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Entrevista com Alice Caymmi: "Estou sempre em reconstrução" Entrevista com Alice Caymmi: "Estou sempre em reconstrução"

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Entrevista com Alice Caymmi: “Estou sempre em reconstrução”

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Dona de um talento extraordinário que desde sempre habita o DNA de sua célebre família, a cantora e compositora Alice Caymmi concedeu uma entrevista exclusiva ao The Music Journal Brazil para falar sobre o seu novo trabalho, o EP Dizem Que Sou Louca que chega ao mercado com quatro versões da faixa Louca e já está disponível em todas as plataformas digitais pela Universal Music via Flecha de Prata Edições Musicais.




Neste bate-papo, Alice fala sobre a concepção de novo trabalho, de seu processo criativo por ser uma artista conceitual e os desafios que ela encontra nesta esfera.

Dona de uma criatividade ímpar, ela cria uma conexão entre a música e o audiovisual transformando em algo uníssono, realizando um trabalho diferenciado e moderno no mercado musical brasileiro que, para o bem da arte, traz em suas palavras o significado de um ciclo: “Tudo o que eu faço, é um alimento para um futuro trabalho”.

Confira:

Marcelo de Assis: Alice como foi a concepção deste novo EP “Dizem Que Sou Louca”?

Alice Caymmi: Este é um EP de versões da música e eu fiz uma versão acústica, uma versão a capella e um remix bem legal junto com João Brasil que é bem dançante e que é um grande presente para os fãs que querem dançar e tudo mais. Eu tinha planejado isso para o final do ano passado, porque é realmente um presente que estou dando para eles pelo tempo em que eu não pude trabalhar o single na época. Então, estou trabalhando bastante ele e fechando com esse matéria para que eles possam tirar o máximo de proveito possível e imaginável dessa música que eu vi que comoveu e ajudou muita gente.

Marcelo de Assis: Você criando esse tipo de extensão de seu trabalho, como você mesma disse, um presente para os fãs, isso poderia influenciar ou impulsionar os seus futuros trabalhos?

Alice Caymmi: Sempre, sempre! Tudo o que eu faço, é um alimento para um futuro trabalho. E como eu estou em reconstrução – porque toda as vezes em que estou entre um álbum e outro, temos que nos “destruir” para nos “reconstruir” – como os artistas que trabalham com conceito e com forte criação em todos os sentidos, precisam se se destruir primeiro – ainda estou tirando a última pena do corpo para poder me renovar, para que eu possa voltar e como não há um caminho apontado certo, eu não tenho como dar uma prévia para dizer onde eu vou. Não há um trabalho a ser lançado que, tem claro, tudo haver com esse e, enfim, eu continuo sendo a Alice conceituado e intérprete que todo mundo gosta.

Marcelo de Assis: De fato. E desde o começo quando comecei a acompanhar o seu trabalho, vejo que você faz algo completamente diferente no mercado musical brasileiro por ser uma artista conceitual. Você já nasceu com isso ou era algo que você projetou no futuro?

Alice Caymmi: Eu não sabia que eu ia chegar nesse nível de conceituação e concepção de cada obra que eu tivesse. Eu sabia que eu iria trabalhar com música mas não sabia que era isso. Mas o interesse pelas obras conceituais sempre existiu em mim. O fato de eu ser fã da Bjork desde criancinha já mostra isso, as coisas de arte contemporânea que eu pedia para ir quando era criança já diziam isso, as exposições, os artistas que eu gostava desde cedo… a minha relação com as artes plásticas é muito forte, a minha relação com a performance é muito forte, então, eu sempre fui, bem ou mal, um ser conceitual. E eu acho que meu avô ele tinha isso, mas não essa coisa camaleônica, porque ele viveu em uma época em que não precisava se reinventar tão rápido. E ele tem uma obra tão genial, que ele não precisou reinventar absolutamente nada porque ele criou. É como se ele tivesse criado o “feijão-com-arroz”, sabe?

Marcelo de Assis: Ser artista conceitual, naturalmente, sofre algum tipo de pressão nesse sentido, Alice? De se reinventar a todo o momento?

Alice Caymmi: Totalmente! Me sinto totalmente pressionada. Tem épocas que eu tenho vontade apenas de ficar nua em uma casa de campo, criar galinha e acabou, porque cansa! É uma coisa difícil mas é da minha personalidade isso. Quando eu falo, “Vou dar uma descansada!”, daqui a pouco eu vejo estou criando uma situação nova: ou um disco novo, ou um show novo ou um projeto.

