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Tony Bellotto: "Ópera-rock é um marco na carreira do Titãs" Tony Bellotto: "Ópera-rock é um marco na carreira do Titãs"

ENTREVISTAS

Tony Bellotto: “Ópera-rock é um marco na carreira do Titãs”

Silmara Ciuffa

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Os Titãs lançaram recentemente o novo DVD da ópera-rock Doze Flores Amarelas pela Universal Music e que também foi disponibilizado em um álbum em formato digital em todas as plataformas como o décimo quinto disco de estúdio da banda. O guitarrista Tony Bellotto concedeu uma entrevista exclusiva ao The Music Journal Brazil para falar sobre este novo projeto o qual considera “um marco na carreira dos Titãs” e que “inaugura um novo momento no rock brasileiro”.




Para esse musical, se juntaram a Sérgio Britto, Branco Mello e Tony Bellotto, o baterista Mario Fabre,  o guitarrista Beto Lee e três vocalistas: Corina Sabbas, Cyntia Mendes e Yas Werneck, que fazem as  Três Marias do espetáculo. O grupo manteve o produtor Rafael Ramos, utilizou a colaboração  em argumento, elaborada por Branco, Brito e Tony, de Hugo Possolo e Marcelo Rubens Paiva,  convocaram Jaques Morelenbaum para arranjos de cordas e fecharam a escalação.

Bellotto afirmou também em entrevista que, a atmosfera criativa de Doze Flores Amarelas mantém o espírito inicial do grupo: “Aquela essência que tínhamos em 1982 quando formamos a banda, aquela  vontade de se superar”

Confira:

Marcelo de Assis: Tony, como foi a concepção do DVD Doze Flores Amarelas, que é uma ópera-rock e a história nos reporta que a ópera também nasceu para o rock. É por aí mesmo?

Tony Bellotto: É verdade! Justamente começamos a pensar nesse projeto após lançarmos o Nheengatu (2014, Som Livre) que foi o nosso último disco, um álbum muito bem sucedido, ousado, interessante, então pensamos no projeto futuro e queríamos fazer algo que fosse motivador, não apenas um simples disco de carreira ou um conjunto de canções para tocar na rádio, para dizer que você está lançando um disco novo e nessas conversas surgiu a ideia de fazer uma ópera-rock. Pô, ninguém no Brasil fez uma ópera-rock e nós temos referências incríveis no rock como Thommy, The Wall, American Idiot, Jesus Christ Superstar, uma série de coisas interessantes e partimos dessa ideia: “vamos fazer uma ópera-rock!”. A partir daí pensamos: “Temos que ter que contar uma história, ter primeiro uma história para começarmos a compor as canções que vão contar essa história e com isso convidamos o Hugo Possolo e o Marcelo Rubens Paiva, que são amigos, dramaturgos, escritores e diretores de teatro, que são desse universo e começamos a fazer reuniões criativas conversando abertamente sem muita regra sobre o que queríamos falar e a partir daí chegamos na história dessas três meninas, sobre a violência sexual, e então começamos a fazer as músicas – as músicas ajudando as histórias, as histórias ajudando as músicas – e depois de um processo de um ano e meio nós já tínhamos a história feita e a maioria das canções, então, foi assim que nasceu.

Marcelo de Assis: E dentro dessa temática que vem sendo cada vez mais discutida no país e com a mobilização da sociedade, vocês conseguiram extrair 25 composições inéditas. Foi um processo criativo muito intenso, não?

