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Entrevista exclusiva com Zeeba: "Quero que a música chegue ao ouvido de todo o mundo" Entrevista exclusiva com Zeeba: "Quero que a música chegue ao ouvido de todo o mundo"

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Entrevista com Zeeba: “Quero que a minha música chegue à todas as pessoas”

BMG

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Zeeba terminou o mês de setembro instigando todos. O artista começou a ter sonhos com uma mala no sótão do avô e resolveu ir atrás. Dentro dela tinha um bilhete com coordenadas que levavam para Paris. Com a ajuda de fãs, o cantor foi percorrendo o mundo nessa caça ao tesouro, chegando em Berlim e Nova York também.

Entrevista com Zeeba: "Quero que a minha música chegue à todas as pessoas"

Foto: BMG

Esse é contexto inicial do novo single I Got You, que Marcos Lobo Zeballos, mais conhecido como Zeeba, lançou no último mês pela gravadora BMG. O single foi escrito em parceria com Anouk, cantora e compositora holandesa que ocupa uma das cadeiras como jurada no The Voice Holanda. A letra traz várias línguas e fala sobre termos um porto seguro. Ela conta a história de um viajante que, quando volta para casa, sempre tem alguém a sua espera.

E este músico nascido há 27 anos em San Diego, na Califórnia (EUA), que tem alma brasileira, concedeu uma entrevista exclusiva ao TMJ para falar do inicio de sua carreira, de seus desafios, dos seus trabalhos com os amigos Alok e Bruno Martini e, claro, de seu mais novo single I Got You que nasceu com DNA de megahit.

Confira:

Entrevista com Zeeba: "Quero que a minha música chegue à todas as pessoas"

Foto: Henrique Thoms

Marcelo de Assis: Zeeba, com “I Got You”, você fez um megahit. Você percebeu isso?

Zeeba: Putz, eu estou animado com essa música, ela tem esse lance global, solar e lança essa brincadeira com as línguas. Espero que vire um megahit mesmo!

Marcelo de Assis: Como surgiu a inspiração para I Got You com um registro audiovisual muito bem elaborado, simples mas rico de detalhes. Como foi esse processo criativo?

Zeeba: Eu fiz uma turnê na Europa e passei cinco dias na Holanda e todos os dias eu entrava com um produtor diferente e em um desses dias eu entrei no estúdio com um produtor holandês e a Anouk, que é uma artista famosa na Holanda e aí começamos a compor e foi muito louco, porque tem esse ritmo meio tropical, até meio reggaeton …

Marcelo de Assis: Tem algo como World Music também …

Zeeba: Exato, algo como World Music, mas foi engraçado que o produtor me perguntou: “Que direção você quer seguir? Quer me mostrar o que você está fazendo? Eu disse: “Não, vamos fazer do zero, quero fazer algo com influências, eu vou criar algo aqui e você pega isso e tenta criar com o que você acha que faz sentido”. E ele fez essa batida e, acho que por não ser muito familiarizado com o Brasil, ele tem uma ideia do que é o Brasil e ele fez esse ritmo e disse: “Brazilian funk?”. Aí eu disse: “Não, não tem nada a ver com isso, mas foi legal (risos). Mas trouxe um lance tropical, latino que talvez o europeu possa interpretar, enfim, eu achei interessante isso e resolvi manter esse ritmo, essa percussão que ele fez, gravei as coisas no violão. A Anouk que fez a melodia “I got you on my mind” (cantando), que é até uma coisa meio arábe e vi que já estava saindo essa mistura meio World Music e foi aí que comecei a escrever uma letra que falasse de um cara que em cada hora estava em um país, cada hora falando uma lingua, “hello”, “bon jour”, “como está”, “mon amour”, o cara está viajando e ao mesmo tempo ele tem um porto seguro que é o amor dele, “but i still love you”, “ainda estou contigo apesar de estar viajando pelo mundo”. E agora estamos em um momento que não podemos viajar, então quis fazer uma viagem lúdica no clipe. Essa foi a forma de viajar para dentro de nossa cabeça.

