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Entrevista com Mike Lindup do Level 42 Entrevista com Mike Lindup do Level 42

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Entrevista com Mike Lindup do Level 42

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Nesta entrevista exclusiva, realizada em 2011 para o The Music Journal Brazil, Mike Lindup fala de sua relação com os integrantes da banda, o inicio de carreira, seus projetos e sua enorme paixão pela música brasileira. Confira:

Marcelo de Assis: Mike, o Level 42 chegou a trinta anos de carreira. Como tem sido o relacionamento entre vocês, tanto pessoalmente quanto profissionalmente?

Mike Lindup: Quatro caras (Eu, Mark King, Phil Gould e Boon Gould) decidimos começar uma banda no final de 1979 e a ideia original era escrever músicas instrumentais inspiradas no Mahavishnu Orchestra, Return to Forever, Miles Davis, James Brown, Stevie Wonder, Herbie Hancock, Cream, Airto Moreira e Jimi Hendrix. Descobrimos cedo que para conseguir o nosso primeiro contrato de gravação tudo o que precisávamos era converter um de nossos instrumentais em uma canção, que foi Love Meeting Love. Nós gravamos e lançamos esta música em uma gravadora independente no norte de Londres, em maio de 1980. Esse foi o começo. Pouco depois a Polydor nos deu um contrato, mas não tínhamos ideia de que iríamos gravar futuramente mais de 15 álbuns ao longo dos próximos 30 anos e tocar em concertos para milhares de pessoas em todo o mundo.

Marcelo de Assis: E como foi a turnê em comemoração destes trinta anos?

Mike Lindup: A turnê do 30º aniversário no ano passado foi fantástica, e nós temos esta gratidão em subir ao palco e apresentar as músicas que gostamos de tocar e ver que as pessoas continuam a comparecer e se divertir em nossos shows. Voltamos para o Japão e EUA após uma longa pausa e foi como uma volta ao lar, tocar em lugares de diferentes dimensões com um grande som e intimidade para o público que estava esperando pelo nosso retorno desde 1987 nos EUA e 1994 no Japão.

Marcelo de Assis: O Level 42 sempre mostrou uma proposta musical bem diversificada, com elementos do funk e do jazz desde o início de suas atividades nos anos 80. Como foi definida essa fusão entre vocês?

Mike Lindup: Nós crescemos ouvindo Jazz, Funk, Soul, Rock, Reggae, ou seja, toda uma diversidade de estilos que estava sendo tocado nas rádios ou encontrados na lojas de discos em nossa juventude. Mark King era originalmente um baterista, e quando eu o conheci, também estava tocando bateria em uma banda na faculdade de música. Então em vigor, haviam três bateristas na banda, apesar de Mark também tocar baixo e eu teclado, por isso estávamos sempre interessados no groove, seja qual for o estilo da música que estávamos inseridos – nós amamos ouvir Miles Davis, James Brown, Fela Kuti, ou Herbie Hancock com quem escrevemos 15 ou 20 minutos de música com o mesmo groove – assim lá foi o funk, e então é claro que você ouviria solos por cima do groove, no sax e teclados. E também por isso não foi só o jazz: em nossa primeira gravação, Phil Gould trouxe um grande tecladista e compositor, Wally Badarou, de origem franco-africano e ele tornou-se um membro permanente quando estávamos no estúdio em todos os nossos álbuns, e ele trouxe a sua sensibilidade e os sons africanos em nossas gravações.

Marcelo de Assis: Miles Davis foi uma influência e tanto no início de sua carreira, não é mesmo?

Mike Lindup: Sim, muito. Álbuns como Jack Johnson, Bitches Brew, In a Silent Way, foram influências muito poderosas sobre nós quando estávamos começando. A forma como Miles reunira diversos talentos para o estúdio, como Tony Williams, Keith Jarrett, Wayne Shorter, Chick Corea, Ron Carter, Billy Cobham, Joe Zawinul e John McLaughlin, que era música experimental realizada por alguns dos maiores músicos de sua idade, era uma poderosa influência para nós.

Marcelo de Assis: Em 1985 vocês lançaram o álbum World Machine que foi muito bem recebido pela crítica especializada e pelo público. A canção Something About You fez sucesso em todo o mundo. Me fale como foi aquele momento…

Mike Lindup: Para este álbum, levamos um tempo maior de preparação das canções do que anteriormente (às vezes íamos para o estúdio com apenas metade do álbum escrito). World Machine foi o primeiro álbum que nós mesmos produzimos junto com Wally. Então não havia alguma pressão durante a gravação que dividimos com o nosso empresário inicial John Gould, que teve que enfrentar algumas dúvidas da Polydor sobre a qualidade da música. Mas quando o álbum foi lançado, foi um prazer que ele saiu tão bom quanto nós poderíamos ter esperado.

Something About You foi uma música que quase não consegui terminar e durante a gravação não parecia estar tão boa quanto a demo, mas depois de algum trabalho extra e um conjunto brilhante de letras de Boon Gould, ganhou vida e quando os vocais foram cantados e arranjados, aí finalmente soou grande. Claro, isso não era garantia de que ele seria bem sucedido, por isso ficamos muito satisfeitos que se tornou uma das nossas maiores conquistas.

