ELETRÔNICA

Entrevista com Seakret: “A música está se renovando”

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Para lançar o novo single Kika pela Universal Music, o duo de produtores Pedro Dash e Dan Valbusa sob o projeto Seakret reuniu vários convidados na noite deste sábado (17) em uma casa noturna de São Paulo.




Eles também nos concederam uma entrevista exclusiva onde falam tudo sobre o projeto, a sua visão do mercado nacional e internacional e, claro, do novo single. Confira:

Marcelo de Assis: Como nasceu esta parceria musical entre vocês?

Dan Valbusa: Eu era da banda Cine e o Pedro era o produtor do estúdio onde realizamos o nosso primeiro EP e como nossas composições contavam com muitos elementos eletrônicos, ele nos orientou: “Vocês vão precisar de gente para tocar essas coisas”. Aí eu disse: “Tá bom, Pedro! Junte a nós! Venha fazer parte da nossa família! (risos). E desde sempre produzimos muita coisa juntos …

Marcelo de Assis: Houve uma sinergia …

Dan Valbusa: Sim! E sempre cuidados dos arranjos juntos, os bits, essas coisas. E depois do Cine, nós continuamos trabalhando com outros artistas os quais ele me convidava para fazer os arranjos nas músicas e sempre tivemos muita música que sobrava os quais pensávamos: “Pô isso é legal, mas o que iremos fazer com isso?” Aí decidimos: “Vamos lançar um projeto, fazer uma coisa nossa!” E acabou rolando naturalmente. Guardamos muitas músicas durante um período de 2 anos as quais não sabíamos qual caminho elas iriam tomar até que em 2017 encontramos um rumo para elas e demos um start no projeto.

Pedro Dash: Foi quando assinamos com a Universal Music! Guardamos muita coisa sabendo que não queríamos lançar sem ter um apoio, sem ter uma parada mais legal porque achávamos tudo muito bom, gostávamos muito do que estávamos fazendo e, então, aguardamos bastante até porque o Seakret sempre foi um projeto paralelo à nossa vida de produtores musicais e trabalhando com outros artistas, então ao mesmo tempo que tínhamos vontade de lançar, não tínhamos tanta pressa. Foi algo desenvolvido com calma, até que assinamos com a Universal e lançamos o primeiro som em novembro do ano passado.

 

 

 

“O  mercado de hoje em dia está diferente, as bandas estão se renovando. O exemplo disso é o Maroon 5: hoje em dia eles contam com produções eletrônicas, meio que se adaptaram ao mercado”

 

 

 

Marcelo de Assis: A sonoridade do Seakret é díspare ao que vocês mantinham no Cine. Como vocês analisam o trabalho que sempre realizaram com a banda, em um determinado gênero musical, ingressando posteriormente para o oficio da produção e como essa experiência pode agregar neste novo projeto?

Dan Valbusa: É complicado porque o mercado de hoje em dia está diferente, as bandas estão se renovando. O exemplo disso é o Maroon 5: hoje em dia eles contam com produções eletrônicas, meio que se adaptaram ao mercado … Eu acredito que se hoje estivéssemos com o Cine, algumas músicas do Seakret se encaixariam na banda. Evoluiríamos juntos.

Pedro Dash: Eu acho total, até porque o penúltimo disco que lançamos ele foi totalmente voltado para produção de beat, mais eletrônico e na verdade fazemos música sem pensar no estilo. Se a gente curte, é nossa. Nós vamos fazer um som: ta legal, ótimo, independente do estilo.

Marcelo de Assis: Ou seja, não há uma definição!

Pedro Dash: Não! Mas como é algo que gostamos do que fazemos, querendo ou não, essa definição acontecerá naturalmente. Mas com certeza, o nosso trabalho em produzir vários estilos agrega em nosso trabalho e é um estudo diário. Nós na Head Media produzimos vários estilos sonoros e com certeza isso agrega em nosso som autoral. E muita gente acha que por sermos produtores e por trabalhar com vários artistas diferentes, a música do Seakret é meio “pensada” ao extremo para ir a um lugar ou outro, mas na real não! Nós temos nossas ideias, apresentamos um para o outro. O Danilo, as vezes me mostra uma ideia, eu mostro uma para ele. Se a gente achar legal, continua. Se não achamos legal, não continuamos. E é isso que acontece.

Marcelo de Assis: Como nasceu o single Kika? Como foi a concepção deste trabalho?

Pedro Dash: Começamos o beat juntos, aqui no Brasil, já com algumas ideias de alguns artistas que queríamos convidar, mas era uma coisa bem crua. Deixamos na geladeira. Aí viajei para os EUA como produtor da Universal Music para uma reunião da gravadora e geralmente nessas ocasiões temos a oportunidade de conferir as coisas que ainda serão lançadas nos próximos 6 ou 7 meses e eu percebi que na nossa música, em algum momento, segurávamos um pouco a mão na parte dos elementos brasileiros por existir um certo preconceito com isso. E nós tínhamos que nos adaptar de uma forma ou outra. Aí liguei para o Danilo após a reunião e disse: “Danilo, estou com uma ideia de usar aquele som que fizemos e vou abrir aqui”. Fui para o hotel, abri a faixa, dei uma mexida e lá estava o (compositor colombiano) Feid, que já era parceiro nosso e que já havia participado de um Song Camp com ele e, cara, saiu assim. Liguei para o (MCZaac de lá mesmo e ele topou na hora e foi meio essa coisa a distância se formando.