 

 

“Eu sempre quero que a música chegue para o maior número de pessoas, que a arte chegue ao ouvido de todo mundo”

 

 

 

Marcelo de Assis: Você mencionou quando a Anouk criou aquele refrão “I got you on my mind” e naquele momento tem um teclado que remete aos anos 1980 … Isso resgata um pouco daquela época, não?

Zeeba: Total! Esse teclado está voltando, já está tão presente, virou algo atual. Eu também curto pra caramba essas divisões de teclado e guitarra. Feliz que você curtiu a música!

Marcelo de Assis: Qual sua expectativa com esse single?

Zeeba: Com a gravadora estamos nesse posicionamento internacional, cheguei a fazer coisas em português neste ano, mas aí conversamos com a gravadora e é isso: o foco é internacional, estamos investindo em países da Europa e é uma música para o mundo… É difícil falar sobre expectativa porque eu sempre quero que a música chegue para o maior número de pessoas, que a arte chegue ao ouvido de todo mundo. Mas quando termino uma obra já fico feliz e procuro não gerar tanta expectativa para não frustrar. Vamos ver o que vai dar. Se der vai ser muito legal, se virar um hit global será incrível, mas eu não fico muito mais nesse expectativa. Acho que tem tudo para dar certo.

Marcelo de Assis: Quando Hear Me Now explodiu, como você recebeu o sucesso desse single e ver o resultado de uma colaboração ter dado tão certo?

Zeeba: Foi uma loucura, meio inacreditável. Quando a música vira um hit global é muito rápido. Eu nunca me esqueço que fui passar um reveillon aqui no Brasil e vi as pessoas com os carros e seus portas-malas aberto e disse: “Que coisa louca! Demais!” (risos). Aquele foi o primeiro sinal de que estávamos quebrando algumas barreiras e quando fomos fazer o Lollapalooza Argentina, todo mundo sabia cantar. Foi diferente. Tinha acabado minha banda em Los Angeles (EUA), vim para o Brasil passar um tempo, fiz cinco músicas com o Bruno Martini e uma delas era Hear Me Now, fiz a parceria com o Alok e foi o meu primeiro trabalho em carreira solo. Foi louco que até me frustrei um pouco depois, porque eu lancei músicas com milhões de plays e eu falava: “Nossa, mas nenhuma mais tá batendo, o pessoal não gosta mais de mim? O que estou fazendo de errado? (risos) e isso não tem muita explicação mesmo. As vezes músicas boas não fazem sucesso e outras que nem são tão boas, mas que tem algo de especial e que fazem sucesso.

Marcelo de Assis: Como foi trabalhar com expoentes da música eletrônica como Bruno Martini e Alok e como foi conectar sua musicalidade em estúdio?

Zeeba: O Bruno estava recomeçando depois do seu projeto chamado College Eleven, então, nos encontramos em um momento parecido e ficamos uns seis meses a um ano em estúdio fazendo música sem compromisso, então, foi uma experiência muito legal. O Alok ele entrou depois com Hear Me Now, Photographs e tem mais umas outras três que ainda não lancei, que inclusive ainda quero lançá-las, e ele virou um padrinho para mim, me ensinou muito sobre a indústria, experiência de palco, foi um estágio fera. Com Hear Me Now já pegava o microfone, ia lá para frente, foi a primeira vez que eu cantei para multidões mesmo e claro que o single trouxe tudo isso para nós. Então, tenho um carinho super especial pelo Alok, nos falamos direto, fizemos mais parcerias de sucesso como Never Let Me Go também junto com o Bruno (Martini). Eu e o Bruno nunca deixamos de fazer música, inclusive estamos fazendo um álbum para o ano que vem e eu aproveitei bastante a quarentena para fazer bastante músicas, buscar sons novos e estou co-produzindo bastante também. Gosto de criar playlists com artistas bem desconhecidos, mas que fazem um som muito autêntico, muito único e pegar uma coisa daqui, outra dali … pra tentar fazer algo novo nesses tempos atuais onde é difícil fazer o novo, já existe muita coisa. O Bruno é um irmão também. Os dois acabaram se transformando em família também.

