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Entrevista com o Paulo Miklos Entrevista com o Paulo Miklos

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Entrevista com o Paulo Miklos

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Um dos grandes nomes do rock brasileiro, o cantor e compositor Paulo Miklos lançou recentemente o seu novo álbum A Gente Mora No Agora pela gravadora Deckdisc e conversou com a gente para falar sobre este trabalho, além do processo criativo das canções e das parcerias que nortearam este álbum com Emicida, Guilherme Arantes, Arnaldo Antunes e a banda O Terno. Confira:

Marcelo de Assis: “A gente mora no agora!” … Qual inspiração para dar um tema tão profundo para este álbum?

Paulo Miklos: Surgiu na verdade da minha parceria com o Emicida. É um verso dele, da canção que abre o disco A Lei Desse Troço é o nome da canção. E o Emicida, um letrista, poeta fabuloso, quando ele convidei ele para mostrar a ideia da música para fazermos a parceria, ele ficou me olhando e tal e queria fazer um retrato meu. Começou a comentar comigo sobre a minha estrada, minha história e tudo. Acho que justamente a inspiração foi olhar para mim de uma maneira e colocar esse meu momento, de fazer uma coisa inteiramente nova, de estar lançando em uma aventura renovada com todas as possibilidades a sua frente, de estar se lançando para depois do que seria confortável, de estar em uma situação mais segura, de se arriscar e eu acho que tudo isso foi inspirador para ele. “Então chorar é tão importante quanto sorrir”, a música fala um pouco isso, da superação do momento que eu estava vivendo. O disco tem essa coisa biográfica da minha história. É algo que também tem a ver com essa situação de estar totalmente renovado, mas no entanto você está fazendo a mesma coisa que sempre fez. Estou cantando, colocando música nova, aquilo que eu vinha fazendo nas últimas décadas. Mas tem essa renovação grande. Essa coisa do “Sabe onde a gente mora? A gente mora no agora” – que é uma coisa de você não ter que conviver com a nostalgia do passado e não ficar na ansiedade do futuro. Você realizar as coisas aqui e agora. Então essa música realmente meio que definiu o disco de uma certa forma. Além de me definir, é um retrato dele.

Marcelo de Assis: É um auto-retrato?

Paulo Miklos: É um retrato dele (risos). Não o meu! Ele meio que fez um perfil e se inspirou na minha história recente e no meu momento atual. Por isso que “A Gente Mora no Agora” é essa coisa de que como é importante você está inteiro, íntegro, em cada momento, de não estar parado no tempo, não estar vivendo em uma ansiedade mas vivendo aqui e agora. Quando eu fazia um programa de tv, eu recebi o Emicida lá e fizemos uma entrevista muito legal. Então eu já o conhecia pessoalmente e tinhamos essa proximidade mas nunca tínhamos trabalhado juntos. E foi muito bacana. Aliás isso se extende aos outros parceiros, como todo mundo se dispôs, todo mundo se interessou em trabalhar junto e com muita inspiração de instigar as pessoas, os parceiros, de escrever coisas, a cantar, para alguns dei letras para outros, música. Fizemos músicas em parcerias. Esse processo todo é muito rico, muito especial. Fizemos música de todas as formas, inclusive pelo WhatsApp como eu nunca tinha feito (risos).

 

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Marcelo de Assis: Foi boa essa experiência?

Paulo Miklos: Foi ótima, porque é uma maneira muito interessante. Eu fiquei com essas mensagens e depois eu fui fiel, muito fiel ao que eles me mandaram naquelas mensagens. Eles cantarolaram e a partir dali eu construí minha interpretação. No caso da Lourdes da Luz que me mandou vários trechos diferentes e eu reorganizei os trechos na canção. Então foi um processo muito interessante e diferente, porque antes a gente sentava com o violão e cantava, cantava e tal e ia definindo e cristalizando a canção. No dia seguinte você pensava: “Como é que era mesmo a nossa música?”(risos). Haviam várias versões da música. “O pedaço que eu me lembro era assim” (risos).

 

“Gosto de trabalhar junto com gente diferente. E nesse sentido foi meio que natural convidar meus ídolos no  caso do Erasmo Carlos, Guilherme Arantes e aqueles da nova geração que eu admiro”

 

Marcelo de Assis: Você tem parcerias com o Nando Reis e o Arnaldo Antunes neste disco. Como aconteceu?

