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Entrevista com o trio Melim: “Os nossos fãs são um presente para nós”

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O trio Melim, formado pelos músicos Rodrigo, Diogo e Gabriela concederam uma entrevista exclusiva ao The Music Journal Brazil para falar sobre o lançamento de seu novo EP que celebra o novo contrato do grupo com a Universal Music.




No bate papo realizado na sede da gravadora em São Paulo, eles falaram sobre o inicio de suas carreiras, os primeiros momentos de cada um com a música e de como surgem as composições e das influências musicais em suas carreiras.

Confira:

Marcelo de Assis: Como surgiu a ideia de vocês formarem um trio?

Gabriela: Nós não começamos juntos, começamos separados. Eu comecei a minha carreira solo com 15 anos no samba de raiz e tive oportunidade de gravar com João Donato e para mim na época foi incrível. E os meninos tocavam nos barzinhos. Enquanto isso viajei bastante. Depois que começamos a crescer, amadurecer musicalmente, nos aproximamos muito em em estilos parecidos. E nossas composições estavam servindo tanto pra eles quanto para mim… “Vocês ficam com essas músicas e eu com essas”…

Diogo: Aí migramos um pouco para o pop …

Gabriela: … e eles que ja eram pop, ficaram mais do que nunca!

Diogo: Antes disso, a música surgiu em casa da forma mais natural! Meus pais, por mais que não sejam músicos profissionais, eles são amantes da música. Meu pai canta no karaokê, tem uma voz grave, bonita. Minha mãe tem uma voz rouca, bonita também. Meu pai sempre trabalhou com artistas, minha mãe vem de uma família de músicos de Belo Horizonte, então lá em casa sempre foi um ambiente muito musical e sempre gostamos muito disso. Na primeira oportunidade que tivemos de tocar, pedíamos: “Pai, quero um violão”. E com o passar do tempo, meu pai acabou conseguindo comprar alguma coisa …

Marcelo de Assis: E com quantos anos aconteceu isso?

Diogo: Cara, acho que o Rodrigo pegou o primeiro teclado, que foi o primeiro instrumento musical que tivemos, com 8 anos …

Gabriela: Rodrigo tirava tipo Mozart, Beethoven de ouvido. Sempre gostamos de música assim e ele sempre teve facilidade de aprender.

Diogo: E fomos estudar! Um entrou para estudar canto, o outro foi estudar teclado, bateria e o outro violão. Aí eu e o Rodrigo, quando estávamos na escola, encontramos uma banda para tocar rock, pop, coisas que tocavam na época e sempre tínhamos o mesmo círculo de amigos e montamos uma banda com alguns deles.

Gabriela: Nosso pai sempre nos incentivou muito!

Marcelo de Assis: Desde a época em que vocês tiveram o primeiro contato com os instrumentos musicais até vocês montarem uma banda, levaram 9 anos apenas …

Rodrigo: Sim. Em 2015 em uma festa da música em Canelas, a Gabi teve a oportunidade de cantar uma música e resolveu levar eu e o Diogo e seria uma oportunidade de divulgar o trabalho de ambos em apenas uma apresentação. E a galera adorou, aplaudiu muito e depois nos perguntaram: “Qual é o nome da banda de vocês?”, “Vocês tem que cantar juntos”. E no dia seguinte, o Diogo e a Gabi ficaram conversando sobre formar uma banda até que pensamos: “Acho que será legal”. Até então, todas as apresentações que havíamos feito de brincadeira, participações, sempre rolava de uma forma diferente …

Gabriela: Sempre sentíamos que brilhava de uma maneira diferente, sabe? E quando nos juntamos, foi diferente.

Rodrigo: A aceitação foi diferente! E na época criamos as nossas redes sociais, postamos dois vídeos de apenas 15 segundos no Instagram e fomos chamados para fazer um teste para o programa Superstar. Fizemos a audição, passamos e foi muito legal para a gente também. Havia aquela mistura de nervosismo com aquela coisa de TV, não sabíamos se queríamos participar porque estávamos amadurecendo como banda, mas foi legal a aceitação da galera, foi incrível, fizemos a porcentagem recorde dos programas e continuamos a postar vídeos na internet e as coisas começaram a andar. E agora, depois de um tempão, compor um CD, estamos gravando um segundo álbum e decidimos lançar a música Meu Abrigo que foi a música que cantamos naquela festa da música em Canelas.

Diogo: Meu Abrigo agora é o nosso single de trabalho. Escolhemos, não só pela época do ano.. Sempre achamos que o Verão combina muito com a música, mas escolha dela é por ser um “xodó” nosso desde o começo. Sempre foi uma música que abraçamos.

 

 

“As ideias surgem muito de sensações e elas podem ser tanto de influências musicais ou de experiências de vida”

 

 

 

Marcelo de Assis: O novo projeto de vocês é um EP que sairá pela Universal Music. Qual foi a sensação de assinar com a gravadora?

Gabriela: Cara, vou te falar uma coisa: recebemos várias propostas mas queríamos muito assinar com a Universal. A nossa primeira visita foi na sede da gravadora no Rio e foi surreal. Marcou! Estávamos cantando em uma sala quando de repente, entrou o presidente Paulo Lima já dizendo: “Onde que assina?” (risos).