Tony Bellotto: Foi, foi febril. Você tem razão, nessas conversas fomos percebendo que a questão mais interessante hoje em dia, a coisa mais revolucionária que tem realmente é a postura da mulher e a maneira como ela está se colocando em relação a problemas que ela sempre enfrentou em um mundo que há séculos, milênios, sempre foi dominado pelo homem, elas estão conseguindo se impor, em lutar e seu colocar em um mundo que, no fundo, sempre foi muito hostil à elas, então, a partir daí, quando encontramos esse mote de colocar essas três meninas que seriam nossas alter-egos mulheres, protagonistas, começamos a compor de uma maneira muito motivada como você falou, de uma maneira febril mesmo como não fazíamos desde o inicio da carreira, com muita gana e vontade de fazer. Eu moro no Rio, o Branco (Mello) e o (Sérgio) Britto moram aqui em São Paulo e eu passava semanas aqui e nos encontrávamos na casa do Branco todos os dias, compondo e quando eu retornava ao Rio, continuava mandando coisas para eles pelo WhatsApp e, então, fomos compondo de uma maneira muito intensa mesmo e o trabalho reflete isso, essa maneira motivada que permeia o trabalho. E é interessante porque é um trabalho que vai totalmente na contramão do que é o mercado hoje em dia. Fazem músicas individualmente, quando uma banda ou artista consagrado vai realizar um trabalho, geralmente faz um acústico ou um trabalho que ele esteja re-relançando coisas que já foram feitas. E a gente não, vamos fazer aquilo que a gente acredita, então estamos muito satisfeitos com esse trabalho e com a repercussão que ele está alcançando.

Marcelo de Assis: Analisando o material audiovisual deste projeto, tudo o que acontece nesta ópera-rock da banda reforça a conexão que você, o Sérgio Britto e o Branco Mello mantém desde sempre. Me faz me lembrar aquela época inicial de vocês no Sesc Pompéia em 1982 …

Tony Bellotto: É verdade!

Marcelo de Assis: A atmosfera é essa mesma, Tony?

Tony Bellotto: É! É incrível isso, né! Estávamos até comentando aqui, uma banda ao longo de 36 anos de carreira, com toda as transformações que passamos – integrantes saindo da banda, a morte do Marcelo (Fromer, 1961-2001)tanta coisa aconteceu e a gente consegue, depois de todo esse tempo, manter aquele espírito, aquela essência que tínhamos em 1982 quando formamos a banda, aquela vontade de se superar … Porque eu acho assim, realmente o que mantém a banda viva pra gente, é realmente essa gana de fazer as coisas, sabe? Porque no momento em que estivermos burocráticos, estivermos fazendo por fazer, aí a banda naturalmente vai morrer. Enquanto fazemos as coisas com aquela mesma crença que tínhamos a 36 anos, que é preciso superar, é preciso fazer algo que nos surpreenda e surpreenda as pessoas, então é isso que nos mantém vivos e nesse sentido esse trabalho foi muito interessante. Ela realmente sacudiu a gente. Foi muito bom fazer isso, sabe?

 

 

“O que mantém a banda viva pra gente, é realmente essa gana de fazer as coisas, sabe? Porque no momento em que estivermos burocráticos, estivermos fazendo por fazer, aí a banda naturalmente vai morrer”

 

 

 

Marcelo de Assis: Na canção Não Sei, o aspecto audiovisual reflete um ambiente de uma rede social com dois jovens de um lado do palco e uma moça solitária do outro. É uma forma de mexer em uma ferida sobre os diálogos dos jovens nas redes sociais e como foi pensar isso para esse espetáculo?

Tony Bellotto: Eu acho assim, os temas principais da ópera, como esse da violência machista contra a mulher expressada na violência sexual, tem o tema do aplicativo facilitador que é justamente a dependência desse universo cibernético tóxico e da maneira como as pessoas são levadas a uma corrente por essa onda da internet e a relação hedonista entre os jovens, um pouco inconsequente em seus atos, isso forma a essência da história. Para nós foi um desafio, falar das mulheres que é uma coisa difícil, foi algo trabalhado de uma forma sensível pela gente, falar do universo delas, da vida delas, uma coisa que exigiu muito trabalho da gente e temos que falar também dos homens escrotos, execráveis que fazem esse tipo de coisa, então essa música Não Sei é muito difícil de cantar porque ela é cantada pela primeira pessoa pelos molestadores. É uma música cruel. Essa liberdade que tivemos para criar, falando pela voz dos personagens, foi muito interessante para que conseguíssemos contar essa história, deixando bem claro nossa posição a favor da mulher, contra o machismo, das pessoas serem donas de suas próprias vidas independente de aplicativos, enfim, foi uma experiência muito legal e uma coisa inédita em nossa carreira, porque realmente você fazer alguma coisas nova depois de 36 anos você fazer uma coisa nova é um verdadeiro milagre!