Paulo Miklos: Eu liguei para o Nando e disse: “Olha vamos compor um música juntos para o meu novo disco”. E aí mandei uma ideia para ele desenvolver e demorou… Ai liguei para ele e me disse: “Fiz uma coisa aqui e não estou muito satisfeito. Me dá mais um tempo”. Aí tudo bem. Tempos depois ele me ligou e disse: “Escuta, aconteceu uma coisa incrível! Acordei de estalo com a música pronta, pensando em você, fiz a música para você e sobre você. É uma coisa incrível né, porque ele conhece minha história, ele conheceu a minha primeira mulher, a Raquel e fez com aquela emoção que o Nando tem quando compõe, como ele sabe colocar isso de uma maneira tão poética e tocante. Aí foi um presentão, fiquei emocionado quando ouvi a música. E o frevo foi assim: eu cheguei na casa do Arnaldo com uma ideia de composição e pensamos “Vamos fazer um frevo”. E aí nos divertimos com essa ideia “Quer trabalhar para si mesmo?” (cantando).  Ela ficou com uma alegria e justamente é uma coisa aguda que meio que desestrutura o próprio sistema, porque você precisa deixar de ser alguém. Então ela é meio zen, por um certo lado, porque todo mundo tem que ser alguém, tem que ter uma carreira e ai está o centro do problema. Porque aí você começa a se comprometer de tal forma que você se pergunta: “Eu estou fazendo aquilo que eu amo, que eu gosto?” É divertido tocar em um tema tão controverso.

Marcelo de Assis: Com tanta coisa acontecendo nesse disco, qual a sua canção preferida nele?

Paulo Miklos: Desse disco? É dificil hein… Mas eu gosto muito dessa música com o Emicida foi muito feliz e ela meio que define o disco. Isso me deu uma felicidade muito grande, inclusive, de poder batizar o disco com os versos dessa música e definir o trabalho, o conceito do disco. Eu acho que é muito feliz quando a gente consegue deixar claro o conceito do disco em uma frase, em uma ideia e resumir o seu trabalho. Eu acho que essa música merece um destaque especial por conta disso.

Marcelo de Assis: Como será o show de divulgação deste trabalho?

Paulo Miklos: O show é muito bacana porque ele será baseado neste disco e tem vertentes diferentes. Por exemplo, a minha história com os Titãs, as coisas que vivi recentemente. Cantar uma do Adoniran (Barbosa), cabe. Por exemplo, eu vivi Chet Baker no teatro e eu cantava uma das músicas dele nessa peça. E cantar uma música dele no show, bacana, é uma coisa legal. Ou então, trazer uma música da minha história, de alguma referência musical como intérprete, alguma coisa que eu quero cantar. Então tem bastante coisa para construir esse setlist.

Marcelo de Assis: A música salva?

Paulo Miklos: Ela alivia um bocado (risos). Para mim ela sempre salva, sempre salvou porque é uma satisfação incrível que eu tenho em fazer música, cantar, compor, encontrar os amigos. A música sempre foi para mim um álibi para encontrar gente, para se divertir, algo que reúne as pessoas. Nunca foi uma coisa absolutária, sempre foi algo ligado ao encontro. E isso para mim é vital. Então salva.

Marcelo de Assis: Você faz parte de grandes expoentes do rock no Brasil. Como você avalia o rock brasileiro nos dias atuais?

Paulo Miklos: Eu acho que ele está muito bem. Eu tenho um exemplo disso no meu disco que é O Terno. Uma banda paulista genial. Os clipes deles são muito legais, eles tem um show legal e o Tim Bernardes que é um guitarrista fabuloso que canta muito bem, compõe muito bem. O Samba Bomba é um samba rock’n’roll, o momento mais ácido do disco e a guitarra é do Tim. Então eu acho que vai muito bem o rock. Eu amo o Garotas Suecas também. É super legal renovar sempre!

Marcelo de Assis: Nos anos 80 o rock era muito notório. Essa notoriedade não parece estar escondida hoje em dia?