Marcelo de Assis: Esse novo EP abre com Spiritual e essa faixa dialoga muito com seus registros audiovisuais. Muitas dessas coisas as quais você projeta tem haver com crença? Em outras palavras: qual é a sua crença?

Alice Caymmi: A minha religião, a minha vida, o meu caminho é o caminho dos Orixás. Eu nasci no Candomblé e cresci na UmbandaEntão, eu não vivo sem um apoio e sem o suporte dos Orixás e eu sou praticamente mesmo na religião. Não tem nada holístico tipo, “ah, eu acho curioso”. Não, é a vida vivida dessa forma mesmo e dedico muito do que consegui até hoje a eles. Meu avô era assim também, que é uma coisa que eu faço completamente igual ao meu avô e, sim, a vida espiritual permeia muito a minha vida artística o tempo inteiro. Até onde não há citações diretas, há citações indiretas muito fortes.

Marcelo de Assis: Em janeiro de 2018 você lançou seu terceiro álbum Alice e contou com vários nomes como Rincon Sapiência, Pablo Vittar, Cléo e Ana Carolina. Como nasceu a ideia deste álbum?

Alice Caymmi: Cara, esse álbum foi um trabalho que eu nunca demorei tanto para fazer. Levei um ano para fazer este álbum e, assim, foi um álbum feito a muitas duras penas porque eu estava em muito sofrimento, tive problemas pessoais muito fortes e ele foi feito em cima de muita, muita dificuldade. Nunca pensei que fosse passar tanta dificuldade assim …

Marcelo de Assis: Esse álbum acaba refletindo essa fase difícil? Seria um desabafo?

Alice Caymmi: Ele não é um desabafo, muito pelo contrário: ele é uma tentativa de mudança de assunto. As únicas faixas que falam realmente sobre sofrimento é Inimigos, que tem uma participação do Rincón Sapiência, e Spiritual. Toda a parte mais pop foi uma tentativa de desvirtuar um pouco, porque eu sempre cantei o meu sofrimento com muita facilidade, mas eu nunca sofri tanto. Então, eu não consegui. Agora que estou me refazendo é que eu tenho certeza que vou conseguir vir com força total de novo com mais facilidade.

Marcelo de Assis: Então esse álbum foi uma experiência para que as dificuldades que você enfrentou, viessem a te conduzir a você aprender a lidar com essas emoções e desaguarem em suas composições e hoje você teria mais “equipamentos”, por assim dizer, para poder implementar essas emoções dentro de uma composição?

Alice Caymmi: Isso, exatamente! Exatamente! Estão mais “armadas” e mais fortes!

 

 

“A minha relação com as artes plásticas é muito forte, a minha relação com a performance é muito forte, então, eu sempre fui, bem ou mal, um ser conceitual”

 

 

 

Marcelo de Assis: O que teremos da Alice Caymmi para 2019?

Alice Caymmi: Estou preparando coisas para o verão. Darei uma repaginada no meu show que eu venho fazendo, do disco Alice, vou dar uma mexida nele porque, enfim, acho que temos que ir mexendo nos repertórios e ir renovando ele e eu não consigo cantar a mesma coisa tanto tempo, sabe? É um show mais alegre, é um show de verão, combina com ele. E além disso estou em um momento de honrar a memória do meu avô muito forte, então é muito capaz que eu participe de outros projetos ligados à memória dele com mais frequência neste ano.

Marcelo de Assis: Alice, você já enfrentou uma grande barreira por ser uma artista conceitual? Como que é isso no Brasil?

Alice Caymmi: É só você analisar minha trajetória! Eu fiz um disco que será moderno por mais uns dez anos no mínimo que é o Rainha dos Raios e ele hypou. Mas aí ele ficou no hype e não é isso aí! Ele é um disco de quebra de paradigmas e tudo mais. O Alice, por exemplo, poderia ter sido muito mais compreendido e entendido e ele não foi. As pessoas não entenderam. O pessoal acolheu, o meu público aumentou, os meus números aumentaram, porém não sinto que as pessoas tenham entendido. E continuo sentindo que as pessoas não entendem tudo. Aí eu fico: “Vou parar de entregar tudo isso?”, sabe? As vezes fico pensando assim, se eu “vou parar de entregar tudo isso porque ninguém se importa” ou “eu vou entregar tudo isso, porque eu vivo assim e é assim que eu faço as minhas coisas”. Eu nunca fiz arte conceitual por causa de público, até porque ninguém decide ser conceitual por causa de público. Teoricamente na cabeça dos caretas, conceitual não atinge o público. Mas atinge sim! Não sei se é falta de contato com esse tipo de arte, porque existe um mercado alternativo né? E esse mercado alternativo é muito engraçado, porque a pessoa vai e dá um hype no eixo Rio-São Paulo. Aí esse hype do eixo Rio-São Paulo dá uma subida para o Nordeste. Aí algumas pessoas ficam sabendo, mas ainda não é a compreensão do seu trabalho, entende? Acho que o trabalho conceitual não “cola” muito mas eu faço do mesmo jeito e não me importo mais.