Marcelo de Assis: Com toda essa experiência no mercado musical, como você analisa o rock nacional nos dias de hoje?

Tony Bellotto: Olha, eu acho assim, as coisas estão muito mais fragmentadas hoje, né? Então, quando começamos nos anos 1980, até os anos 1990, as coisas para acontecerem haviam poucos meios. Você aparecia nos programas de televisão, aparecia em dois ou três jornais importantes do país e de alguma forma atingia todo mundo. O que vemos hoje é uma grande fragmentação, as coisas não acontecem mais de um jeito só. Claro, continuamos a ver um ou outro fenômeno que consegue aparecer mais que os outros, mas as coisas acontecem em nichos. Por exemplo, hoje não temos uma referência de uma banda brasileira que aconteça nacionalmente, que esteja no mainstream. Porém vemos que existem muitas bandas que realizam trabalhos interessantes que ao meu ver comprovam a força desse rock brasileiro. Não temos mais um fenômeno como acontecia nos anos 1980 em que uma banda como Legião Urbana se tornou uma unanimidade, não vemos isso. E eu acho que muito do discurso político do rock está no rap nos dias atuais. O rap tem alguma coisa do espírito do rock no sentido de levar em frente essa mensagem mais questionadora. E ao mesmo tempo você vê muitos artistas sertanejos que fazem muito sucesso que, as vezes, quando vou a um programa de televisão vejo um dupla que eu nem sei quem são. Por isso que o mercado está mais fragmentado. Já tocamos em um festival de rock em Rondônia onde haviam muitas bandas interessantes. Então eu acho que o rock está aí e é da natureza dele quando nada está acontecendo e vem algo que quebra tudo, trazendo novos parâmetros. Eu sou muito otimista sobre o rock brasileiro apesar de vivermos um momento em que muitas pessoas falam que o rock está enfraquecido, que não tem mais a mesma força que tinha antes. Eu só acho que o momento é outro, mas vejo muita criatividade por aí.

Marcelo de Assis: Agora com o DVD no mercado, quais serão os próximos passos dos Titãs a respeito dos shows desta ópera-rock?

Tony Bellotto: Como essa turnê demanda uma coisa especial, um show maior do que fazemos normalmente com os nossos sucesso, então iniciaremos esta turnê no inicio de 2019, com as projeções, cenários e todo esse aparato. E pretendemos fazer pelo Brasil inteiro, começando em março e abril e seguir este projeto por um ano o qual estamos muito motivados e orgulhosos de termos feito.

Marcelo de Assis: O Titãs ainda contará muitas histórias, não Tony?

Tony Bellotto: (risos) Eu espero que sim, viu! (risos). Estamos realmente muito focados nesse momento da ópera, não estamos pensando em um próximo projeto, mas como te falei, nessa altura da vida e da carreira, cada projeto novo precisa ser algo muito interessante. Fazer um disco por fazer não interessa mais para gente, não dá “o barato”, temos que fazer coisas que nos movam, então, eu concordo com você que ainda contaremos algumas histórias por aí!

É jornalista e pesquisador musical. Cobre shows nacionais e internacionais e já entrevistou bastante gente interessante do Brasil e do mundo. Foi vencedor do Prêmio TopBlog Brasil em 2010 na categoria "Música"e foi membro do Grammy Latino.

ENTREVISTAS

Entrevista com Eagle-Eye Cherry: “É um prazer encerrar esta turnê no Brasil”

O cantor e compositor sueco concedeu uma entrevista exclusiva ao The Music Journal Brazil onde fala de seu relacionamento com a irmã Neneh Cherry, de suas colaborações com artistas brasileiros e de sua alegria em retornar ao Brasil.