Paulo Miklos: Eu acho que a gente teve um momento no Brasil, que talvez não venhamos a conseguir novamente uma superexposição na TV, nas rádios. Eu acho que foi uma fase, um momento e obviamente nos beneficiamos disso. E talvez hoje em dia seja mais difícil porque a música comercial é muito poderosa e isso é bacana, é o que sempre foi. E eu acho que o rock continua tendo uma possibilidade de falar para muita gente. Continua isso. O Terno tem uma linguagem que pode ser entendida por muita gente e o público deles só tende a crescer. Mas as coisas não são tão fáceis assim. Eu acho que nós vivemos um momento na história que foi uma explosão, muita gente talentosa ao mesmo tempo, uma geração muito rica. Eu acho que essa geração atual também vai encontrar seu espaço. Tenho certeza!

 

É jornalista e pesquisador musical. Cobre shows nacionais e internacionais e já entrevistou bastante gente interessante do Brasil e do mundo. Foi vencedor do Prêmio TopBlog Brasil em 2010 na categoria "Música"e foi membro do Grammy Latino.

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MPB & SAMBA

Entrevista com Victor Mota

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Entrevista com Victor Mota
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O cantor e compositor Victor Mota lançou recente o seu mais novo EP Antes do Sol Chegar que já está disponível nas plataformas digitais com destaque para a faixa-título produzida por Nando Costa e mixada por Raphael Stolnicki.

Mota conversou com o The Music Journal Brazil para falar de sua carreira, seus projetos futuros e de seu novo trabalho. Confira:

Marcelo de Assis: Victor, omo você iniciou na música?

Victor Mota: Comecei a tocar no colégio com uns 13 anos e ganhei um violão da minha mãe. Fiquei com ele durante 1 ano e já comecei a pegar guitarra e na época já ouvia muito rock, bastante coisa internacional. Gostava muito de Guns N’Roses, Bon Jovi, esses sons dos anos 1980 …

Marcelo de Assis: Hard Rock …

Victor Mota: Hard Rock! Ouvi bastante! Comecei a tocar guitarra por causa do Slash! Essa coisa de virar músico profissional, de seguir carreira era uma coisa muito distante por causa da minha família que é bem tradicional.

Marcelo de Assis: Você enfrentou problemas com isso?

Victor Mota: Eu estudei em colégio militar e no Ceará você tem praticamente três carreiras: ou você é medico, ou estuda direito para ser advogado, juiz ou, no caso do meu pai, queria que eu fosse para as Forças Armadas ou ITA. E a música era um hobby …

Marcelo de Assis: Você não podia dizer à familia que queria ser músico?

Victor Mota: Era um sonho … Acho que todo mundo que quando começa a tocar um instrumento, olha seus artistas preferidos no palco, então sempre sonha em ver sua banda estourar com uma música, viajar … Mas era uma coisa muito distante da realidade.

Marcelo de Assis: Mas você chegou a montar um banda na época do colégio …

Victor Mota: Sim! Na época ouvia muita coisa internacional. Tocávamos de Nirvana a Green Day, Guns N’Roses, Sting, The Police, Lynyrd Skynyrd, Dire Straits Gostávamos muito dessas coisas … Tocávamos bastante em Fortaleza.

 

 

“O Víctor é um cara hoje que respeita muito a verdade dele e se encontrou na profissão”

 

 

Marcelo de Assis: O cenário de rock era muito forte na cidade?

Victor Mota: Na época o autoral era bem underground. Então eu não pensava nada em autoral. Eu era guitarrista e não era o cantor. Fazia a segunda voz.

Marcelo de Assis: Quando você fazia a segunda voz já visualizava ser o vocalista principal?

Victor Mota: Não. Quando eu entrei na faculdade para estudar administração de empresas, naquela época, a vontade de tocar voltou muito forte. Nessa época eu já estava como frontman e comecei a estudar com um professor que tinha se formado em canto em Nebraska (EUA), o Vitor Philomeno e eu devo muito a ele porque me orientou no caminho das pedras e disse “Cara, acho que você deveria se dedicar, tem várias escolas ótimas fora do Brasil …” e começou a me despertar um grande interesse nisso. Me deu um estalo e pensei: “Agora que eu tenho que fazer o que quero da minha vida”. Estava me formando, larguei o trabalho e toda a família me disse que eu estava ficando doido. Aí fui para os EUA e passei um mês lá para pensar em tudo.

Marcelo de Assis: Você estava em um ambiente corporativo com uma carreira solidificada, um relacionamento afetivo estável e havia essa pressão familiar. Como foi essa transição na sua vida? Como foi lidar com isso?