Marcelo de Assis: Zeeba, com toda essa experiência que você já tem na indústria musical, você acredita que todas essas colaborações que você realizou ao longo dos anos, elas agregaram no artista que você é hoje para que seus futuros trabalhos continuem com essa assinatura eclética?

Zeeba: Ah com certeza! O eletrônico não era o que eu fazia, nunca fui muito a fundo no gênero, acabei conhecendo DJ’s, artistas que fazem uma sonoridade conceitual, mas a minha essência era mais o lance da voz e violão, do indie, do folk, do Lumineers, Oasis, Coldplay… Meu som era mais de banda, mais orgânico. E a partir disso eu consigo trabalhar com produtores e trazer uma autenticidade para o meu mundo. Hear Me Now, não deixa de ser uma música eletrônica, mas uma música pop. Não é só o cara que vai na rave, que frequenta os festivais de música eletrônica que vai conhecer a música. Até a minha vó gosta da música! (risos)

Marcelo de Assis: Que apelo popular!

Zeeba: Exato, exato… (risos).

Entrevista com Zeeba: "Quero que a minha música chegue à todas as pessoas"

Foto: Henrique Thoms

Marcelo de Assis: Em que momento da sua vida você sentiu que trabalharia para a música?

Zeeba: Eu estudei em um colégio onde sofri muito bullying ….

Marcelo de Assis: Bullying?

Zeeba: É mas foi bom porque eu me refugiava ali no estúdio, na sala de música … Eu era meio desligadão. Na verdade, eu mudei muito de colégio. E nesse colégio haviam muitas “panelinhas” e eu era meio sozinho. Então rolou uma fase meio tensa na minha vida, mas esse colégio tinha aula de música, tinha estúdio e eu montei minha primeira banda. Até a música foi uma forma de ser mais aceito. E quando mudei novamente de colégio, eu ja tinha minha banda estabelecida e o nosso single viralizou. É muito louco isso, né? A música empodera mesmo! Fiz um show com a banda e nesse momento reuniu uma galerinha e todo mundo começou a cantar junto. Mas na hora de escolher a profissão mesmo, apesar do apoio dos meus pais e agradeço a Deus por ter esse suporte da família, eu tinha dúvidas. Aí fiz um estágio em uma produtora de áudio que fazia jingles, locuções e trilhas e amei. Cheguei até fazer uma locução. E pensei: “Acho que posso viver disso”. Ai viajei para Los Angeles, tive uma banda profissionais e depois rolou Hear Me Now e foi tudo muito rápido.

Marcelo de Assis: E o pessoal que fazia bullying está ouvindo suas músicas hoje! O mundo realmente dá voltas …

Zeeba: É, com certeza (risos).

Marcelo de Assis: O que você se sente mais? Um brasileiro ou um norte-americano?

Zeeba: Ah, eu acho que sou um misto. Mas eu me sinto bem brasileiro sim, a galera é mais caloroso. Lá nos EUA o pessoal é mais frio, mais individualista. Cada um tem sua vida, é uma coisa diferente. Eu gosto muito do calor brasileiro, mas eu amo a música de lá. A minha formação musical é de lá também.  Eu cresci aqui no Brasil, os meus melhores amigos são daqui mesmo.

Marcelo de Assis: Obrigado pela sua entrevista e sucesso sempre, Zeeba!

Zeeba: Pô, muito obrigado! Não é nem uma entrevista, adorei o bate-papo contigo! Estamos trabalhando para sempre inovar e fazer coisas bonitas!

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