão coisas mais híbridas em termos de criação? Continuará cantando em inglês e português?

Cleo: Eu acho que sempre será assim. Na verdade eu adoro as línguas. Eu queria poder cantar em cinco línguas diferentes. Eu acho um máximo misturar porque no final é música e todo mundo entende o que você está querendo expressar um sentimento que não tem idioma, então eu acho muito legal você poder usar outras línguas.

Marcelo de Assis: Estamos vivendo uma cultura musical do featuring. Você pretende fazer com outro artista?

Cleo: Aham, pretendo!

Marcelo de Assis: E quem será?

Cleo: Eu não quero falar! (risos). Sabe por quê? Não está fechado ainda … (risos)

Marcelo de Assis: Mas vai rolar em 2018?

Cleo: Quase certeza!

Marcelo de Assis: E shows?

Cleo: Ainda não estamos programando nada. Estamos recebendo alguns pedidos. Eu começo uma novela no meio de maio, então, tem que ser até lá. Mas acho que dá até para conciliar…

Marcelo de Assis: E essa conexão da vida como cantora e da dramaturgia? Como você consegue balancear isso?

Cleo: Sendo esquizofrênica! (risos) Acho que são universos que se complementam muito. Óbvio, tem coisas muito diferentes entre eles, mas no fundo você está interpretando, você está contando histórias… você está fazendo arte!

Marcelo de Assis: E tempo para lidar com as duas carreiras?

Cleo: Minha cabeça não para! O meu trabalho é uma extensão de mim. Eu amo muito as coisas que faço, sabe? Tudo é inspiração para mim, tudo é possibilidade de virar um conteúdo ou algo que eu possa usar para um personagem ou algo que eu possa usar na música. Eu adoro aprender com a vida!

Marcelo de Assis: Você está em duas vertentes da arte. A energia será a mesma para ambas?

Cleo: Eu não sei. Sinto coisas diferentes quando estou compondo ou estou cantando e eu sinto coisas diferentes quando estou atuando, lendo um roteiro ou estudando um personagem. Eu acho que todo mundo tem uma energia múltipla. É uma questão de focar ela. O meu foco é muito grande nas coisas que eu amo fazer, então, quanto mais eu consiga conciliar, melhor! Talvez tenha uma fase que eu esteja mais música e outra mais atriz… Mas essas duas coisas sempre serão muito importantes para mim!

Marcelo de Assis: Qual público que o seu novo EP irá atingir?

Cleo: Ah eu não sei! (risos) Eu não sou boa nisso! (risos). Acho que o público “humanidade”! (risos)

É jornalista e pesquisador musical. Cobre shows nacionais e internacionais e já entrevistou bastante gente interessante do Brasil e do mundo. Foi vencedor do Prêmio TopBlog Brasil em 2010 na categoria "Música"e foi membro do Grammy Latino.