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Entrevista com Projota: “Me sinto pronto para casar e ter meus filhos”

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O rapper Projota lançou na última semana o clipe de A Voz e o Violão, single inspirado em suas experiências pessoais com a temática da cumplicidade de um relacionamento a dois, o cotidiano e sentimentos de um casal que se entende na intimidade e que torce para que ambos estejam juntos no futuro.




Baseada nessa história, a diretora Mariana Zdravca desenvolveu o roteiro do clipe que teve como locação a cidade de Peruíbe, no litoral de São Paulo. A ideia era trazer uma atmosfera invernal e romântica ao tema: “Idealizamos uma história de amor, com direito a cenas de carinho, parque de diversões, praia e etc”.

Para falar sobre este novo trabalho, Projota conversou com o The Music Journal Brazil e nos revelou a concepção e inspiração para Voz e o Violão, além de revisitar o lançamento do álbum A Milenar Arte de Meter o Louco de 2017 e avaliar sua carreira e sua pessoa, a qual, hoje, o cantor revela o seu amadurecimento em estar pronto “para se casar e para ter filhos”.

Confira:

Marcelo de Assis: Você está lançando Voz & Violão que nasce como single e clipe e diferentemente do seu trabalho anterior, este apresenta um toque mais romântico. Como foi a concepção deste single? Ele coincide com o seu atual estado de espírito?

Projota: É uma sequência do trabalho e eu sempre tenho muito disso: música política, música romântica, música de superação … A questão é que desta vez sairam duas políticas uma ao lado da outra, né? Isso é difícil, mas a atual situação do país me levou para esse caminho. E aí, a música romântica dá uma “chocada”. Ela realmente reflete meu estado de espírito e estou feliz pra caramba. O amor sempre tem que vencer, ele sempre tem que estar presente, sempre faz sentido né?

Marcelo de Assis: A inspiração desta música veio através de sua namorada?

Projota: É, estamos vivendo um momento especial pra caramba, ficamos um tempo separado. Retornamos e o universo acabou unindo a gente de novo e essa música retrata isso. Eu a compus quando estávamos separado e terminei ela quando voltamos.

Marcelo de Assis: Ou seja, um voto de reconciliação …

Projota: Quando comecei a compor foi como se eu imaginasse uma forma de falar com ela, só que eu não terminei. Parei ela no meio, não tive coragem (risos), tive que esperar mais um tempo para tomar essa coragem e quando voltamos, finalizei a música e foi legal porque ela acaba trazendo algumas coisas que retratam a nossa volta, algumas ideias e com o nosso momento atual.

Marcelo de Assis: E ela teve acesso a música antes?

Projota: Ah com certeza! Ela foi a primeira a ouvir. Logo que terminei eu mostrei para ela. Tenho certeza que ganhei uns pontos ali! (risos).

 

 

“Quando comecei a compor foi como se eu imaginasse uma forma de falar com ela”, diz Projota, sobre o single inspirado pela sua namorada.

 

 

Marcelo de Assis: O single conta um clipe gravado em Peruíbe no litoral de São Paulo. Como foi o resultado dele? Te agradou a forma como ele foi pensado?

Projota: Cara, agradou demais, sabe? Demos muita sorte. A gente vai sentindo quando o universo vai conspirando a nosso favor de um projeto por esses detalhes. Tínhamos uma ideia juntando várias referências do que queríamos do clipe. E queríamos exatamente o que tivemos lá: conseguimos um dia nublado, não queríamos um dia do sol. Queríamos gravar na praia mas como se parecesse na Europa, meio nublado … Era essa a nossa referência. Deu tudo muito certo. Foi tudo perfeito. Conseguimos um parque de diversões que era a nossa segunda locação e estava chovendo na parte da tarde, só que lá era coberto. Foi tudo tão perfeito que é difícil de acreditar que deu tão certo, como a gente sonhou.

Marcelo de Assis: E com essa atmosfera toda favorável para a gravação, esse clipe refletirá realmente a letra como um retrato fiel do que você vivenciou e aplicou nela?

Projota: Não, procuramos fazer um clipe que não houvesse uma história, ele não tem essa cronologia. Ele é sobre sentimento. Sentimento de um casal onde eles brigam, eles retornam… Tem essa coisa de sentimento, a pureza no olhar, na forma de se tocar … Essa pureza é que retrata bastante a realidade, mas não conta a nossa história.

Marcelo de Assis: A equipe que esteve envolvida nas gravações do clipe foi majoritariamente formada por mulheres, até como um movimento para que as mulheres tenham mais participação nas produções audiovisuais. Como você analisa esse trabalho nos dias atuais?