Marcelo de Assis: Você é muito fã da islandesa Bjork …

Alice Caymmi: É uma que ninguem nunca entendeu e continua não entendendo!

Marcelo de Assis: O mundo não entendeu esses artistas conceituais ainda?

Alice Caymmi: Não, não entendeu mas eu posso falar da Bjork assim: ela tem “zero” energia de incompreendida, sacou? Ela está realmente, efetivamente pouco se fodendo! E ela tem o público dela, faz o negócio dela do mesmo jeito e, enfim, e é uma artista internacional maravilhosa, bilionária: ganhou uma ilha da Islândia. É como um presente pelo o que ela fez pelo país. Ela faz exatamente o que ela quer e a música dentro da cabeça dela é aquilo que vai continuar sendo e acabou. Óbvio que ela tem o planejamento para os fãs dela, óbvio que ela tem presentes que quer dar, óbvio que ela sabe que determinadas canções vão tocar mais o público ou não. Tanto que ultimamente ela tem feito disco atrás de disco para tentar curar um término de casamento, que foi mortal para ela, e ela não para de fazer os discos. Ela interrompe uma turnê no meio e fala “não consigo mais cantar esse disco!”. Faz outro! Ela não segue leis de mercado malucas. Ela é imprevisível. Claro que eu não quero ser uma pessoa completamente imprevisível, mas ao mesmo tempo eu me recuso, cara, eu me recuso na minha vida a ir em reunião de gravadora pra ela me dizer qual é o próximo passo. Isso eu tenho pavor!

Marcelo de Assis: No começo de carreira você chegou a se apresentar no Canecão …

Alice Caymmi: Isso. Há 14 anos!

Marcelo de Assis: A Alice Caymmi daquele momento para hoje: o quanto ela mudou?

Alice Caymmi: Cara, dali … é engraçado porque estou tentando voltar pra lá … A gente sempre tenta retornar ao inicio, mas nunca seremos criança de novo. Aquele foi o dia mais feliz da minha vida!

Marcelo de Assis: O que significou tanto?

Alice Caymmi: Eu descobri que eu amava aquilo! E eu descobri que estava sozinha, que eu poderia fazer o que quisesse! Não tinha meu pai, minha mãe, não tinha ninguém! Eu estava na coxia e eu ia entrar em cena. Aquele lugar era só meu, então, percebendo que aquilo era pra mim, nossa, a minha vida funcionou mais fácil para mim em diante. E eu acho que eu tenho que recuperar isso. E depois fui fechando, fechando, fechando como todo adulto. E fui entendendo e não entendendo, reconhecendo e não reconhecendo aquele espaço como meu. Porque a gente sofre, tomamos muita porrada e é desleal, é desnecessário, não precisávamos sofrer tanto, mas é assim. Eu já me distanciei do palco tantas vezes, me reaproximei do palco tantas vezes e falando assim parece que eu tenho 40 anos mas eu tenho 28! Pensa que a primeira vez em que pisei no palco eu tinha 12.

Marcelo de Assis: Em mercados estratégicos como o norte-americano e europeu, um artista conceitual consegue ter muito mais uma amplitude artística do modelo que encontramos no Brasil?

Alice Caymmi: Com certeza, eles são muito mais evoluídos nesse sentido!

Marcelo de Assis: Por quê?

Alice Caymmi: Cara, porque eles nasceram lá! A arte conceitual nasceu no além-mar. Uma pessoa que se empenhou em trazer a arte conceitual para o Brasil no âmbito da música: Tom Zé! É o cara mais artista plástico na música que eu conheço. Quando ele começou ela já era um dos precursores da Tropicália. E hoje em dia então, hoje em dia é “oi bebê, eu gosto mais de você do que de mim” e é genial essa música. Mas eu acho que ainda chegaremos lá!

Marcelo de Assis: Há esperança!

Alice Caymmi: Há esperança! Há esperança!