Marcelo de Assis: Podemos dizer que foi inevitável que o som do Level 42 ficou mais pop depois de World Machine. O foco era esse?

Mike Lindup: Naquela oportunidade, tivemos realmente de nos tornarmos compositores e estávamos interessados em criar canções pop que vem da nossa experiência como músicos de jazz, funk e fusion rock.

Marcelo de Assis: Mike, você sempre deu uma enorme contribuição as composições do Level 42, tanto nos arranjos dos teclados como na voz. E Mark King deixa sempre uma marca registrada do estilo jazzístico que ele imprime nas canções. Podemos dizer que você e Mark são a alma da banda…

Mike Lindup: Isso é muito gentil de sua parte, Marcelo. Mas acredito que uma banda é a combinação de todos os elementos envolvidos. Obviamente, sendo os cantores, somos a “voz” e o incrível talento de Mark como um baixista deixa uma marca grande no som da música.

 

“Quando eu estava escrevendo as músicas para “Changes”, queria expressar meu amor pela música do Brasil que teve uma influência tão grande em minha vida, como um agradecimento para ela.”

 

Marcelo de Assis: Falando em sua carreira-solo, no álbum Changes, que você lançou em 1990, na canção Passion pode-se considerar que o título é uma clara referência do seu sentimento pela música brasileira? Alias, tem uma leveza de um samba que lembra muito Sérgio Mendes & Brazil´66

Mike Lindup: Em 1985 eu estava andando no centro de Londres e ouvi o som de uma batucada, como eu nunca tinha ouvido na vida. Descobri que havia uma “Escola do Samba de Londres” tocando, e assim eu tinha de saber mais a respeito daquilo, e acabei tocando com eles no Notting Hill Carnival por 2 anos consecutivos, (tocando reco-reco e, no ano seguinte, surdo). Quando eu estava escrevendo as músicas para Changes, queria expressar meu amor pela música do Brasil que teve uma influência tão grande em minha vida, como um agradecimento para ela. E desde então tem sido um sonho em ir para o Brasil um dia e eu ainda vou esperar para torná-lo realidade.

Marcelo de Assis: E por falar nisso, como foi o seu primeiro contato com a música brasileira e sua paixão por ela?

Mike Lindup: Eu tive uma conexão com a música brasileira desde quando eu tinha 3 anos, quando eu ouvi pela primeira vez Desafinado em nosso toca-discos, e mais tarde meu pai tinha uma gravação em seu carro, com Astrud Gilberto. Eu adorei a voz dela e qualidade assombrosa de sua música. Mais tarde descobri que havia muito mais da música brasileira e alguns amigos meus da América do Sul tinham uma banda em Londres na década de 80 chamada Sambatucada e eles me apresentaram gravações dos sons afro-brasileiros e suas composições… Mais tarde descobri alguns dos grandes artistas do movimento Tropicália.

Marcelo de Assis: Quais são os músicos brasileiros de sua preferência?

Mike Lindup: Eu amo Airto, Hermeto Paschoal, Egberto Gismonti, Gal Costa, Maria Bethânia, Gil, Nana Vasconcelos, João Gilberto, João Bosco, Milton Nascimento, Caetano, Ivan Lins, Tom Jobim

Marcelo de Assis: Você tem um projeto chamado Da Lata… conte-nos sobre ele!

Mike Lindup: Era um projeto de dois amigos meus, Chris Franck e Nina Miranda e quando entrei em 1999, uma outra amiga minha era a vocalista, que eu havia conhecido na Escola do Samba de Londres, Liliana Chachain. A música tinha muito ritmo afro-brasileiro com composições originais mesclando R&B mais tarde. Toquei teclados e fui backing vocal cantando em português com a banda durante um período de cinco anos. Mas, em seguida, Chris e Nina decidiram colocar o projeto no armário por tempo indeterminado – e eu espero que ele seja um dia revivido.

Marcelo de Assis: No seu trabalho-solo Conversations With Silence você compôs a canção Brasil 2000. Qual foi a sua inspiração para esta composição e qual a razão do título?

Mike Lindup: Foi escrita no ano 2000 e havia alguma expectativa sobre o que o novo milênio traria para o mundo. E eu queria escrever um samba! Não há um grande mistério …

Marcelo de Assis: Você lançou um novo EP On The One onde a canção-título tem um toque e tanto de R&B. A proposta deste novo trabalho é caminhar por outros horizontes musicais?

Mike Lindup: Eu meio que voltei para as raízes da minha alma ao compor este EP, como Al Green, Stevie Wonder, Marvin Gaye e James Brown. Esta é a música que eu cresci ouvindo, antes de Level 42 e parecia como se eu quisesse dizer recentemente como um artista necessita de sua “alma” central. Eu cresci em uma casa que estava cheia de variedades musicais e meus pais, que eram músicos desde cedo, tinham uma coleção de álbuns que variavam de Miles Davis a Yehudi Menuhin, de Tchaikovsky a Stan Getz, dos Beatles a Pete Seeger, de Bob Dylan a Simon & Garfunkel, de Laura Nyro a Aretha Franklin e então é normal e natural para mim atravessar diferentes estilos. É apenas o mesmo que um artista atravessando entre uma aquarela e uma escultura de óleo, cerâmica e fotografia.