Rodrigo: Teve um momento que eu achei que não ia acontecer (assinar o contrato). Mas deu tudo certo. Nós tivemos três grande passos para isso: o Superstar, que foi um primeiro passo incrível e que tivemos uma boa aceitação do público. O segundo: o escritório e o terceiro passo, a gravadora.

Marcelo de Assis: Qual foi a inspiração para a capa deste EP?

Gabriela: Queríamos algo que transmitisse união, simplicidade e fosse pop ao mesmo tempo. Algo mais clean. Que mostrasse que somos irmãos.

Marcelo de Assis: E o que o novo EP apresenta em termos de musicalidade?

Rodrigo: As três músicas permeiam o universo do pop. A primeira, Meu Abrigo, é um pop reggae, Transmissão de Pensamento é um pop levado para o folk e Ouvi Dizer costumamos dizer que é totalmente pop.

Marcelo de Assis: Todas autorais?

Gabriela: Todas! Não por uma restrição a outros autores. Nós gostamos muito de escrever e tivemos muitas opções. Tínhamos umas 40 músicas para escolher …

Marcelo de Assis: E como surge a inspiração?

Gabriela: É bem natural. As vezes vem uma inspiração através de uma frase, um refrão. Ou as vezes por uma experiência que vivemos.

Marcelo de Assis: E como é esse processo de composição de vocês?

Rodrigo: Nos reunimos na sala. Eu acho que as ideias surgem muito de sensações e elas podem ser tanto de influências musicais ou de experiências de vida. Quando você está aberto a compor, tudo pode ser motivo de composição. E acreditamos que tudo que é diferente, desperta atenção das pessoas. É isso que toca o seu coração. Então procuramos sempre fazer um tema sobre uma ótica diferente, com uma melodia diferente, algo que faça as pessoas se sentirem presentes.

Marcelo de Assis: Vocês falaram sobre os gêneros musicais inseridos nas composições de vocês e é notório que existem influências de rock, folk e reggae. E pesquisando sobre o trabalho que realizaram, vejo que criaram um medley que contém o clássico Isn’t She Lovely do lendário Stevie Wonder que é um mestre da Soul Music e R&B. Como essas referências chegaram a vocês?

Gabriela: Que audácia nossa né? (risos).

Marcelo de Assis: Eu acho ótimo!

Gabriela: Eu acho que muitos dos artistas dos quais fazemos as releituras, as vezes o Diogo e o Rodrigo também trazem isso, no caso do Stevie Wonder, eu acabei trazendo um pouco dessa musicalidade mais em decorrência dos músicos que eu convivi quando comecei no samba, conheci uma galera do jazz também e acabei bebendo muito dessa fonte.

 

 

“Esse lance dos fãs é tão bonito! É um presente para nós! Fizemos um show em Recife e eles foram nos encontrar. Realmente emociona! É um presente, não tem explicação!”

 

 

 

Marcelo de Assis: Quais artistas internacionais vocês tem ouvido recentemente?

Melim: Ed Sheeran, Shawn Mendes, Jason Mraz, Joss Stone, Amy Winehouse, tanta coisa!

Marcelo de Assis: E como vocês definem as suas composições nesse sentido. Digo na estrutura musical. Com tantos gêneros, como vocês canalizam isso e entram em definição?

Gabriela: Somos muito melodiosos. Em termos de assunto, sempre tentamos mostrar um apelo popular, para que seja acessível para todo mundo.

Rodrigo: Tem um pouco de poesia também, mas sempre buscando uma forma direta de nos comunicarmos com o nosso público.

Gabriela: Não gostamos de criar nenhuma forma complexa de entendimento verbal em nossas composições.

Diogo: Em questão de levada musical, ainda estamos nos descobrindo também. Ainda não temos a certeza de todas as levadas que cabem em nosso estilo. Entendemos que isso faz parte da gente, estamos amadurecendo como banda.

Marcelo de Assis: E como é a conexão de vocês com os seus fãs?

Gabriela: Eu sinto que o nosso público é muito educado, diferente. Os comentários nas redes são sempre qualitativos. E temos público de todas as faixas etárias.

Rodrigo: Eu acredito muito no lance do trabalho. O trabalho sempre dá resultados. Mas esse lance dos fãs e tão bonito o que fazem. É um presente para nós! Fizemos um show em Recife e eles foram nos encontrar. Realmente emociona! É um presente, não tem explicação!

Diogo: Quando você realmente tem o carinho das pessoas, mesmo online, você se sente amado, se sente abraçado pela galera e sempre queremos retribuir tudo isso.

Marcelo de Assis: Quais são os planos futuros após o lançamento deste EP?

Diogo: Temos um disco para ser lançado, já estamos em estúdio e será no meio do ano. Ainda não sabemos se sairá como um novo EP ou álbum completo.

Gabriela: Vai depender muito da resposta deste EP que lançamos!

É jornalista e pesquisador musical. Cobre shows nacionais e internacionais e já entrevistou bastante gente interessante do Brasil e do mundo. Foi vencedor do Prêmio TopBlog Brasil em 2010 na categoria "Música"e foi membro do Grammy Latino.