É jornalista e pesquisador musical. Cobre shows nacionais e internacionais e já entrevistou bastante gente interessante do Brasil e do mundo. Foi vencedor do Prêmio TopBlog Brasil em 2010 na categoria "Música"e foi membro do Grammy Latino.

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Entrevista com Eagle-Eye Cherry: “É um prazer encerrar esta turnê no Brasil”

O cantor e compositor sueco concedeu uma entrevista exclusiva ao The Music Journal Brazil onde fala de seu relacionamento com a irmã Neneh Cherry, de suas colaborações com artistas brasileiros e de sua alegria em retornar ao Brasil.

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Entrevista com Eagle-Eye Cherry: "É um prazer encerrar esta turnê no Brasil"
Nando Machado

O cantor Eagle-Eye Cherry esteve no Brasil pela primeira vez em 1999 quando se apresentou no extinto Free Jazz Festival e voltou diversas vezes nos anos seguintes para turnês concorridas e shows esgotados. Aqui no Brasil, construiu uma sólida base de fãs, impulsionada por sua participação em trilhas sonoras de novelas, filmes e séries como Smallville, Billy Elliot e E Sua Mãe Também, além de parcerias com artistas locais como Maria Gadú e Vanessa da Mata e o guitarrista Carlos Santana.

Entrevista com Eagle-Eye Cherry: "É um prazer encerrar esta turnê no Brasil"

Filho do prestigiado trompetista Don Cherry e da pintora Monika Moki, a música está na vida de Eagle-Eye desde o começo. Com sua irmã Neneh Cherry, hoje também cantora e musicista, viajou o mundo em turnês com o pai. Aos 12 anos, mudou-se para Nova York para estudar cinema e começou a trabalhar como ator, além de baterista para diversos grupos da cena local.

Pouco depois da morte do pai em 1995, retorna a Estocolmo para começar o compor o que seria o seu primeiro grande sucesso comercial, o álbum de estreia Desireless, que projetou o músico para uma carreira internacional, vendeu mais de 4 milhões de cópias e foi disco de platina nos Estados Unidos com sua roupagem pop aliada a elementos de folk e blues.

De lá para cá, foram mais cinco álbuns de estúdio e um disco ao vivo, gravado na icônica casa de shows Circo Voador no Rio de Janeiro, onde também se apresenta nesta nova turnê. Streets of You, seu último trabalho inédito, foi lançado em 2018.

Eagle-Eye Cherry, que chegou a gravar um novo clipe em São Paulo no último domingo (20) e se apresenta na capital paulistana no Cine Joia no dia 23 de outubro e no dia 24 no Circo Voador no Rio, concedeu uma entrevista exclusiva ao The Music Journal Brazil onde fala de seu relacionamento com a irmã Neneh Cherry, de suas colaborações com artistas brasileiros e de sua alegria em retornar ao Brasil para finalizar a sua atual turnê, onde ele diz que “é um prazer muito grande encerrar esse ciclo em lugar que eu gosto tanto”.

Confira a entrevista:

Entrevista com Eagle-Eye Cherry: "É um prazer encerrar esta turnê no Brasil"

Marcelo de Assis: Qual a sensação de retornar ao Brasil e sua expectativas para os seus shows aqui?

Eagle-Eye Cherry: Estou muito feliz em retornar ao Brasil. Estamos em turnê com este álbum há mais ou menos um ano e quando descobri que os últimos shows seriam aqui eu fiquei muito animado. Eu gosto muito do público brasileiro e é um prazer muito grande encerrar esse ciclo em lugar que eu gosto tanto.

Marcelo de Assis: Eagle, você esteve aqui pela primeira há exatos 20 anos. Ainda se recorda daquele momento quando se apresentou aqui?

Eagle-Eye Cherry: Sim, foi no Free Jazz Festival com o Roots e o Finley Quayle. Eu me lembro muito bem, porque cresci ouvindo música brasileira, então, eu sempre soube que viria ao Brasil em algum momento, só que eu acreditava que seria como turista e não como artista. Naná Vasconcelos, que era amigo do meu pai, tocaram juntos e isso se mantém com uma memória muito viva para mim.

Marcelo de Assis: Como você avalia sua carreira até hoje desde o lançamento de Desireless?

Eagle-Eye Cherry: Eu me senti um homem de sorte por ter essa carreira até hoje, porque quando eu comecei eu tive muitos sonhos e realizei muitos deles. Tive participações em programas de TV, coisas que eu não imagina que eu faria e acabei realizando, mas, acima disso, eu consegui criar uma música que resistisse à prova do tempo e eu sinto que consegui isso. É uma grande realização.