Marcelo de Assis: Atualmente a indústria da música está em franca transformação. Muitos artistas criaram seus próprios selos e se desvincularam das grandes gravadoras. A música passou a ser digital e as vendas de CD´s caem vertiginosamente em todo o mundo. Como você observa este cenário e como você imagina o futuro da música?

Mike Lindup: É uma grande questão e eu não sei as respostas, exceto para dizer que tudo mudou a partir de quando eu entrei neste negócio da música. Eu estou tentando encontrar meu caminho em novas possibilidades. Em alguns aspectos é melhor que as grandes empresas já não estejam ditando quem fará sucesso, mas você precisa de uma plataforma, como um artista, especialmente quando você está começando. Alguns dos jovens talentos estão realmente usando muito bem a internet e eu acho que nós precisamos encontrar novas maneiras de ganhar a vida sendo músicos e compositores e isso eu faço, com certeza. Pelo menos o valor da performance ao vivo se mantém alta.

Marcelo de Assis: O Level 42 tem muitos fãs no Brasil e você é um amante da música brasileira. Então Mike, o que está faltando para a banda se apresentar no Brasil?

Mike Lindup: O convite certo!!!!

Marcelo de Assis: Mike, muito obrigado pela sua entrevista e como um profundo admirador de seu trabalho, espero ter a oportunidade de vê-lo aqui no Brasil e agradeço também pela sua contribuição e divulgação de nossa música em outros países!

Mike Lindup: Eu que agradeço pela oportunidade de explorar o meu amor pelo Brasil e sua música.

É jornalista e pesquisador musical. Cobre shows nacionais e internacionais e já entrevistou bastante gente interessante do Brasil e do mundo. Foi vencedor do Prêmio TopBlog Brasil em 2010 na categoria "Música"e foi membro do Grammy Latino.

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Entrevista com Lucas Lucco: “Guardo dentro de mim muitos sonhos.”

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Entrevista com Lucas Lucco: "Meu novo projeto é trazer uma proximidade com o público"
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O cantor e compositor Lucas Lucco lotou semana passada o Madalena Gastrobar, em Goiânia. Foram cerca de 500 pessoas no espaço para prestigiar uma estreia. Qual? Nada mais, nada menos, do que o novo projeto de Lucas, intitulado De Bar em Bar. Com a presença de amigos, fãs e da noiva, Lorena Carvalho, o cantor trouxe ao público 5 canções inéditas. São elas: Ex pegador, Rolo coisa e tal, Desnecessário, Sumiu do mapa, Boquinha de cerveja, Disney, além de trechos de seus sucessos.

Com muita animação, mas sem deixar o romantismo de lado, a novidade do novo trabalho irá rodar por diversos bares Brasil afora, sempre carregando consigo músicas inéditas para o público, além de enaltecer a cultura regional e as histórias dos povos pelo país.

Em uma entrevista exclusiva ao The Music Journal Brazil, Lucco falou mais sobre este projeto, sobre a turnê de A Origem e como ele analisa a carreira como um todo. Confira:

Entrevista com Lucas Lucco: "Meu novo projeto é trazer uma proximidade com o público"

Marcelo de Assis: Lucas, como nasceu a ideia de realizar este projeto “De Bar em Bar”?

Lucas Lucco: A ideia nasceu com o objetivo de reunir amigos e fãs em um clima agradável e descontraído, com intuito de celebrar as raízes da música popular brasileira, em especial o sertanejo.

Marcelo de Assis: O intuito deste novo projeto é reunir amigos e fãs. Ou seja, a nova série de shows seria algo mais intimista se comparado aos grandes shows?

Lucas Lucco: Não diria intimista, mas a ideia é trazer uma proximidade com o público, com palco menor, mais baixo e com a possibilidade de andança nas passarelas e no próprio balcão.

Marcelo de Assis: Você pretende usar esse encontro como uma label registrada. Como funcionará isto?

Lucas Lucco: A ideia é bem recente, mas pretendo tornar uma label registrada sim, com certeza.

Marcelo de Assis: Como tem sido a turnê de A Origem?

Lucas Lucco: Tem sido muito bacana, estamos rodando o Brasil todo, onde posso compartilhar com o público uma das minhas grandes paixões, que é o sertanejo, além da aproximação com os fãs, que são sempre muito fieis.

 

 

“É incrível, o balanço que faço é muito positivo. São anos de muito aprendizado, muito crescimento pessoal e profissional.”

 

Marcelo de Assis: Lucas, como você analisa sua carreira como um todo? Em outras palavras, como foi o processo de amadurecimento neste sentido?

Lucas Lucco: É incrível, o balanço que faço é muito positivo. São anos de muito aprendizado, muito crescimento pessoal e profissional. Tive a oportunidade de conhecer pessoas incríveis neste caminho, que fizerem e fazem toda a diferença na minha vida.