Victor Mota: Na verdade, eu acho que a história da música vinha se costurando: a faculdade de administração foi algo que me serviu e com ela eu pude adiar algumas escolhas. A ideia de ir aos EUA e estudar na  Berklee College Of Music me ajudou porque era uma grande instiuição com referências que eu tinha e que foram estudar lá. Eu precisava daquilo naquele momento. Eu coloquei um ponto final na minha carreira administrativa e a Berklee veio a me ajudar nesse sentido. E respirar isso, 24 horas por dia, foi essencial.

 

 

“São Paulo é uma cidade intensa pra caramba. Estou aqui desde 2015 e tem sido muito importante para o meu amadurecimento como pessoa e artista”

 

 

 

Marcelo de Assis: E quem é o Victor Mota hoje?

Victor Mota: O Vítor é um cara hoje que respeita muito a verdade dele e se encontrou na profissão.

Marcelo de Assis: Como está a sua fase artística hoje?

Victor Mota: Desde que fui para os EUA, esse processo de mudança me despertou um processo de compositor. As minhas referências elas uniam três coisas: cantar, tocar e compor. Isso sempre foi muito claro para mim do que eu queria fazer. Até hoje nunca me vi sendo intérprete. Pode ser que aconteça em algum momento. Tocar e cantar são processos para entregar a mensagem. Hoje me vejo cada vez mais engajado nesse processo.

Marcelo de Assis: Como você aplica essas referências na concepção de cada uma de suas composições?

Victor Mota: A minha questão com música é a proposta em fazer música para as pessoas. Eu prezo por simplicidade. Isso me atrai. As referências estão aí para eu pescar: ritmo, linguagem … É isso que eu faço! Música popular. Eu tenho minhas referências estilísticas, mas sempre tento pegá-las e colocá-las no pop. Você vai encontrar na minha música, influências de MPB, rock, blues … mas para mim o que eu faço é pop.

Marcelo de Assis: Como que você busca inspiração para as suas composições? Como elas nascem?

Victor Mota: É uma coisa meio 360 (risos). Vem de alguma letra que escrevo, de um riff de guitarra, de experiências que vivi ou observei …

Marcelo de Assis: Mas elas tem mais do Vitor ou das experiências?

Victor Mota: Tem dos dois. Se tem um sentimento que vivo é a saudade. De quem eu gosto, eu sempre estou longe.

Marcelo de Assis: Essa é a sua fonte inspiradora?

Victor Mota: Acho que sim… bastante!

Marcelo de Assis: Quais são os seus projetos atuais e como você visualiza sua carreira daqui em diante?

Victor Mota: Costumo dizer que estou fazendo “a terceira faculdade” que é morar em São Paulo. Faculdade da vida. São Paulo é uma cidade intensa pra caramba. Estou aqui desde 2015 e tem sido muito importante para o meu amadurecimento como pessoa e artista. Fiquei muito feliz com o ano de 2017 que me levou muito para o meu lado autoral – que é minha mensagem como compositor, como artista. O EP Antes do Sol Chegar ele conta uma história da minha trajetória até aqui e que está ditando um caminho novo que estou trilhando em 2018.

Marcelo de Assis: Qual público vai se afinizar com a sua musicalidade? Que diálogo o EP está promovendo?

Victor Mota: O EP tem quatro faixas: Antes do Sol Chegar, Vem, Dias Melhores e Vou. Tem bastante sentimento de saudade. Antes do Sol Chegar fala de sentimento, Vem é mais de carne, uma descrição de um relacionamento; Dias Melhores é uma música de continuidade e Vôo, fala sobre descoberta. Existem sentimentos variados, perspectivas diferentes e que cada canção explora os sentimentos de uma forma. A música do EP é ampla. A linguagem é acessível mas não direcionada. É tanto para os jovens como para as pessoas mais maduras também.

Marcelo de Assis: Victor Mota por Victor Mota …

Victor Mota: Intenso!

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Entrevista com Paula Mattos: “Minha inspiração maior é Deus”

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Entrevista com Paula Mattos: "Minha inspiração maior é Deus"
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De compositora ao estrelato, cantora Paula Mattos se tornou um expoente do gênero sertanejo feminino. Hoje, aos 27 anos, é dona de vários grandes sucessos desde o seu álbum-début Acústico pela Warner Music como Que Sorte A NossaRosa Amarela.




Outros grandes artistas já desfilaram em seus repertórios várias composições de Paula Mattos. Entre os intérpretes estão: Simone e Simaria, Michel Teló, Leonardo, Wesley Safadão, Luan Santana, entre muitos outros.