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Entrevista com Eagle-Eye Cherry: "É um prazer encerrar esta turnê no Brasil"
Nando Machado

O cantor Eagle-Eye Cherry esteve no Brasil pela primeira vez em 1999 quando se apresentou no extinto Free Jazz Festival e voltou diversas vezes nos anos seguintes para turnês concorridas e shows esgotados. Aqui no Brasil, construiu uma sólida base de fãs, impulsionada por sua participação em trilhas sonoras de novelas, filmes e séries como Smallville, Billy Elliot e E Sua Mãe Também, além de parcerias com artistas locais como Maria Gadú e Vanessa da Mata e o guitarrista Carlos Santana.

Entrevista com Eagle-Eye Cherry: "É um prazer encerrar esta turnê no Brasil"

Filho do prestigiado trompetista Don Cherry e da pintora Monika Moki, a música está na vida de Eagle-Eye desde o começo. Com sua irmã Neneh Cherry, hoje também cantora e musicista, viajou o mundo em turnês com o pai. Aos 12 anos, mudou-se para Nova York para estudar cinema e começou a trabalhar como ator, além de baterista para diversos grupos da cena local.

Pouco depois da morte do pai em 1995, retorna a Estocolmo para começar o compor o que seria o seu primeiro grande sucesso comercial, o álbum de estreia Desireless, que projetou o músico para uma carreira internacional, vendeu mais de 4 milhões de cópias e foi disco de platina nos Estados Unidos com sua roupagem pop aliada a elementos de folk e blues.

De lá para cá, foram mais cinco álbuns de estúdio e um disco ao vivo, gravado na icônica casa de shows Circo Voador no Rio de Janeiro, onde também se apresenta nesta nova turnê. Streets of You, seu último trabalho inédito, foi lançado em 2018.

Eagle-Eye Cherry, que chegou a gravar um novo clipe em São Paulo no último domingo (20) e se apresenta na capital paulistana no Cine Joia no dia 23 de outubro e no dia 24 no Circo Voador no Rio, concedeu uma entrevista exclusiva ao The Music Journal Brazil onde fala de seu relacionamento com a irmã Neneh Cherry, de suas colaborações com artistas brasileiros e de sua alegria em retornar ao Brasil para finalizar a sua atual turnê, onde ele diz que “é um prazer muito grande encerrar esse ciclo em lugar que eu gosto tanto”.

Confira a entrevista:

Entrevista com Eagle-Eye Cherry: "É um prazer encerrar esta turnê no Brasil"

Marcelo de Assis: Qual a sensação de retornar ao Brasil e sua expectativas para os seus shows aqui?

Eagle-Eye Cherry: Estou muito feliz em retornar ao Brasil. Estamos em turnê com este álbum há mais ou menos um ano e quando descobri que os últimos shows seriam aqui eu fiquei muito animado. Eu gosto muito do público brasileiro e é um prazer muito grande encerrar esse ciclo em lugar que eu gosto tanto.

Marcelo de Assis: Eagle, você esteve aqui pela primeira há exatos 20 anos. Ainda se recorda daquele momento quando se apresentou aqui?

Eagle-Eye Cherry: Sim, foi no Free Jazz Festival com o Roots e o Finley Quayle. Eu me lembro muito bem, porque cresci ouvindo música brasileira, então, eu sempre soube que viria ao Brasil em algum momento, só que eu acreditava que seria como turista e não como artista. Naná Vasconcelos, que era amigo do meu pai, tocaram juntos e isso se mantém com uma memória muito viva para mim.

Marcelo de Assis: Como você avalia sua carreira até hoje desde o lançamento de Desireless?

Eagle-Eye Cherry: Eu me senti um homem de sorte por ter essa carreira até hoje, porque quando eu comecei eu tive muitos sonhos e realizei muitos deles. Tive participações em programas de TV, coisas que eu não imagina que eu faria e acabei realizando, mas, acima disso, eu consegui criar uma música que resistisse à prova do tempo e eu sinto que consegui isso. É uma grande realização.

 

 

“Eu gosto muito do público brasileiro e é um prazer muito grande encerrar esse ciclo em lugar que eu gosto tanto.”