Marcelo de Assis: Quanto à música sertaneja, o que mudou desde o inicio de sua carreira?

Lucas Lucco: A música sertaneja sempre esteve em alta, temos artistas incríveis hoje em dia e isto só tem crescido. Acredito que o principal destaque atualmente seja a ascensão das duplas femininas, o feminejo veio com tudo!

Marcelo de Assis: Quais são seus planos para 2020?

Lucas Lucco: Ah, são muitos. Quero lançar novos projetos, músicas e trabalhar muito. Amo o que faço, de todo o coração.

Marcelo de Assis: A tônica de seu trabalho sempre foi o romantismo. Por que o sertanejo dialoga tanto com esse sentimento?

Lucas Lucco: Sim, eu sempre fui apaixonado por música sertaneja, sempre fui um cara romântico. Acho que temos o sertanejo moderno dialoga muito com este sentimento, e isto é incrível.

Marcelo de Assis: Luccas, tem algum sonho que você ainda não realizou?

Lucas Lucco: Sou um cara muito realizado, mas guardo dentro de mim muitos sonhos. Com fé e trabalho, espero
conseguí-los.

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Entrevista com Rodrigo Suricato: “Estou em um momento muito significativo”

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Entrevista com Rodrigo Suricato: "Estou em um momento muito significativo"
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No mês passado, Rodrigo Suricato lançou seu novo EP homônimo pela Universal Music e concedeu uma entrevista exclusiva ao The Music Journal Brazil onde ele fala sobre o processo criativo deste novo trabalho, do seu gosto pela leitura que tanto influenciou a contextualização de suas letras e de sua opinião sobre a música pop e rock do Brasil nos dias atuais, onde ele elogia a ascensão de outros gêneros musicais e, inclusive, a cantora Anitta: “Ela é  muito mais rock´n´roll do que eu!”.

Confira:

Marcelo de Assis: Como o Suricato está se sentindo com o lançamento deste EP? Me parece algo muito significativo, não?

Rodrigo Suricato: Sim, cara! É um momento muito bonito, muito significativo como você falou! Foram dois anos compondo um repertório com mais de 30 canções onde eu selecionei 10 canções. E como culminou de eu estar vivendo um processo individual, pessoal, muito intenso de um mergulho muito bonito, então, eu não havia planejado mas acabou sendo um disco do qual eu toquei 85% dos instrumentos que estão ali, produzi o álbum com o meu amigo Marcos Vasconcelos, compus todas as canções, enfim, tive que me desdobrar e estar performando no palco defendendo esse repertório com os instrumentos e tudo. E está sendo bem bonito, não via realmente a hora de reencontrar meu público com canções que eu acredito e com mensagens que eu quero passar.

Marcelo de Assis: Eu imagino quão foi difícil para você, como compositor, dentre tantas faixas, escolher algumas apenas. Como foi esse processo e como se desenhou o fator determinante para a escolha de cada uma delas que compõe o EP?

Rodrigo Suricato: O EP traduz um pouco a atmosfera sonora que existe no disco com a apropriação de alguns elementos eletrônicos, a minha forma de compor com a minha assinatura na composição através da canção Admirável Estranho, a canção que dará título ao álbum que é Na Mão as Flores, que seja um pouco mais conceitual com uma frase que adoro: “Diz que o pior de mim está na mesma mão que trago flores para você”…

Marcelo de Assis: Muito forte …

Rodrigo Suricato: É! A aceitação da gente durante a vida, a gente saber um pouco mais do conhecimento dos nossos defeitos, mas também valorizar o que a gente tem de mais bonito. Eu acho que esse disco valorizou o que eu tenho de mais bonito e eu gostaria que as pessoas ouçam, porque ele trata também de canções que não só referentes a mim, Suricato, mas como a qualquer outra pessoa. Então, as letras abordam uma questão muito mais humanas do que individual do que eu passo no meu cotidiano, no meu dia-a-dia.

 

 

“Eu acho que esse disco valorizou o que eu tenho de mais bonito e eu gostaria que as pessoas ouçam, porque ele trata também de canções que não só referentes a mim, Suricato, mas como a qualquer outra pessoa.”

 

 

 

Marcelo de Assis: É parte de uma auto-observação, uma forma de como você enxerga a vida, você traduz isso para as suas composições …

Rodrigo Suricato: É, tenho muita sorte de poder traduzir em palavras do pouco que eu vivo.

Marcelo de Assis: Admirável Estranho te toca muito profundamente. O que ela tem de especial para você enquanto compositor. Como é essa sintonia?

Rodrigo Suricato: Muito curioso que Admirável Estranho tenha sido a primeira canção que eu compus. E por coincidência do destino também será a primeira que dará largada a este novo processo. Ela funcionará como todas as outras minhas canções, eu não me aproprio de um outro personagem para compor elas, pelo menos não neste disco. Ela tem uma história muito bonita. A ideia da composição diz o quanto as pessoas estão ao seu lado. As vezes estamos ao lado de uma pessoa tão admirável, ela te impacta de uma maneira tão profunda mas ela jamais saberá disso, porque você jamais terá um elogio para que ela entenda isso de uma forma mais profunda. Tem muita gente que admiramos e que nunca mais veremos na vida e elas não saberão disso, então, ela tem essa coisa platônica mas muito verdadeira.

