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Entrevista com Léo Santana: “Eu precisava mostrar meu lado cantor”

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O cantor e compositor Léo Santana lançou na última sexta-feira (25) o seu novo EP Inovando em todas as plataformas digitais pela Universal Music. Este novo trabalho do ex-componente do  grupo Parangolé equaciona uma série de ritmos musicais, sob arranjos com batidas envolventes, dançantes e com apelo romântico. E há espaço para um diálogo com o sertanejo.

O repertório de Inovando conta com sete faixas inéditas e autorais. São elas: 10 Beijos de Rua, Empina e Treme, Se Eu Tiver Solteiro, Uma Lá, Duas Cá, As Amiguinhas, Pijhama e Como É Bom Te Amar.

Léo Santana concedeu uma entrevista exclusiva para o The Music Journal Brazil diretamente da sede da Universal Music Brasil no Rio de Janeiro para falar sobre este lançamento e, também, sobre este processo de transição de dois gêneros musicais diferentes.

Confira:

Marcelo de Assis: Léo, como nasceu a ideia deste novo EP?

Léo Santana: Eu precisava mudar um pouco, mostrar meu lado como cantor e intérprete também, meu lado compositor, algo mais maduro, sabe? E esse EP em si nos dá essa liberdade a nós artistas para ousarmos um pouco por serem poucas canções. Então, foi um projeto especificamente escolhido por mim com apoio de meus empresários, gravadora, diretor musical e de outros compositores. Gosto de ouvir a opinião de todos. Mas o resultado geral foi aquilo que eu gostava de ouvir.

Marcelo de Assis: Você é um artista que trabalhou tantos anos em outro gênero musical, com aquela musicalidade da Bahia e nesse novo clipe 10 Beijos de Rua inicia como se fosse uma janela para o Rio de Janeiro. Como surgiu a escolha da cidade para este clipe?

Léo Santana: Isso foi mais pela razão de ser uma cidade, que eu costumo dizer, que é o coração do Brasil, porque tudo o que acontece aqui se expande para o país inteiro, uma vitrine muito grande e também pela escolha da gravadora juntamente com a produtora. Todo mundo é daqui do Rio e esse processo foi um conjunto de ideias com o propósito que foi esse resultado do clipe: mais romantismo, carência, sofrência, o fundo do mar, o Vidigal… Eu amei o resultado.

 

 

“Jamais sairei do pagode! Jamais …”

 

 

Marcelo de Assis: Essa faixa Uma La, Duas Cá com a dupla Maiara & Maraísa apresenta um apelo mais sertanejo a exemplo do single de trabalho. Como foi gravar com elas e se algum momento você teve receio em migrar para outro gênero musical?

Léo Santana: Sim, total!

Marcelo de Assis: Como que foi isso?

Léo Santana: É normal quando você muda tão bruscamente assim. Só que fizemos uma base estratégica: antes de lançarmos o EP, fizemos um CD promocional e disponibilizamos em uma plataforma voltada ao norte e ao nordeste. Então incluímos mais pagode da Bahia com músicas de outros artistas na minha pegada. Resumindo: um CD de show do Léo Santana e disponibilizamos lá e já temos quase meio milhão de downloads. De qualquer forma, está sendo um desafio muito grande, diferente de tudo o que já gravei. A Maiara & Maraísa é um sertanejo que tem sanfona. A minha banda hoje tem sanfona. Mas a música em sim é um pagode com uma linguagem do compositor que é sertaneja. Ou seja, já tem uma mistura ali, de dois gêneros na mesma canção.

Marcelo de Assis: Você já está projetando shows para esta nova fase de sua carreira?

Léo Santana: Esse lance do EP é só para as plataformas digitais e não para uma turnê em si. A nossa atual turnê se baseia ainda no Baile da Santinha.

Marcelo de Assis: Mas você não pensa em fazer uma série de shows nessa fase?…

Léo Santana: Estamos mesclando essas canções em nossos shows aos poucos, porque é um projeto novo.

Marcelo de Assis: Ou seja, haverá um cuidado quanto a isso …

Léo Santana: Exato! Em cada show nós cantamos uma, duas… até que todos estejam ouvindo este EP.

Marcelo de Assis: Então já podemos fazer uma leitura desse EP como uma transição na sua carreira?

Léo Santana: Exatamente! Mas sem perder a minha raiz que é o pagode, o qual jamais sairei. Jamais sairei. Hoje, graças a Deus, eu tenho uma liberdade de, quem vai aos meus shows, sabe que eu misturo muito: eu faço eletrônico, faço funk, eles cobram muito isso, mas é uma coisa diferente.

Marcelo de Assis: Mas você sente apoio por parte dos fãs, não?

Léo Santana: Total! Isso também me motivou a gravar este EP de uma forma tão diferente.

É jornalista e pesquisador musical. Cobre shows nacionais e internacionais e já entrevistou bastante gente interessante do Brasil e do mundo. Foi vencedor do Prêmio TopBlog Brasil em 2010 na categoria "Música"e foi membro do Grammy Latino.