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Entrevista com Seeb: “O EDM é uma parte importante do pop”

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O trio norueguês de DJ’s e produtores Seeb lançou neste mês o seu novo EP Nice To Meet You pela Universal Music. 




Com a parceria de Goodito Frito na faixa homônima do álbum, Simen Eriksrud, Espen Berg e Niklas Strandbråten, o novo trabalho do Seeb chega ao mercado com 6 faixas e participações de Dagny, Skylar Grey, entre outros. Só a faixa Drink About alcançou mais de 2 milhões de streams em menos de uma semana de lançamento.

O The Music Journal Brazil realizou uma entrevista exclusiva com o DJ e produtor Espen Berg que falou sobre este novo trabalho, além do processo de produção do trio em estúdio.

Confira:

Marcelo de Assis: Desde que vocês iniciaram as atividades como o Seeb, fãs de EDM de vários países tem admirado o trabalho que realizam no gênero e tudo parece que aconteceu muito rápido. Como vocês analisam essa evolução nesse contexto?

Seeb: Nós tendemos a não pensar muito sobre isso. É fácil ficar preso nessas coisas e esquecer apenas de fazer música. O lado comercial de ser um artista e possuir nossa própria gravadora pode atrapalhar as coisas. Pode parecer que as coisas aconteceram muito rápido, mas nós temos produzido música há séculos, então você pode dizer que estamos nos preparando para isso há muito tempo.

 

 

“Não tínhamos pensado em ser outra coisa senão produtores de estúdio e, de repente, nos encontramos no mainstream e fazendo performances de DJs em festivais”

 

 

Marcelo de Assis: Como foi a concepção do novo EP Nice To Meet e o que ele pode apresentar de diferente comparado com os outros trabalhos?

Seeb:  Nada realmente diferente! É uma coleção de músicas que fizemos há algum tempo e que sentimos que queríamos lançar. Nós trabalhamos em cada música individualmente. A inspiração vem de muitas coisas e é diferente para cada música. Às vezes é assim que as músicas são feitas, como por exemplo ter uma sessão com o artista em destaque ou talvez um lugar em que trabalhamos ou até mesmo uma experiência que temos. É claro que a diferença agora, em comparação como fazer remixes e tal é que é apenas de nossa própria música, somos completamente livres para fazer o que gostamos e não temos um rótulo ou gerenciamento nos oferecendo algo específico.

Marcelo de Assis: Um dos pontos importantes e que sempre devem ser ressaltados e a versatilidade que o trabalho de vocês representa, principalmente quando o Seeb desenvolve remixes para artistas de diferentes gêneros musicais como os já realizados para o Shawn Mendes, Coldplay, David Guetta e até o Mick Jagger. Como realizar essa conexão da musicalidade de vocês em estúdio e torná-la uníssona?

Seeb: Ah, Obrigado! Nós tentamos mantê-lo original e diferente a cada vez, mas felizmente nós tendemos a soar como Seeb cada vez! (risos). Não seriamente!  É um pouco de mistério para nós como conseguimos manter tudo isso em uníssono. Simen e eu temos trabalhado juntos há muitos anos e temos origens musicais totalmente diferentes, mas essa é a razào pela qual soamos da maneira que fazemos. Inclui muita argumentação, claro!

Marcelo de Assis: Em 2015 vocês alcançaram o mainstream com o remix do single I Took a Pill in Ibiza do Mike Posner. O que passou pela cabeça de vocês naquele momento, depois de brilharem nos charts de diversos mercados?

Seeb: Foi uma loucura, pois não tínhamos pensado em ser outra coisa senão produtores de estúdio e, de repente, nos encontramos no mainstream e fazendo performances de DJs em festivais. Demorei alguns meses até ter uma perspectiva sobre o que estávamos fazendo e o potencial que de repente tínhamos com nossas próprias carreiras.

Marcelo de Assis: Como acontece o processo criativos de vocês em estúdio?

Seeb: Nós não temos nenhum processo padrão, mas na maioria das vezes Simen ou eu começamos a trabalhar em uma música, então depois de um dia ou mais a entregamos para a outra e vamos e voltamos assim até o final. Isso mantém as ideias frescas e é uma maneira de trabalhar que desenvolvemos há anos. Às vezes, haverá uma grande discussão sobre algum detalhe estúpido, então Niklas entrará e dirá algo para resolvê-lo. Soa louco, mas é assim que funciona na maior parte do tempo.

Marcelo de Assis: Como vocês analisam o EDM nos dias atuais e o quanto ele evoluiu em termos de mercado?

Seeb: Ele ficou um pouco saturado e muita da música está começando a soar um pouco genérica, talvez… Está gerando muito dinheiro hoje em dia. O lado positivo é que só é preciso um laptop para qualquer criança do mundo causar impacto no mundo da música e isso é incrível, como a total liberdade musical. O EDM está aqui para ficar, mas vai evoluir como uma parte importante da música pop hoje.

Marcelo de Assis: Quais são as referências musicais imediatas de vocês?

Seeb: Ah … difícil dizer, pois nós três temos tantas origens musicais diferentes. Mas todos nós gostamos de grandes canções, talvez isso seja algo em comum.

Marcelo de Assis: No Brasil existem milhares de fãs do estilo EDM e, sucessivamente, do trabalho de vocês! Quando pretendem se apresentar por aqui?

Seeb: Ah sim! Já estivemos por aqui, por volta do final de 2017 no Rio! Nós definitivamente gostaríamos de voltar! É um dos nossos lugares favoritos do planeta.

É jornalista e pesquisador musical. Cobre shows nacionais e internacionais e já entrevistou bastante gente interessante do Brasil e do mundo. Foi vencedor do Prêmio TopBlog Brasil em 2010 na categoria "Música"e foi membro do Grammy Latino.