Marcelo de Assis: Você é um artista muito versátil, trabalha vários instrumentos musicais … Como nasceu esse plural de habilidades?

Rodrigo Suricato: Eu costumo dizer nasci guitarrista e compositor eu quis ser! Eu comecei ganhando minha vida nos bares e na noite “só os fortes sobrevivem” (risos). Eu tocava guitarra, violão e não cantava até então. Eu tive que aprender a cantar para que aquilo ali potencializasse o modo de vida que eu havia escolhido. Larguei a faculdade de economia, me dedicando inteiramente à música e comecei a tocar com outros artistas. A partir daí fui me interessando pela leitura e fui desenvolvendo o meu próprio texto, minha própria maneira de compor. Desde cedo eu quis usar meu trabalho como desenvolvimento do que eu sou pessoalmente e artisticamente. A pessoa que você vai ver fora do palco será a mesma que virá acima no palco.

Marcelo de Assis: E existe um grande teor poético em suas letras. Isso já vem pela influência de sua leitura …

Rodrigo Suricato: Sim e principalmente porque o melhor do texto é aquilo que fica, de tudo o que você vai extrair, a coisa de você esculpir as palavras. Esse interesse veio realmente depois, porque como eu comecei guitarrista, eu segui muito pelo universo dos instrumentos, dos instrumentistas e, então, comecei a me aprofundar muito sobre os instrumentos exóticos… Sou um curioso mesmo, né? Sou um curioso em meu trabalho. Eu gosto de ser o que eu sou, não ficar em um pedestal artístico, eu gosto de circular entre as pessoas e poder fazer o que eu faço de melhor.

Marcelo de Assis: Como você analisa o pop e o rock nacional de hoje em termos poéticos e de estrutura musical?

Rodrigo Suricato: Eu não tenho escutado tanta coisa vinda de rock nacional. Acho que na questão de atitude, o que representa isso seja o rap hoje em dia. Acho que a roda da vida está colocando o rap e o hip-hop em uma evidência em um momento em que eles jamais se encontraram. E eu acho maravilhoso, porque você vai em um show e vê as as pessoas estão cantando aquelas músicas enormes e na minha geração eu me vangloriava muito de sabermos a letra de Faroeste Caboclo inteira. Eu acho isso maravilhoso. É a profunda transformação da vida e a mudança do paradigma do comportamento. Do que um roqueiro deveria fazer. Um amigo meu fala que eu sou o roqueiro mais frustrante que ele ja viu na dele vida inteira …

Marcelo de Assis: Por quê? (risos)

Rodrigo Suricato: Porque eu durmo cedo, eu acordo seis horas da manhã, … (risos).

Marcelo de Assis: Ou seja, você estaria na contramão do que seria o estereótipo do rock …

Rodrigo Suricato: A Anitta é muito mais rock´n´roll do que eu! E muito mais rock´n´roll do que os principais rockers do Brasil. Então é maravilhoso ver essa mudança de postura. O que é rock´n´roll? Eu não sei dizer o que é rock´n´roll é muito mais do que uma guitarra distorcida.

Marcelo de Assis: Seu trabalho é muito elogiado por nomes como Paulinho Moska, Nando Reis, Lulu Santos e por uma lenda do rock argentino que é o Fito Paez. Como você recebe toda essa admiração desses artistas?

Rodrigo Suricato: Para mim é maravilhoso! Pra mim é a concretização do meu crivo, porque quando começamos a fazer isso, a nunca achamos que estamos certos, buscando referências nas vidas dos outros em histórias de sucesso, algo que possa servir para a sua própria vida e na verdade, não, cada vida é uma vida e ninguém está atrasado em relação a ninguém, o meu relógio é completamente diferente do seu, de qualquer pessoa. A perspectiva passa a ser muito cruel nesse sentido, fazendo você acreditar que o seu trabalho é muito ruim. Para mim é maravilhoso! No caso do Lulu (Santos), contando um segredo para você, ele foi talvez a melhor e a pior coisa que aconteceu para mim durante o meu processo musical, porque o Lulu me chamou para tocar guitarra com ele e eu já tocava no The Voice, eu gravava as guitarras do programa com o produtor do meu disco, Marco Vasconcellos, e ele me convidou para tocar com ele. Só que esse convite não se concretizou. E por conta do convite do Lulu, eu declinei da minha renovação com o The Voice. Então, passei um tempo desempregado e me descobri um compositor melhor ainda. E calhou de serem as canções Sol-Te que foi agraciado com um Grammy Latino. É maravilhoso ser reconhecido por essas pessoas, mas não sobe muito na cabeça, não!

 

 

“A Anitta é muito mais rock´n´roll do que eu!”

 

 

 

Marcelo de Assis: Suricato, você fala sobre o teor do tempo de uma forma bem concreta, concisa. Então te pergunto: o que é o ontem, o hoje e o amanhã?