Nesta entrevista exclusiva ao The Music Journal Brazil, a cantora fala sobre o seu novo DVD ao vivo em São Paulo, como nascem suas composições e sobre a sua nova turnê que pode ganhar uma agenda internacional em 2018!

Confira:

Marcelo de Assis: Paula, este é o segundo DVD de sua carreira. O que os fãs podem esperar deste novo trabalho.

Paula Mattos: Estou muito feliz com o DVD novo, o cenário está muito lindo feito pelo Catatau, que é o diretor de vídeo, um dos maiores do Brasil, produção musical pelo Eduardo Pepato, participação da Marilia Mendonça e da Maiara e Maraísa, então tem a diferença do Acústico para este ao vivo com toda a sinergia dos meus fãs ali, então foi muito emocionante. Foi um dia muito realizador para mim, então estou muito feliz e estamos apostando muito nesse repertório novo… Tá muito lindo!

Marcelo de Assis: Porque a escolha de São Paulo para a gravação ao vivo deste registro audiovisual?

Paula Mattos: Então, pensamos em São Paulo porque eu ja moro aqui há seis anos e fica tudo mais perto, tem a questão da logística por conta dos artistas que queriam participar, a imprensa, então ficou tudo por conta da logística. São Paulo né, onde tudo gira, então, foi pensado mais nisso mesmo.

Marcelo de Assis: Como você avalia sua música e sua carreira desde o seu primeiro álbum Acústico, haja visto que hoje você é uma expoente do sertanejo?

Paula Mattos: Eu amadureci muito de lá pra cá. Ganhei muitos fãs, reconhecimento do meu trabalho… O primeiro nós fizemos sem pretensão nenhuma, apenas focando na minha verdade, na minha essência, então pensamos em fazer algo em que passe emoção, que vá tocar as pessoas e que fosse eu mesma. Eu e a minha empresário fizemos isso. E o no segundo álbum eu aprendi muita coisa, amadureci muito, conquistei várias regiões onde trabalhamos. Falo o Brasil inteiro porque o país é muito grande, né? Temos muita coisa para conquistar mas estou muito feliz por poder levar minha música e fazer o que eu amo.

 

A maioria das músicas que escrevo são coisas que acontecem comigo, tanto às coisas boas quanto às sofrências e falo que a minha inspiração maior é Deus.

 

 

Marcelo de Assis: Marilia Mendonça e Maiara e Maraísa são outras expoentes do sertanejo feminino que participam com você neste álbum. Como surgiu a ideia da participação delas nesse DVD?

Paula Mattos: Com as meninas já temos uma parceria, antes mesmo de qualquer uma de nós gravar um DVD ou qualquer coisa e já tínhamos uma amizade. Aí eu tive uma idéia: “Meninas, vamos participar comigo? Seria bacana essa união da mulherada!” E elas toparam na hora, foi super bacana, somaram demais, foi maravilhoso!

Marcelo de Assis: O que os fãs poderão conferir neste repertório?

Paula Mattos: Tem de tudo um pouco: tem música pra se emocionar, tem música pra sofrência, pra dançar (risos) … então tem de tudo um pouco, trazendo a minha verdade, emoção, mas muita animação, porque meu show é bem pra cima, bem dançante e queríamos mostrar isso também!

Marcelo de Assis: Como você analisa a música sertaneja no cenário musical brasileiro?

Paula Mattos: Eu participo de tudo, desde o repertório, arranjo, cenário… Eu gosto de estar ligada em tudo o que está acontecendo em minha volta. Entrei com 9 músicas de minha autoria, e são 11 de outros compositores e parceiros. Então, muita gente quando soube que eu ia gravar o DVD, alguns parceiros mandaram músicas para mim, eu pedi também e foram muito queridos também e graças a Deus tinha muita música boa. É bom quando o artista compõe porque ele já tem o feeling de saber o que vai tocar, o que a galera gosta de ouvir, então, isso é muito bom.

Marcelo de Assis: Como é o seu processo de composição. Como surge a inspiração para escrever uma música?

Paula Mattos: A maioria das músicas que escrevo são coisas que acontecem comigo, tanto às coisas boas quanto às sofrências e falo que a minha inspiração maior é Deus. Falo que tem que ter dom para compor que é diferente de poesia que você tem que contar uma história em 3 minutos. Então é dom, inspiração, a hora que vem você está no carro, no ônibus, em qualquer lugar… Tem que anotar senão você esquece!