Projota: Cara, eu acho fantástico! Achei fantástico! Quando trouxeram isso para gente, quando procurávamos quem iria fazer o clipe, o Pedro Dimitrow que é irmão da Mariana (Zdravca, diretora) e que fez a fotografia do clipe, nos trouxe uma ideia depois de apresentar um trabalho dela:”Vamo embora!”. E aí ela trouxe as meninas. A produtora dela é composta por muitas mulheres. Na hora de fazermos o clipe, era fantástico de ver, aquele monte de mulher trabalhando! Impressionante como isso, de certa forma, ainda nos choca, né? Porque? Quantos clipes já fiz na minha carreira? E eu nunca tinha visto tantas mulheres em um set de gravação. Cara, eu apoio isso total! Isso é fantástico de ver! Não deveria me chocar, deveria ser algo normal! Ficamos muito felizes de ver o resultado que foi perfeição. Todo mundo vai gostar!

Marcelo de Assis: Já se passou um ano do lançamento do álbum A Milenar Arte de Meter o Louco. Você ficou satisfeito com o resultado comercial e artístico do álbum?

Projota: Ah eu gosto muito do disco, tivemos vários sucessos, como a Linda com a Anavitória e outras músicas que são mais pesadas que acabam não indo para a rádio mas nos shows a galera vem abaixo. Estou muito feliz por esse disco, foi muito importante como conversamos no ano passado né, deu pra falar, para mostrar outras coisas sobre mim para este novo público, colocar em pauta alguns assuntos pessoais que eu não tinha colocado e hoje me sinto mais leve, cara. Eu falei algumas coisas das quais estava engasgado… Esse disco foi muito importante mesmo!

Marcelo de Assis: O disco tirou um peso dos seus ombros?

Projota: É, foi bem isso, porque havia muita coisa que eu tinha que falar e que não tinha conseguido como depressão, por exemplo, eu falo no disco e foi muito bacana poder ter colocado isso na rua, ter levantado esses assuntos, debatê-los através de todos os shows que faço e o sucesso né, do single Mulher Feita. Esse álbum foi muito bom.

Marcelo de Assis: Projota, você renovou recentemente um contrato com a Universal Music. Como você analisa sua carreira, desde os primeiros anos até hoje. O que tudo isso tanto agregou como músico e pessoa?

Projota: Cara, é difícil de avaliar sabe, porque vamos no passo-a-passo, vivenciando cada degrau da escada. Então, as vezes é tão difícil você conseguir olhar para tras porque a cada ano é muita coisa que acontece, muitas mudanças, trajetória longa. O importante é saber o quanto a gente curtiu, o quanto fomos felizes em cada ano. Ao longo de tantos anos eu coleciono alegrias enormes, inúmeras felicidades, inúmeros momentos marcantes e inesquecíveis na minha vida e, claro, sou mais maduro com certeza, me sinto pronto para muitas coisas, para me casar, para ter meus filhos, pronto para ter algo real para passar para eles, de aprendizado, do que aprendi na minha vida, de tantas barreiras que tive que ultrapassar e sou feliz por ajudar minha família, ser um porto seguro para eles … E hoje acho que tudo isso são coisas que eu quero passar para os filhos que quero ter.

 

 

“Sou mais maduro com certeza, me sinto pronto para muitas coisas, para me casar, para ter meus filhos, pronto para ter algo real para passar para eles, de aprendizado, do que aprendi na minha vida”

 

 

 

Marcelo de Assis: Você teve uma participação no filme Sequestro Relâmpago e na dramaturgia com a participação da série de televisão Carcereiros. Com tanta coisa acontecendo na sua carreira, como foi atuar para você?

Projota: Cara, além de ser uma experiência incrível, de ter sentido algo surreal, de ter me descoberto ator, algo que eu consegui fazer, fiquei feliz com o apoio de todos os profissionais que estavam comigo nos projetos e para mim foi um exercício de humildade também. Isso é importante: a chance de começar do zero em alguma coisa, de você começar lá de baixo como aprendi a música. São 16 anos fazendo música e ainda estou engatinhando ainda (risos).

Marcelo de Assis: Como expoente do Rap no Brasil, como você analisa este gênero musical e seu crescimento nos dias atuais?

Projota: Eu acho fantástico, temos uma geração nova que é surpreendente para muitos. Eu sempre soube, cara, que quando o Criolo apareceu, o Emicida, e hoje não me surpreende o tanto de gente boa que tem nesta nova geração. O brasileiro é muito talentoso, ele é muito musical e artístico. Homens e mulheres! Não vai parar de crescer, não. Nâo vai parar! Ainda está tudo no começo!

Marcelo de Assis: Projota por Projota …

Projota: Um sonhador!

Marcelo de Assis: Obrigado pela entrevista que virou um bate-papo e sucesso!

Projota: Eu que agradeço, Marcelo! Agradeço real mesmo, mando meu abraço a todos e tamo junto! Vamos pra cima!

É jornalista e pesquisador musical. Cobre shows nacionais e internacionais e já entrevistou bastante gente interessante do Brasil e do mundo. Foi vencedor do Prêmio TopBlog Brasil em 2010 na categoria "Música"e foi membro do Grammy Latino.