Rodrigo Suricato: Olha, só temos o “hoje” na verdade. E a única coisa que sabemos é que nada se muda no passado. Ter a possibilidade de se reconectar e se reconstruir a cada instante, foi uma das maiores descobertas da minha vida. Aceitar e chegar ao lugar onde estou hoje e poder abraçar os meus erros. O pior de mim está na mesma mão que trago flores pra você! É abraçar o Rodrigo lá de trás e dizer: “Cara, você não sabia tudo e agora deixa comigo que estou no comando e te levarei para um lugar melhor!” Eu só tenho o hoje, cara. Eu não faço previdência privada de amor, de afeto. Tudo o que eu tenho é para viver agora!

Marcelo de Assis: Como será a promoção deste seu novo trabalho, Suricato?

Rodrigo Suricato: São 10 músicas gravadas, com 10 webclipes que não contarão com dramaturgia, não tem mocinha, não tem bandido e sim eu tocando com uma atmosfera com luzes da forma como eu enxergo esse novo trabalho. Pretendo ir para a estrada a partir de Agosto com as novas canções e performando sozinho os instrumentos. É um show do qual eu não posso vacilar, meu baterista não pode estar em um dia ruim porque ele faz parte da mesma pessoa e isso pode arruinar tudo. É um show que exige muito de mim realmente e ele será maravilhoso.

Marcelo de Assis: Como é estar a frente do Barão Vermelho?

Rodrigo Suricato: O Barão Vermelho é maravilhoso, é o melhor processo coletivo que ja vivi em minha vida. Fazer parte de uma banda com tanta história e pelas pessoas que fundaram o Barão Vermelho. Eles que ligaram para o Cazuza, que ligaram para o Frejat e construiram essa história lindíssima. Para mim é muito bom ter essa plataforma de comunicação mais coletiva e o Suricato é aquela coisa mais individual. Muitas bandas acabam na verdade porque as pessoas não tem essa liberdade de poder se expressar através de outros trabalhos, de outra plataformas. O que eu acho muito cruel. Quando você analisa a história de uma banda, elas terminam exatamente pelos mesmos motivos. Imagine você ser obrigado a trabalhar com as pessoas que você conheceu na sua infância pelo resto da sua vida. Isso é muito cruel, então, esse “respiro” é maravilhoso. Eu tenho agora a sorte de poder fazer isso com o Barão Vermelho.

Marcelo de Assis: Quem é Rodrigo Suricato?

Rodrigo Suricato: Rapaz, eu estou descobrindo agora falando com você!

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Entrevista com Nina Fernandes: “Sou muito agradecida pela nova cena da MPB”

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Entrevista com Nina Fernandes: "Sou muito agradecida pela nova cena da MPB"
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Nina Fernandes é reconhecida como uma das grandes apostas da nova cena da música popular brasileira. Contudo, o seu elogiadíssimo trabalho já no inicio de sua carreira torna-se inconteste de que, na verdade, ela já é uma realidade e ter seu trabalho consagrado é apenas uma questão natural de tempo.

Na última sexta-feira (30), esta afinadíssima cantora de apenas 19 anos e um universo de histórias a apresentar ao seu público, lançou o seu novo clipe Arroz com Feijão pela Slap, selo da gravadora Som Livre. O single, que conta com a participação especial do duo OutroEu formado pelos músicos Mike Tulio e Guto Oliveira, faz parte do álbum Digitando … que já está disponível em todas as plataformas digitais.

O clipe de Arroz com Feijão foi dirigido por André Godoi, que apresenta em sua contextualidade visual, um bucólico parque de diversões na cidade de São Caetano do Sul, no ABCD Paulista, onde se desenvolve uma estória romântica com um final surpreendente.

Em entrevista exclusiva ao The Music Journal Brazil, Nina Fernandes fala sobre a concepção dos clipes Arroz de Feijão e do hit Cruel, além de sua relação com o OutroEu, a nova cena da MPB e de sua plena admiração pela cantora Marisa Monte que ela tem como referência imediata, onde ela elucida que teria a sensação de dever cumprido se pudesse ter o tempo de carreira “e esse lugar de respeito que se tem por uma artista como ela”.

Confira:

Marcelo de Assis: Você acabou de lançar o clipe de Arroz com Feijão, uma canção que segue caminhos românticos. Como nasceu esta composição e como foi dar vida para ela, para esta história, em um registro audiovisual?