Marcelo de Assis: Você costuma anotar em algum dispositivo?

Paula Mattos: Sim! Anoto tudo no celular! As vezes, uma melodia, uma letra, uma ideia… tem que anotar tudo!

Marcelo de Assis: Esse sentido de você, no momento de sua inspiração, buscar coisas que acontecem na sua vida pessoal, isso vai um pouco de encontro com a superação de você já ter quase desistido de sua carreira profissional?

Paula Mattos: Sim. Acho que todo mundo passa por isso, né? Acho que todo artista passa por uma fase difícil, pensa em largar tudo, desistir. Então não é fácil, ainda não é fácil. Eu falo que sou muito pé no chão. Tenho muita coisa para conquistar, mas o importante é não desistir e estar sempre trabalhando, trazendo novidade para o público, fazendo as coisas certas sem passar por cima de ninguém, então é o que eu sempre prezo.

Marcelo de Assis: Como você analisa o mercado sertanejo atual?

Paula Mattos: Eu gosto muito do que eu estou ouvindo agora. Creio que o mercado deva mudar em 2018 porquê existem outros rítmos como rap, funk, reggae, reggaeton,… Então o sertanejo virou essa mistura boa, essa mistura do pop. É música popular brasileira, então, é uma música que agrada todos os públicos.

Marcelo de Assis: Você tem vontade de gravar com algum artista internacional?

Paula Mattos: Ah tenho demais! Sou muito fã da Beyonce, Rihanna, Adele, J-Lo, Ricky Martin, Ed Sheeran …

Marcelo de Assis: Então os artistas que você escuta normalmente …

Paula Mattos: Sim, sim. Tenho muita vontade de gravar alguma coisa! Quem sabe? (risos).

Marcelo de Assis: E como está a sua agenda de shows com esse novo projeto?

Paula Mattos: Com este novo projeto, tende aumentar a agenda. Graças a Deus estamos trabalhando no Brasil inteiro, tem muitas regiões que não fomos ainda e que sonhamos em levar a nossa música. Falo “nossa”, porque tenho minha equipe e não sou nada sozinha. Então, é todo mundo junto!

Marcelo de Assis: E existe planejamento para shows no exterior?

Paula Mattos: Devemos fazer em 2018. Já temos algumas coisas pré-agendadas, mas provavelmente iremos fazer alguma coisa fora do Brasil, uma turnê!

Marcelo de Assis: Sorte e sucesso, Paula!

Paula Mattos: Obrigado e vamos juntos!

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JAZZ SOUL R&B

Entrevistamos o cantor Andre Gimaranz

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Entrevistamos o cantor Andre Gimaranz
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Depois de um longo período de 25 anos atuando como músico nos EUA, Andre Gimaranz retornou ao Brasil para lançar seu último trabalho de estúdio, intitulado Supermoon. O cantor e compositor brasileiro conversou com o The Music Journal Brazil para falar sobre o processo criativo de seu novo álbum e de sua grande experiência nos caminhos do blues, jazz e rock. Confira:

Marcelo de Assis: Porque a escolha de Supermoon para o título do seu novo trabalho?

André Gimaranz: Para mim é sempre difícil dar o nome de um trabalho. Essa música é uma letra do meu parceiro Paul Serran, a música é minha, e ela teve uma história interessante no disco porque ele me mandou essa letra pelo WhatsApp e em 1 hora e meia ela já estava pronta. Exatamente do jeito que ela é. Ela saiu muito fácil assim e é uma música que eu particularmente gosto porque ela tem uma coisa diferente no inicio com xaxado, uma coisa meio nordestina com triângulo e eu achei o nome super sonoro, uma coisa sintética e acabei acreditando que seria um bom nome para o disco também.

Marcelo de Assis: A produção foi assinada pelo Cadu Menezes, que já trabalhou com o Kid Abelha, Lobão e com grande experiência no rock nacional. Como que o trabalho dele agregou às suas composições e qual foi o diferencial dele na gravação de cada faixa?