 

 

“A velocidade de como as pessoas consomem música hoje em dia é como acontece no EP: é aquela coisa de contar uma história com 5 ou 6 músicas”

 

 

 

Marcelo de Assis: Nós estamos em uma era do mercado musical onde se resgatou uma cultura do featuring. Sabemos que isso, em termos de mercado, não é de agora, mas parece que os trabalhos de gravação musical estão focados nisso. Porque esse formato colaborativo deu certo?

Pedro Dash: Pra mim é simples: você não sobe sozinho e muito menos se mantém sozinho em lugar nenhum. Então se você tem parceiros e pessoas que te ajudam e você ajuda elas, você estará sempre maior. O featuring não é novo, mas a cultura do featuring no Brasil, da forma que fazemos, ela é nova. Ou por muito tempo ela não foi feita e esqueceram como era. O nosso som com o Rael, muita gente acha que é dele. O nosso som com o Zaac e o Feid temos certeza que também vão achar que é deles, porque não aparecemos cantando, não aparecemos nos clipes mas é uma forma de nos expressarmos também. É mais difícil? Sim, é mais difícil!

Marcelo de Assis: Então, se ocultar é uma forma de se expressar?

Pedro Dash: Totalmente! Totalmente! Além de artistas no Seakret, somos dois produtores. Produzimos as músicas que achamos bacana e chamamos intérpretes legais ou intérpretes e cantores que trabalham com a gente e sempre convidamos aqueles os quais acreditamos que irão se encaixar melhor naquele som e no que queremos passar. Uma mensagem mais séria ou algo para se divertir. Falta aquela coisa de como é no exterior: eles entendem o que é um Major Lazer, o que é um DJ Snake. Nós temos o Tropkillaz aqui, mas ainda é uma parada difícil de muitos entenderem o que está acontecendo.

Marcelo de Assis: É uma questão de maturidade cultural?

Pedro Dash: É uma questão de costume. Temos a plena consciência que há muito de marketing envolvido nisso, porque precisamos mostrar as pessoas o que está acontecendo. Mas é algo o qual também não temos pressa, porque é uma coisa nova e que não é muito comum no Brasil.

Marcelo de Assis: Vocês me disseram que existem muitas músicas que já foram gravadas. O que vem de novo para 2018?

Pedro Dash: Temos um som com o Di Ferrero que já está pronto, estamos fazendo outro com o FTampa e com um cantor norte-americano …

Dan Valbusa: … que é um Megazord … (risos) … quando os Powers Rangers se juntavam… (risos)… eu não costumo usar essas referências mas é isso aí ….

Marcelo de Assis: O EP (Extended Play) é um formato antigo no mercado musical e utilizado em outras décadas. Porque esse formato está sendo consumido muito mais nos dias de hoje?

Dan Valbusa: As pessoas estão consumindo música com muita rapidez. E as coisas precisam girar muito mais rápido.

Pedro Dash: Antigamente o artista entrava no estúdio para gravar um disco que durava um ano, dois anos, lançando os singles. Hoje, por conta dessa rapidez que o Dan exemplificou, a pessoa vai consumir seu álbum completo, single e EP com essa mesma rapidez. Você pode lançar um EP e daqui um mês e ele pode já estar velho. Existem diversas formas de se extrair singles de um disco, obviamente, mas querendo ou não, a velocidade de como as pessoas consomem é como acontece no EP: é aquela coisa de contar uma história com 5 ou 6 músicas.

Marcelo de Assis: Quais são os próximos passos do Seakret?

Pedro Dash: A nossa intenção é fazer um intercâmbio cultural com o Feid, trazer ele para o Brasil, irmos à Colômbia, excursionarmos juntos em prol do single em si, mas fazendo coisas pontuais para cada um de nós. Continuar trabalhando, mirando as plataformas, o nosso vídeo e já tivemos diversas ideias para fazer para a Kika, mas estamos analisando de como a galera vai assimilar o single.

Marcelo de Assis: Vai rolar um remix, então?

Pedro Dash: Com certeza! Um ou outro vai rolar, cara! Eu tenho certeza que um remix sempre agrega para um artista.

Marcelo de Assis: Como vocês dividem o tempo para a vida de artista e de produtor.

Pedro Dash: É só tomar muito café e não dormir! (risos).

Marcelo de Assis: É esse o segredo? (risos)

Pedro Dash: É esse o segredo. O Seakret é muitas vezes aquele projeto que em terminamos o dia na produtora e ficamos lá trabalhando. São três coisas mesmo: tomar café e não dormir. Nós vivemos pela música e quanto mais fazemos é melhor.

Marcelo de Assis: É um sacerdócio musical que satisfaz …

Pedro Dash: Exatamente!

Dan Valbusa: É exatamente isso!

É jornalista e pesquisador musical. Cobre shows nacionais e internacionais e já entrevistou bastante gente interessante do Brasil e do mundo. Foi vencedor do Prêmio TopBlog Brasil em 2010 na categoria "Música"e foi membro do Grammy Latino.