Nina Fernandes:Bom, essa música na verdade é uma canção que nasceu de uma parceria com o Mike e a Amanda em 2015 quando conheci eles e ela era um pouco diferente. Ela tinha a estrutura e o refrão diferentes e eu tinha acabado de conhecer o Mike da OutroEu e ele me disse: “Eu acho que essa musica ficaria muito legal em uma voz feminina com uma masculina e eu acho que ela tem a ver muito com você”. E eu não tinha nenhum trabalho autoral. Não escrevia minhas músicas ainda, admirava muito o trabalho dos meninos, mas ainda não tinha criado coragem para fazer minhas coisas. Eu lembro que ele me mandou a canção e falou: “Você deveria gravar isso, fica pra você. Eu acho que vai ficar lindo”. E acabou que a gente nunca mais falou dessa música. O tempo passou e fizemos um milhão de outras coisas e depois, no ano passado, quando eu estava pensando neste novo EP, eu lembrei dessa música, alías, ela sempre esteve na minha cabeça e eu tomei a decisão: “Putz, preciso que essa música esteja no EP novo”. E lembro que o Mike ficou surpreso, porque ele tinha me oferecido a música, mas eu insisti que gravássemos juntos, reorganizamos a canção e lançamos. Nossa, é uma emoção muito grande pra mim lançar Arroz com Feijão, primeiro por toda a história: os meninos tiveram um papel fundamental no meu inicio e eu acho que também foi uma oportunidade bonita, como você disse, de trazer isso para o audiovisual e contar uma história que também conversa com esse universo fantasioso, lúdico, que começamos a desenhar em Cruel, mas que esteja mais ousado, com um final tragicômico. Traz um pouco essa ideia de que as coisas não são exatamente como imaginemos e no fim das contas, Arroz e Feijão, ainda que seja uma música “superfofinha” e romântica, é uma música que reflete de um amor que não é muito correspondido. Então, a gente imagina que a relação de um casal é de um jeito e, de repente, não é exatamente como a gente pensa.

Marcelo de Assis: Você acredita que o clipe representou bem a letra? É a imagem fidedígna do que a letra tentou passar?

Nina Fernandes: Eu acho que é uma forma divertida de falar sobre esse assunto. É uma coisa que eu acho que conversa muito com os outros clipes, o rigor estético, essa preocupação com a direção de arte … Nós fomos muito cuidadosos com a Prodigo que é essa produtora talentosíssima e o André Godoy que fez uma direção linda. A grande sacada seja talvez o acting e eu fiquei muito feliz de poder trabalhar com ele. Eu acredito que ela conta uma grande história e temos quadros bastante plasticos, muitas esquetes dentro, histórias pequenas e ao mesmo tempo estamos contando uma história que inclusive me exigiu que eu fosse atriz e o Mike ator e a gente brincando com as intenções do casal e de “você não quis me beijar”, “você está querendo me provocar” e entrando meio nessa história de clichê de casal até alcançarmos um grand finale que ninguem esperava, ninguem imaginava que aquilo fosse acontecer… Acho que foi importante para mim, foi um passo legal. É sempre bonito pensar em ousar e para mim que estou começando, foi um passo bonito.

 

 

 

“Para mim a maior referência será sempre, em termos de trajetória e relevância no mercado, a Marisa Monte. Pra mim seria um sonho, uma sensação de dever cumprido, se eu pudesse ter o tempo de carreira e esse lugar de respeito que se tem por uma artista como ela assim …”

 

 

 

Marcelo de Assis: Você disse que quando conheceu o OutroEu ainda não estava ambientada para escrever composições. Terá sido Arroz com Feijão o début disso? Você se descobriu como compositora também?

Nina Fernandes: Ah não há duvida que isso esteja no grande “pacote” também. Eu acho que tudo o que eu ouvia dos meninos me inspirava muitíssimo. Eu lembro da primeira vez que ouvi o Mike cantando “Ai de Mim” que foi uma música de trabalho deles que inclusive eles gravaram com a Sandy e é uma música desde o inicio me emocionou muito. Estávamos em um sarau, ainda não nos conhecíamos, eu ouvi aquilo e não acreditei que a música era dele. Acho que Arroz com Feijão está dentro desse pacote de músicas que me fizeram perceber que a lingua portuguesa é muito rica e eu ficava muito focada em ouvir, e que acho importante também, mas era muito fascinada pelo pop norte-americano …

Marcelo de Assis: Especialmente por quem?

Nina Fernandes: Tipo… hoje em dia eu gosto de ouvir um pouco de tudo. Acho que a Apple e o Spotify são meus grandes “aliados” porque todo mês eu descubro um novo artista. Hoje em dia eu escuto muito a Maggie Rogers, que é uma artista norte-americana que mistura folk com música eletrônica, que é um lugar que eu tenha gostado de ir … Hoje em dia eu me enxergo muito na Aurora, que é uma artista norueguesa e que eu amo de paixão, mas ainda acho que seria muito legal uma Aurora cantando em português … Essa coisa de eu ter me aproximado dos meninos me fez começar a enxergar esse lugar que, talvez pela minha pouca idade, não sabia que existia. Então foi muito bonito.

Marcelo de Assis: O seu trabalho tem algo de ser circunspecto, como se convidasse as pessoas a pensar e trazer todas essas discussões da vida para dentro de si. É um trabalho em que sua estrutura musical deixa claro que, aqueles arranjos ambientais, dão uma nova cara para a atual MPB. Como você analisa seu trabalho no mercado brasileiro de hoje?

