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Entrevista com Dionne Warwick: “A música tem que ser em prol do ser humano”

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Uma das maiores cantoras do século XX e uma das artistas que se tornaram grandes expoentes de gêneros como o R&B, Soul e o Gospel, a diva norte-americana Dionne Warwick, que realizará quatro shows no Brasil em agosto, conversou com o The Music Journal Brazil em uma entrevista exclusiva para falar sobre a sua tour em nosso país, além de relembrar os grandes momentos de sua carreira e sua visão do mercado musical atual.

Warwick retorna ao Brasil com shows marcados no Rio (Theatro Municipal, dia 18), Vitória (Shopping Vila Velha, dia 21), São Paulo (Espaço das Américas, dia 23) e Brasília (Centro de Convenções Ulysses Guimarães, dia 25). Os ingressos podem ser adquiridos no site Ingresso Rápido.

Dona de uma voz singular e vencedora de 5 Grammy Awards, Dionne Warwick se tornou um dos grandes pilares da indústria musical e da cultura pop norte-americana, com grande sucesso comercial que resultou em mais de 100 milhões de discos vendidos em todo o mundo.

Notável por grandes sucessos como Heartbreaker, Say a Little Prayer e I’ll Never Fall in Love Again, Warwick emprestou seu grande talento na famosa reunião com Elton John, Gladys Night e Stevie Wonder no single That’s What Friends Are For naquele emblemático 1985 quando a música se convertia em prol de assuntos humanitários. Para ela, como nos reportou nesta entrevista, “estamos todos aqui para servir um ao outro enquanto as canções falam diretamente para isso”.

Confira:

Marcelo de Assis: Dionne, é um prazer imenso falar com você. Existem milhares de fãs de seu trabalho no Brasil. O que eles poderão esperar dos seus shows por aqui?

Dionne Warwick: Marcelo, o que reservei para esses shows são as canções que todos esperam que eu cante e algumas surpresas…. será um divertido show musical.

Marcelo de Assis: Dionne, são 50 anos de uma carreira que você iniciou ao lado de outros dois grandes nomes como o saudoso Hal David e o Burt Bacharach. Como você avalia hoje o quanto eles agregaram em sua carreira e como era essa conexão entre o trabalho de vocês?

Dionne Warwick: Burt, Hal e eu éramos conhecidos como o casamento triangular que funcionava … Foi uma parceria maravilhosa em  nossa música! Burt trazendo grandes melodias, Hal algumas das mais belas palavras para eu cantar e elas dependiam de mim para levar os dois ao ouvido atento. Um momento verdadeiramente maravilhoso em todas as nossas vidas.

Dionne com a saudosa prima Whitney Houston – Divulgação

Marcelo de Assis: Aliás, por falar em Bacharach, Elton John acabou de lançar uma coletânea intitulada Diamonds onde ele revisita o grande sucesso That’s What Friends Are For que é uma composição dele com a Carole Bayer Sager e onde você gravou em 1985 com Gladys Night, Stevie Wonder, além do Elton. Como vivemos uma época onde as plataformas digitais ditam os lançamentos e relançamentos e principalmente os jovens acessam em maior número, como você analisa a possibilidade das novas gerações terem acesso à clássicos como este nos dias atuais e no que isso pode contribuir para que os novos artistas também possam criar música em benefício da humanidade, como vocês fizeram naquela ocasião?

Dionne Warwick: Stevie Wonder, Gladys Knight e Elton John são queridos amigos e foi um grande prazer estar no o estúdio para gravar That’s What Friends Are For! Nós compartilhamos a crença de que todos nós nos preocupamos com as pessoas em geral, e todos esperam que nossos talentos possam e tenham trazido prazer, bem como ajudar a fazer com que todos percebam que nós, como seres humanos em todo o mundo, estamos todos aqui para servir um ao outro enquanto as canções falam diretamente para isso. Minha esperança é que fôssemos e pudéssemos inspirar nossos jovens a praticar essa forma de vida.

 

 

 

” Burt (Bacharach), Hal (David) e eu éramos conhecidos como o casamento triangular que funcionava. Um momento verdadeiramente maravilhoso em todas as nossas vidas.” 

 

 

Marcelo de Assis: Você teve um período muito interessante em sua carreira quando esteve na lendária Arista Records do Clive Davis com várias canções no topo das paradas e excelente performance comercial, além do programa Solid Gold que você apresentou em 1980. Parece que naquela época, a identificação de uma gravadora com um determinado gênero musical era muito mais forte, mais tênue, do que nos dias atuais. Analisando sua carreira naquele período, o que mudou no mercado musical nesse sentido?

Dionne Warwick: Ah, os tempos mudaram e a música também, como esperado! A maior parte da música hoje é gerada sem o elemento humano (músicos), mas agora é desenvolvida pelo computador. Quase parece que as gravadoras não existe mais e tudo agora é baixado pelos computadores nos dias de hoje!

Marcelo de Assis: Por falar em sucessos… porquê Heartbreaker é uma canção que nunca envelhece?

Dionne Warwick: Sempre que uma grande melodia e letras podem ser ouvidas, elas se relacionam com o coração, mente e ouvidos humanos. Eu sinto que essa é a razão pela qual Heartbreaker e muitas outras como, por exemplo, Garota de Ipanema (The Girl from Ipanema) estarão sempre por perto para as pessoas que gostarem de ouvir.

Dionne com Burt Bacharach – Divulgação

Marcelo de Assis: Dionne, você sempre foi uma grande expoente de lendários gêneros com o R&B, Soul e o Gospel. Atualmente, quais artistas desses gêneros te chamam a atenção?

Dionne Warwick: Ahh, eu tenho o hábito de ouvir meus colegas como eu sinto que a música de hoje é para muito mais para os ouvidos do jovens do que dos meus… Eu ouço Johnny Mathis, Stevie Wonder, Gladys Night, Elton John, Brenda Russell, só para citar alguns deles …

Marcelo de Assis: Voltando a falar do Brasil, me fale de quem você admira em nossa música…

Dionne Warwick: Olha, existem muitos artistas brasileiros que têm um som quente e calmante como Simone, Gilberto Gil, Nana, Ivan Lins, Tom Jobim, Gal Costa, … a lista continua.

Marcelo de Assis: Dionne, qual a lembrança mais profunda você guarda da sua prima Whitney Houston?

Dionne Warwick: Só posso dizer uma coisa: eu sinto a falta dela demais …

É jornalista e pesquisador musical. Cobre shows nacionais e internacionais e já entrevistou bastante gente interessante do Brasil e do mundo. Foi vencedor do Prêmio TopBlog Brasil em 2010 na categoria "Música"e foi membro do Grammy Latino.