André Gimaranz: O Cadu é um produtor extremamente disciplinado, detalhista. Ele é baterista também, tocou bateria nos meus dois discos e toca comigo nos meus shows, mas ele é super detalhista desde a pré-produção, produção, mixagem, masterização e essa visão dele é mais pop rock do que eu tenho. A minha visão é mais voltada ao blues, jazz e rock. Isso dá uma arejada no meu trabalho. Algumas partes dos arranjos você confere algumas percussões em algumas canções e a forma de conduzir a produção em estúdio mostra como o Cadu é muito preocupado com detalhes, com precisão de execução… Eu acho que isso agregou muito, tanto no primeiro disco como neste. Ele é um cara que faz questão de que as coisas estejam em sua lugar, tudo muito certo. Eu acho que quem toca um pouco mais de jazz e blues tem uma tendência a improvisar muito no que faz e ele gosta das coisas muito preparadas, ensaiadas.

Marcelo de Assis: Rendeu uma química perfeita, em síntese, não?

André Gimaranz: É. Deu um equilíbrio muito bacana!

Marcelo de Assis: Você fez uma regravação do Paulinho Moska em Admito Que Perdi e outra do Chico Buarque no clássico Construção. Como que surgiu essa vontade de realizar essas releituras?

André Gimaranz: Admito Que Perdi é uma canção que eu gosto há muito tempo. Desde quando ele lançou originalmente e quando a Marina Lima gravou, eu sempre toquei ela desse jeito. Foi natural para mim. Ela saiu com essa vibe. E de vez em quando eu colocava ela em shows, então, ela nasceu mais ao vivo do que em estúdio para mim. Ela nasceu ao vivo. É uma música que fica grande, com 8 ou 9 minutos porque entra um solo grande que faço ou abro espaço para um instrumento de sopro e todo mundo acaba gostando, então eu pensei: “Vou gravar!”. Ela sempre teve uma cara de jam session e eu achei que a versão que colocamos no disco é mais contida. Mesmo assim ela ficou bem jazz e achei bacana. E Construção é uma canção que tem uma harmonia interessante embora ela tenha essa construção com um conjunto de acordes que se repetem, mas ela é muito interessante. Ela parece uma canção muito linear quando você escuta, principalmente no arranjo original.

 

“A música brasileira é tão rica, porque sempre fomos abertos a todo o tipo de influência musical”

 

Marcelo de Assis: Essa aura da apresentação ao vivo e da liberdade que o músico tem no palco, deve ser algo bem complicado em um processo de gravação em estúdio, quando você precisa reter alguns elementos. Esse não foi um processo “dolorido”?

André Gimaranz: Sempre é, né? (risos) A vontade é colocar a versão ao vivo no disco que sempre fazemos. Mas não tem jeito. Ela ficou uma canção um pouco mais longa do que normalmente se coloca no disco. Quando você decide gravar tem que dar um formato assim a não ser que você opte por um conceito diferente.

Marcelo de Assis: Você tem bastante influência daquela fase setentista do rock. Jimi Hendrix é a sua influência direta?

André Gimaranz: Eu acho que na minha geração, pelo menos de guitarristas, foi inevitável você não ter sido influenciado. Ao menos que você não goste do gênero de jeito nenhum. Ser um cara que não suporte nada ligado a blues e rock. Mas fora isso, na minha geração, era quase impossível você tocar guitarra no blues, rock ou jazz sem que Jimi Hendrix fosse uma influência. Assim como Jimmy Page, Eric Clapton, que são guitarristas do mesmo conceito, Steve Vai, Eddie Van HalenSão guitarristas que criaram uma determinada forma de tocar guitarra. Então essas influências do final dos anos 1960, inicio dos 1970, foram inevitáveis que aparecessem no que estou fazendo.

Marcelo de Assis: Você atuou como músico durante 25 anos nos EUA. É mais fácil um músico brasileiro trabalhar com o blues e o jazz por lá?

André Gimaranz: Ah eu acho que sim. Infelizmente é. É estranho porque a consumimos música norte-americana, inglesa o tempo todo sem nenhum preconceito. Aliás, é isso que fez a música brasileira ser tão rica, porque sempre fomos abertos a todo o tipo de influência musical. Sempre fomos muito abertos a isso. A diferença que existe é que no mercado norte-americano existe ainda, e sempre vai existir, o consumidor de rock, de blues que tem seu mercado menor. Não vão tocar em uma arena de 70 mil pessoas mas existem muitos locais para tocarem.

Marcelo de Assis: E sua agenda para os próximos shows?

André Gimaranz: A ideia é levar nossos shows para São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre. E voltar ao Rio em 2018.

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