 

 

 

 

Marcelo de Assis: E você é irmão da Neneh Cherry. Como é a relação de vocês e como vocês discutem a música?

Eagle-Eye Cherry: Eu sou um grande amigo da minha irmã. É minha pessoa favorita. Eu não a vejo sempre, mas, temos uma relação ótima. Temos uma compreensão sobre o outro muito grande e quando estamos juntos, na maior parte do tempo, não falamos sobre trabalho. Cozinhamos e fazemos coisas juntos, mas eu sei que se eu precisar conversar sobre música com alguém, uma das pessoas que mais me entendem é minha irmã, então, me sinto confortável para falar com ela sobre qualquer coisa.

Marcelo de Assis: Você já trabalhou com artistas brasileiros como Maria Gadú e Vanessa da Mata. Como foi essas colaborações e o que elas agregaram em sua carreira?

Eagle-Eye Cherry: Tive uma colaboração com a Maria Gadú e quando estava pensando em fazer uma colaboração, eu descobri a voz dela que é uma coisa maravilhosa e acredito que a música foi para outro patamar e com a Vanessa da Mata, eu acabei descobrindo ela depois de uma colaboração com o Ben Harper, de quem eu sou muito fã e acredito que essas colaborações agregam muito e eu fiquei muito feliz com ambos os resultados.

Marcelo de Assis: Quem é o Eagle-Eye Cherry?

Eagle-Eye Cherry: Eu faço essa pergunta todos os dias quando eu acordo e me olho no espelho! (risos). E quando eu levo muito tempo em gravar um álbum e outro é porque eu ainda tenho dificuldade com essa parte de celebridade. Eu gosto muito de tocar, é tudo para mim, é como respirar, comer, algo vital. Mas ainda tenho essa dificuldade de estar muito exposto e as vezes faço pausas maiores na carreira. Tem esses dois Eagles: o cara que sobe no palco e outro que é uma pessoal normal, que prefere ficar longe das câmeras.

Marcelo de Assis: Música tem que ser a celebração da vida ….

Eagle-Eye Cherry: Sim! Exatamente!

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ENTREVISTAS

Entrevista com Lucas Lucco: “Guardo dentro de mim muitos sonhos.”

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Entrevista com Lucas Lucco: "Meu novo projeto é trazer uma proximidade com o público"
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O cantor e compositor Lucas Lucco lotou semana passada o Madalena Gastrobar, em Goiânia. Foram cerca de 500 pessoas no espaço para prestigiar uma estreia. Qual? Nada mais, nada menos, do que o novo projeto de Lucas, intitulado De Bar em Bar. Com a presença de amigos, fãs e da noiva, Lorena Carvalho, o cantor trouxe ao público 5 canções inéditas. São elas: Ex pegador, Rolo coisa e tal, Desnecessário, Sumiu do mapa, Boquinha de cerveja, Disney, além de trechos de seus sucessos.

Com muita animação, mas sem deixar o romantismo de lado, a novidade do novo trabalho irá rodar por diversos bares Brasil afora, sempre carregando consigo músicas inéditas para o público, além de enaltecer a cultura regional e as histórias dos povos pelo país.

Em uma entrevista exclusiva ao The Music Journal Brazil, Lucco falou mais sobre este projeto, sobre a turnê de A Origem e como ele analisa a carreira como um todo. Confira:

Entrevista com Lucas Lucco: "Meu novo projeto é trazer uma proximidade com o público"

Marcelo de Assis: Lucas, como nasceu a ideia de realizar este projeto “De Bar em Bar”?

Lucas Lucco: A ideia nasceu com o objetivo de reunir amigos e fãs em um clima agradável e descontraído, com intuito de celebrar as raízes da música popular brasileira, em especial o sertanejo.

Marcelo de Assis: O intuito deste novo projeto é reunir amigos e fãs. Ou seja, a nova série de shows seria algo mais intimista se comparado aos grandes shows?