Nina Fernandes: Olha, eu sou muito agradecida pela vida, porque hoje em dia temos uma cena muito forte de MPB acontecendo no Brasil e sou muito feliz de saber que artistas como o OutroEu abrem portas para esse tipo de música que estou tentando fazer tenha esse espaço e que as pessoas possam escutar. Eu também colocaria nesse lugar, além do OutroEu, o Melim, Tiago Iorc, Anavitória e, desde antes tudo isso, Nando ReisAcho que para mim a maior referência será sempre, em termos de trajetória e relevância no mercado, a Marisa Monte. Pra mim seria um sonho, uma sensação de dever cumprido, se eu pudesse ter o tempo de carreira e esse lugar de respeito que se tem por uma artista como ela assim …

Marcelo de Assis: De repente um dueto …

Nina Fernandes: Total! Nossa, mas eu sou apaixonada por ela! Uma referência gigantesca! Acho que é isso: aos poucos um artista abre portas para outros e vemos que a música não é um negócio 100% previsível. Ainda bem que temos internet, gente fazendo música e eu vou me encaixando nesses lugares.

Marcelo de Assis: Falando no belíssimo clipe de Cruel, que certamente prende a atenção de quem o assiste e que conta com mais de 2 milhões de views, me parece uma pérola escondida na nova MPB. Como nasceu a ideia de gravar esse registro audiovisual com takes em vários locais? E nos fale como surgiu essa composição…

Nina Fernandes: Muito obrigada! Essa música surgiu no meio do processo de gravação do meu primeiro EP e tinha uma cara completamente diferente em termos de arranjo. Eu tinha feito ela no meu piano e não a enxergava com uma música acessível, que fosse dialogar com as pessoas. Ela quase não foi incluída no EP, mas eu estava começando, era o primeiro trabalho. Aí fizemos o arranjo desta música que tinha começado com violão e depois com o piano – talvez seja o instrumento injustiçado da nova MPB …

Marcelo de Assis: O piano?

Nina Fernandes: É, assim, eu digo, acho que ele está começando a voltar e ficar em alta no pop brasileiro. Eu acho que quando a gente pensa em MPB, pensamos muito em violão. Mas insistimos na presença do piano em Cruel e eu fico muito feliz com o resultado da música. A história foi criada juntamente com as diretoras que também são talentosíssimas e foi o filme de estreia delas. Então, foi a união de coisas muito lindas. Isso é tão bonito. Sempre falamos quando lembramos deste trabalho que foi uma união de coisas tão bonitas, porque é algo raro você ficar tão amigo da equipe. Foram três diarias extremamente cansativas – quase 18 horas de gravação – três dias sem dormir …

 

 

“Fizemos o arranjo de “Cruel” que tinha começado com violão e depois com o piano – talvez seja o instrumento injustiçado da nova MPB …”

 

 

 

Marcelo de Assis: E quais foram as locações da gravação?

Nina Fernandes: Gravamos em Campos (RJ), Guarujá (SP), em uma fazenda que fica a alguns quilômetros de São Paulo e, putz, no meio da floresta, varios perrengues aconteceram (risos), mas foi uma experiência fascinante que despertou em mim essa paixão louca pelo visual. Eu acho que no Brasil, infelizmente, por uma questão de focarmos em outras coisas que sejam importantes também, porque produção de conteúdo de audio já é bastante caro, mas é algo que eu sinto falta de ver no Brasil – clipes bonitos, fotografia com uma cara gringa – e acho que acabei me apaixonando por isso e acho que não vou largar nunca mais. Eu amo essa coisa do visual e acho que é essencial para a imagem do artista.

Marcelo de Assis: Então suas próximas histórias terão clipes com a mesma estética …

Nina Fernandes: Eu acho que sim. Essa questão do rigor com a estética, com a fotografia, são coisas que eu não vou querer abandonar nunca. Vemos que é algo que emociona a quem assiste. Música não é só o que escutamos, mas o que imaginamos também. Toda as oportunidades que eu tenho que é conseguir juntar o que estou cantando com algo que podemos ver, quase sentir, é muito especial, então acho que merece um cuidado.

Marcelo de Assis: E essa voz afinada que você tem, como você cuida dela?

Nina Fernandes: Eu sempre gostei muito de técnica vocal e estudei durante dois anos na Santa Marcelina cursando Canto Popular e fui muito feliz lá. Acabei me mudando porque decidi estudar produção musical. Mas sempre gostei de técnicas, estudar a fisiologia da voz. O cuidado é a melhor coisa que podemos ter e nesse rítmo de fazer shows pelo Brasil eu percebi o quanto é sofrido usar a voz para trabalhar.

Marcelo de Assis: No dia 14 de junho você vai estrear em palcos cariocas, especifícamente no Solar de Botafogo. Como você está se preparando espiritualmente e mentalmente para este show?

Nina Fernandes: Eu estou muito, muito feliz porque a maior parte da minha familia é carioca, então, é como se eu fosse cantar em casa. Eu sempre quis fazer show no Solar, lutei por isso e estive no Rio em 2018 para fazer dois shows para rádio e foi uma experiência legal também. Este show une os trabalhos que fiz em 2018 e 2019, além de algumas versões de clássicos da música brasileira que não podem faltar. Estou muito feliz.

Marcelo de Assis: Adorei conversar com você!

Nina Fernandes: Eu também! Muito!

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