 

 

“Eu gosto muito do público brasileiro e é um prazer muito grande encerrar esse ciclo em lugar que eu gosto tanto.”

 

 

 

 

Marcelo de Assis: E você é irmão da Neneh Cherry. Como é a relação de vocês e como vocês discutem a música?

Eagle-Eye Cherry: Eu sou um grande amigo da minha irmã. É minha pessoa favorita. Eu não a vejo sempre, mas, temos uma relação ótima. Temos uma compreensão sobre o outro muito grande e quando estamos juntos, na maior parte do tempo, não falamos sobre trabalho. Cozinhamos e fazemos coisas juntos, mas eu sei que se eu precisar conversar sobre música com alguém, uma das pessoas que mais me entendem é minha irmã, então, me sinto confortável para falar com ela sobre qualquer coisa.

Marcelo de Assis: Você já trabalhou com artistas brasileiros como Maria Gadú e Vanessa da Mata. Como foi essas colaborações e o que elas agregaram em sua carreira?

Eagle-Eye Cherry: Tive uma colaboração com a Maria Gadú e quando estava pensando em fazer uma colaboração, eu descobri a voz dela que é uma coisa maravilhosa e acredito que a música foi para outro patamar e com a Vanessa da Mata, eu acabei descobrindo ela depois de uma colaboração com o Ben Harper, de quem eu sou muito fã e acredito que essas colaborações agregam muito e eu fiquei muito feliz com ambos os resultados.

Marcelo de Assis: Quem é o Eagle-Eye Cherry?

Eagle-Eye Cherry: Eu faço essa pergunta todos os dias quando eu acordo e me olho no espelho! (risos). E quando eu levo muito tempo em gravar um álbum e outro é porque eu ainda tenho dificuldade com essa parte de celebridade. Eu gosto muito de tocar, é tudo para mim, é como respirar, comer, algo vital. Mas ainda tenho essa dificuldade de estar muito exposto e as vezes faço pausas maiores na carreira. Tem esses dois Eagles: o cara que sobe no palco e outro que é uma pessoal normal, que prefere ficar longe das câmeras.

Marcelo de Assis: Música tem que ser a celebração da vida ….

Eagle-Eye Cherry: Sim! Exatamente!

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Entrevista com Lucas Lucco: “Guardo dentro de mim muitos sonhos.”

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Entrevista com Lucas Lucco: "Meu novo projeto é trazer uma proximidade com o público"
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O cantor e compositor Lucas Lucco lotou semana passada o Madalena Gastrobar, em Goiânia. Foram cerca de 500 pessoas no espaço para prestigiar uma estreia. Qual? Nada mais, nada menos, do que o novo projeto de Lucas, intitulado De Bar em Bar. Com a presença de amigos, fãs e da noiva, Lorena Carvalho, o cantor trouxe ao público 5 canções inéditas. São elas: Ex pegador, Rolo coisa e tal, Desnecessário, Sumiu do mapa, Boquinha de cerveja, Disney, além de trechos de seus sucessos.

Com muita animação, mas sem deixar o romantismo de lado, a novidade do novo trabalho irá rodar por diversos bares Brasil afora, sempre carregando consigo músicas inéditas para o público, além de enaltecer a cultura regional e as histórias dos povos pelo país.

Em uma entrevista exclusiva ao The Music Journal Brazil, Lucco falou mais sobre este projeto, sobre a turnê de A Origem e como ele analisa a carreira como um todo. Confira:

Entrevista com Lucas Lucco: "Meu novo projeto é trazer uma proximidade com o público"

Marcelo de Assis: Lucas, como nasceu a ideia de realizar este projeto “De Bar em Bar”?

Lucas Lucco: A ideia nasceu com o objetivo de reunir amigos e fãs em um clima agradável e descontraído, com intuito de celebrar as raízes da música popular brasileira, em especial o sertanejo.

Marcelo de Assis: O intuito deste novo projeto é reunir amigos e fãs. Ou seja, a nova série de shows seria algo mais intimista se comparado aos grandes shows?

Lucas Lucco: Não diria intimista, mas a ideia é trazer uma proximidade com o público, com palco menor, mais baixo e com a possibilidade de andança nas passarelas e no próprio balcão.

Marcelo de Assis: Você pretende usar esse encontro como uma label registrada. Como funcionará isto?

Lucas Lucco: A ideia é bem recente, mas pretendo tornar uma label registrada sim, com certeza.