Lucas Lucco: Não diria intimista, mas a ideia é trazer uma proximidade com o público, com palco menor, mais baixo e com a possibilidade de andança nas passarelas e no próprio balcão.

Marcelo de Assis: Você pretende usar esse encontro como uma label registrada. Como funcionará isto?

Lucas Lucco: A ideia é bem recente, mas pretendo tornar uma label registrada sim, com certeza.

Marcelo de Assis: Como tem sido a turnê de A Origem?

Lucas Lucco: Tem sido muito bacana, estamos rodando o Brasil todo, onde posso compartilhar com o público uma das minhas grandes paixões, que é o sertanejo, além da aproximação com os fãs, que são sempre muito fieis.

 

 

“É incrível, o balanço que faço é muito positivo. São anos de muito aprendizado, muito crescimento pessoal e profissional.”

 

Marcelo de Assis: Lucas, como você analisa sua carreira como um todo? Em outras palavras, como foi o processo de amadurecimento neste sentido?

Lucas Lucco: É incrível, o balanço que faço é muito positivo. São anos de muito aprendizado, muito crescimento pessoal e profissional. Tive a oportunidade de conhecer pessoas incríveis neste caminho, que fizerem e fazem toda a diferença na minha vida.

Marcelo de Assis: Quanto à música sertaneja, o que mudou desde o inicio de sua carreira?

Lucas Lucco: A música sertaneja sempre esteve em alta, temos artistas incríveis hoje em dia e isto só tem crescido. Acredito que o principal destaque atualmente seja a ascensão das duplas femininas, o feminejo veio com tudo!

Marcelo de Assis: Quais são seus planos para 2020?

Lucas Lucco: Ah, são muitos. Quero lançar novos projetos, músicas e trabalhar muito. Amo o que faço, de todo o coração.

Marcelo de Assis: A tônica de seu trabalho sempre foi o romantismo. Por que o sertanejo dialoga tanto com esse sentimento?

Lucas Lucco: Sim, eu sempre fui apaixonado por música sertaneja, sempre fui um cara romântico. Acho que temos o sertanejo moderno dialoga muito com este sentimento, e isto é incrível.

Marcelo de Assis: Luccas, tem algum sonho que você ainda não realizou?

Lucas Lucco: Sou um cara muito realizado, mas guardo dentro de mim muitos sonhos. Com fé e trabalho, espero
conseguí-los.

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ENTREVISTAS

Entrevista com Rodrigo Suricato: “Estou em um momento muito significativo”

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Entrevista com Rodrigo Suricato: "Estou em um momento muito significativo"
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No mês passado, Rodrigo Suricato lançou seu novo EP homônimo pela Universal Music e concedeu uma entrevista exclusiva ao The Music Journal Brazil onde ele fala sobre o processo criativo deste novo trabalho, do seu gosto pela leitura que tanto influenciou a contextualização de suas letras e de sua opinião sobre a música pop e rock do Brasil nos dias atuais, onde ele elogia a ascensão de outros gêneros musicais e, inclusive, a cantora Anitta: “Ela é  muito mais rock´n´roll do que eu!”.

Confira:

Marcelo de Assis: Como o Suricato está se sentindo com o lançamento deste EP? Me parece algo muito significativo, não?

Rodrigo Suricato: Sim, cara! É um momento muito bonito, muito significativo como você falou! Foram dois anos compondo um repertório com mais de 30 canções onde eu selecionei 10 canções. E como culminou de eu estar vivendo um processo individual, pessoal, muito intenso de um mergulho muito bonito, então, eu não havia planejado mas acabou sendo um disco do qual eu toquei 85% dos instrumentos que estão ali, produzi o álbum com o meu amigo Marcos Vasconcelos, compus todas as canções, enfim, tive que me desdobrar e estar performando no palco defendendo esse repertório com os instrumentos e tudo. E está sendo bem bonito, não via realmente a hora de reencontrar meu público com canções que eu acredito e com mensagens que eu quero passar.

Marcelo de Assis: Eu imagino quão foi difícil para você, como compositor, dentre tantas faixas, escolher algumas apenas. Como foi esse processo e como se desenhou o fator determinante para a escolha de cada uma delas que compõe o EP?