Marcelo de Assis: Como tem sido a turnê de A Origem?

Lucas Lucco: Tem sido muito bacana, estamos rodando o Brasil todo, onde posso compartilhar com o público uma das minhas grandes paixões, que é o sertanejo, além da aproximação com os fãs, que são sempre muito fieis.

 

 

“É incrível, o balanço que faço é muito positivo. São anos de muito aprendizado, muito crescimento pessoal e profissional.”

 

Marcelo de Assis: Lucas, como você analisa sua carreira como um todo? Em outras palavras, como foi o processo de amadurecimento neste sentido?

Lucas Lucco: É incrível, o balanço que faço é muito positivo. São anos de muito aprendizado, muito crescimento pessoal e profissional. Tive a oportunidade de conhecer pessoas incríveis neste caminho, que fizerem e fazem toda a diferença na minha vida.

Marcelo de Assis: Quanto à música sertaneja, o que mudou desde o inicio de sua carreira?

Lucas Lucco: A música sertaneja sempre esteve em alta, temos artistas incríveis hoje em dia e isto só tem crescido. Acredito que o principal destaque atualmente seja a ascensão das duplas femininas, o feminejo veio com tudo!

Marcelo de Assis: Quais são seus planos para 2020?

Lucas Lucco: Ah, são muitos. Quero lançar novos projetos, músicas e trabalhar muito. Amo o que faço, de todo o coração.

Marcelo de Assis: A tônica de seu trabalho sempre foi o romantismo. Por que o sertanejo dialoga tanto com esse sentimento?

Lucas Lucco: Sim, eu sempre fui apaixonado por música sertaneja, sempre fui um cara romântico. Acho que temos o sertanejo moderno dialoga muito com este sentimento, e isto é incrível.

Marcelo de Assis: Luccas, tem algum sonho que você ainda não realizou?

Lucas Lucco: Sou um cara muito realizado, mas guardo dentro de mim muitos sonhos. Com fé e trabalho, espero
conseguí-los.

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Entrevista com Rodrigo Suricato: “Estou em um momento muito significativo”

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Entrevista com Rodrigo Suricato: "Estou em um momento muito significativo"
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No mês passado, Rodrigo Suricato lançou seu novo EP homônimo pela Universal Music e concedeu uma entrevista exclusiva ao The Music Journal Brazil onde ele fala sobre o processo criativo deste novo trabalho, do seu gosto pela leitura que tanto influenciou a contextualização de suas letras e de sua opinião sobre a música pop e rock do Brasil nos dias atuais, onde ele elogia a ascensão de outros gêneros musicais e, inclusive, a cantora Anitta: “Ela é  muito mais rock´n´roll do que eu!”.

Confira:

Marcelo de Assis: Como o Suricato está se sentindo com o lançamento deste EP? Me parece algo muito significativo, não?

Rodrigo Suricato: Sim, cara! É um momento muito bonito, muito significativo como você falou! Foram dois anos compondo um repertório com mais de 30 canções onde eu selecionei 10 canções. E como culminou de eu estar vivendo um processo individual, pessoal, muito intenso de um mergulho muito bonito, então, eu não havia planejado mas acabou sendo um disco do qual eu toquei 85% dos instrumentos que estão ali, produzi o álbum com o meu amigo Marcos Vasconcelos, compus todas as canções, enfim, tive que me desdobrar e estar performando no palco defendendo esse repertório com os instrumentos e tudo. E está sendo bem bonito, não via realmente a hora de reencontrar meu público com canções que eu acredito e com mensagens que eu quero passar.

Marcelo de Assis: Eu imagino quão foi difícil para você, como compositor, dentre tantas faixas, escolher algumas apenas. Como foi esse processo e como se desenhou o fator determinante para a escolha de cada uma delas que compõe o EP?

Rodrigo Suricato: O EP traduz um pouco a atmosfera sonora que existe no disco com a apropriação de alguns elementos eletrônicos, a minha forma de compor com a minha assinatura na composição através da canção Admirável Estranho, a canção que dará título ao álbum que é Na Mão as Flores, que seja um pouco mais conceitual com uma frase que adoro: “Diz que o pior de mim está na mesma mão que trago flores para você”…

Marcelo de Assis: Muito forte …

Rodrigo Suricato: É! A aceitação da gente durante a vida, a gente saber um pouco mais do conhecimento dos nossos defeitos, mas também valorizar o que a gente tem de mais bonito. Eu acho que esse disco valorizou o que eu tenho de mais bonito e eu gostaria que as pessoas ouçam, porque ele trata também de canções que não só referentes a mim, Suricato, mas como a qualquer outra pessoa. Então, as letras abordam uma questão muito mais humanas do que individual do que eu passo no meu cotidiano, no meu dia-a-dia.

 

 

“Eu acho que esse disco valorizou o que eu tenho de mais bonito e eu gostaria que as pessoas ouçam, porque ele trata também de canções que não só referentes a mim, Suricato, mas como a qualquer outra pessoa.”

 

 

 

Marcelo de Assis: É parte de uma auto-observação, uma forma de como você enxerga a vida, você traduz isso para as suas composições …

Rodrigo Suricato: É, tenho muita sorte de poder traduzir em palavras do pouco que eu vivo.

Marcelo de Assis: Admirável Estranho te toca muito profundamente. O que ela tem de especial para você enquanto compositor. Como é essa sintonia?

Rodrigo Suricato: Muito curioso que Admirável Estranho tenha sido a primeira canção que eu compus. E por coincidência do destino também será a primeira que dará largada a este novo processo. Ela funcionará como todas as outras minhas canções, eu não me aproprio de um outro personagem para compor elas, pelo menos não neste disco. Ela tem uma história muito bonita. A ideia da composição diz o quanto as pessoas estão ao seu lado. As vezes estamos ao lado de uma pessoa tão admirável, ela te impacta de uma maneira tão profunda mas ela jamais saberá disso, porque você jamais terá um elogio para que ela entenda isso de uma forma mais profunda. Tem muita gente que admiramos e que nunca mais veremos na vida e elas não saberão disso, então, ela tem essa coisa platônica mas muito verdadeira.

Marcelo de Assis: Você é um artista muito versátil, trabalha vários instrumentos musicais … Como nasceu esse plural de habilidades?

Rodrigo Suricato: Eu costumo dizer nasci guitarrista e compositor eu quis ser! Eu comecei ganhando minha vida nos bares e na noite “só os fortes sobrevivem” (risos). Eu tocava guitarra, violão e não cantava até então. Eu tive que aprender a cantar para que aquilo ali potencializasse o modo de vida que eu havia escolhido. Larguei a faculdade de economia, me dedicando inteiramente à música e comecei a tocar com outros artistas. A partir daí fui me interessando pela leitura e fui desenvolvendo o meu próprio texto, minha própria maneira de compor. Desde cedo eu quis usar meu trabalho como desenvolvimento do que eu sou pessoalmente e artisticamente. A pessoa que você vai ver fora do palco será a mesma que virá acima no palco.

Marcelo de Assis: E existe um grande teor poético em suas letras. Isso já vem pela influência de sua leitura …

Rodrigo Suricato: Sim e principalmente porque o melhor do texto é aquilo que fica, de tudo o que você vai extrair, a coisa de você esculpir as palavras. Esse interesse veio realmente depois, porque como eu comecei guitarrista, eu segui muito pelo universo dos instrumentos, dos instrumentistas e, então, comecei a me aprofundar muito sobre os instrumentos exóticos… Sou um curioso mesmo, né? Sou um curioso em meu trabalho. Eu gosto de ser o que eu sou, não ficar em um pedestal artístico, eu gosto de circular entre as pessoas e poder fazer o que eu faço de melhor.

Marcelo de Assis: Como você analisa o pop e o rock nacional de hoje em termos poéticos e de estrutura musical?

Rodrigo Suricato: Eu não tenho escutado tanta coisa vinda de rock nacional. Acho que na questão de atitude, o que representa isso seja o rap hoje em dia. Acho que a roda da vida está colocando o rap e o hip-hop em uma evidência em um momento em que eles jamais se encontraram. E eu acho maravilhoso, porque você vai em um show e vê as as pessoas estão cantando aquelas músicas enormes e na minha geração eu me vangloriava muito de sabermos a letra de Faroeste Caboclo inteira. Eu acho isso maravilhoso. É a profunda transformação da vida e a mudança do paradigma do comportamento. Do que um roqueiro deveria fazer. Um amigo meu fala que eu sou o roqueiro mais frustrante que ele ja viu na dele vida inteira …

Marcelo de Assis: Por quê? (risos)

Rodrigo Suricato: Porque eu durmo cedo, eu acordo seis horas da manhã, … (risos).

Marcelo de Assis: Ou seja, você estaria na contramão do que seria o estereótipo do rock …

Rodrigo Suricato: A Anitta é muito mais rock´n´roll do que eu! E muito mais rock´n´roll do que os principais rockers do Brasil. Então é maravilhoso ver essa mudança de postura. O que é rock´n´roll? Eu não sei dizer o que é rock´n´roll é muito mais do que uma guitarra distorcida.

Marcelo de Assis: Seu trabalho é muito elogiado por nomes como Paulinho Moska, Nando Reis, Lulu Santos e por uma lenda do rock argentino que é o Fito Paez. Como você recebe toda essa admiração desses artistas?

Rodrigo Suricato: Para mim é maravilhoso! Pra mim é a concretização do meu crivo, porque quando começamos a fazer isso, a nunca achamos que estamos certos, buscando referências nas vidas dos outros em histórias de sucesso, algo que possa servir para a sua própria vida e na verdade, não, cada vida é uma vida e ninguém está atrasado em relação a ninguém, o meu relógio é completamente diferente do seu, de qualquer pessoa. A perspectiva passa a ser muito cruel nesse sentido, fazendo você acreditar que o seu trabalho é muito ruim. Para mim é maravilhoso! No caso do Lulu (Santos), contando um segredo para você, ele foi talvez a melhor e a pior coisa que aconteceu para mim durante o meu processo musical, porque o Lulu me chamou para tocar guitarra com ele e eu já tocava no The Voice, eu gravava as guitarras do programa com o produtor do meu disco, Marco Vasconcellos, e ele me convidou para tocar com ele. Só que esse convite não se concretizou. E por conta do convite do Lulu, eu declinei da minha renovação com o The Voice. Então, passei um tempo desempregado e me descobri um compositor melhor ainda. E calhou de serem as canções Sol-Te que foi agraciado com um Grammy Latino. É maravilhoso ser reconhecido por essas pessoas, mas não sobe muito na cabeça, não!

 

 

“A Anitta é muito mais rock´n´roll do que eu!”

 

 

 

Marcelo de Assis: Suricato, você fala sobre o teor do tempo de uma forma bem concreta, concisa. Então te pergunto: o que é o ontem, o hoje e o amanhã?

Rodrigo Suricato: Olha, só temos o “hoje” na verdade. E a única coisa que sabemos é que nada se muda no passado. Ter a possibilidade de se reconectar e se reconstruir a cada instante, foi uma das maiores descobertas da minha vida. Aceitar e chegar ao lugar onde estou hoje e poder abraçar os meus erros. O pior de mim está na mesma mão que trago flores pra você! É abraçar o Rodrigo lá de trás e dizer: “Cara, você não sabia tudo e agora deixa comigo que estou no comando e te levarei para um lugar melhor!” Eu só tenho o hoje, cara. Eu não faço previdência privada de amor, de afeto. Tudo o que eu tenho é para viver agora!

Marcelo de Assis: Como será a promoção deste seu novo trabalho, Suricato?

Rodrigo Suricato: São 10 músicas gravadas, com 10 webclipes que não contarão com dramaturgia, não tem mocinha, não tem bandido e sim eu tocando com uma atmosfera com luzes da forma como eu enxergo esse novo trabalho. Pretendo ir para a estrada a partir de Agosto com as novas canções e performando sozinho os instrumentos. É um show do qual eu não posso vacilar, meu baterista não pode estar em um dia ruim porque ele faz parte da mesma pessoa e isso pode arruinar tudo. É um show que exige muito de mim realmente e ele será maravilhoso.

Marcelo de Assis: Como é estar a frente do Barão Vermelho?

Rodrigo Suricato: O Barão Vermelho é maravilhoso, é o melhor processo coletivo que ja vivi em minha vida. Fazer parte de uma banda com tanta história e pelas pessoas que fundaram o Barão Vermelho. Eles que ligaram para o Cazuza, que ligaram para o Frejat e construiram essa história lindíssima. Para mim é muito bom ter essa plataforma de comunicação mais coletiva e o Suricato é aquela coisa mais individual. Muitas bandas acabam na verdade porque as pessoas não tem essa liberdade de poder se expressar através de outros trabalhos, de outra plataformas. O que eu acho muito cruel. Quando você analisa a história de uma banda, elas terminam exatamente pelos mesmos motivos. Imagine você ser obrigado a trabalhar com as pessoas que você conheceu na sua infância pelo resto da sua vida. Isso é muito cruel, então, esse “respiro” é maravilhoso. Eu tenho agora a sorte de poder fazer isso com o Barão Vermelho.

Marcelo de Assis: Quem é Rodrigo Suricato?

Rodrigo Suricato: Rapaz, eu estou descobrindo agora falando com você!

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