Rodrigo Suricato: O EP traduz um pouco a atmosfera sonora que existe no disco com a apropriação de alguns elementos eletrônicos, a minha forma de compor com a minha assinatura na composição através da canção Admirável Estranho, a canção que dará título ao álbum que é Na Mão as Flores, que seja um pouco mais conceitual com uma frase que adoro: “Diz que o pior de mim está na mesma mão que trago flores para você”…

Marcelo de Assis: Muito forte …

Rodrigo Suricato: É! A aceitação da gente durante a vida, a gente saber um pouco mais do conhecimento dos nossos defeitos, mas também valorizar o que a gente tem de mais bonito. Eu acho que esse disco valorizou o que eu tenho de mais bonito e eu gostaria que as pessoas ouçam, porque ele trata também de canções que não só referentes a mim, Suricato, mas como a qualquer outra pessoa. Então, as letras abordam uma questão muito mais humanas do que individual do que eu passo no meu cotidiano, no meu dia-a-dia.

 

 

“Eu acho que esse disco valorizou o que eu tenho de mais bonito e eu gostaria que as pessoas ouçam, porque ele trata também de canções que não só referentes a mim, Suricato, mas como a qualquer outra pessoa.”

 

 

 

Marcelo de Assis: É parte de uma auto-observação, uma forma de como você enxerga a vida, você traduz isso para as suas composições …

Rodrigo Suricato: É, tenho muita sorte de poder traduzir em palavras do pouco que eu vivo.

Marcelo de Assis: Admirável Estranho te toca muito profundamente. O que ela tem de especial para você enquanto compositor. Como é essa sintonia?

Rodrigo Suricato: Muito curioso que Admirável Estranho tenha sido a primeira canção que eu compus. E por coincidência do destino também será a primeira que dará largada a este novo processo. Ela funcionará como todas as outras minhas canções, eu não me aproprio de um outro personagem para compor elas, pelo menos não neste disco. Ela tem uma história muito bonita. A ideia da composição diz o quanto as pessoas estão ao seu lado. As vezes estamos ao lado de uma pessoa tão admirável, ela te impacta de uma maneira tão profunda mas ela jamais saberá disso, porque você jamais terá um elogio para que ela entenda isso de uma forma mais profunda. Tem muita gente que admiramos e que nunca mais veremos na vida e elas não saberão disso, então, ela tem essa coisa platônica mas muito verdadeira.

Marcelo de Assis: Você é um artista muito versátil, trabalha vários instrumentos musicais … Como nasceu esse plural de habilidades?

Rodrigo Suricato: Eu costumo dizer nasci guitarrista e compositor eu quis ser! Eu comecei ganhando minha vida nos bares e na noite “só os fortes sobrevivem” (risos). Eu tocava guitarra, violão e não cantava até então. Eu tive que aprender a cantar para que aquilo ali potencializasse o modo de vida que eu havia escolhido. Larguei a faculdade de economia, me dedicando inteiramente à música e comecei a tocar com outros artistas. A partir daí fui me interessando pela leitura e fui desenvolvendo o meu próprio texto, minha própria maneira de compor. Desde cedo eu quis usar meu trabalho como desenvolvimento do que eu sou pessoalmente e artisticamente. A pessoa que você vai ver fora do palco será a mesma que virá acima no palco.

Marcelo de Assis: E existe um grande teor poético em suas letras. Isso já vem pela influência de sua leitura …

Rodrigo Suricato: Sim e principalmente porque o melhor do texto é aquilo que fica, de tudo o que você vai extrair, a coisa de você esculpir as palavras. Esse interesse veio realmente depois, porque como eu comecei guitarrista, eu segui muito pelo universo dos instrumentos, dos instrumentistas e, então, comecei a me aprofundar muito sobre os instrumentos exóticos… Sou um curioso mesmo, né? Sou um curioso em meu trabalho. Eu gosto de ser o que eu sou, não ficar em um pedestal artístico, eu gosto de circular entre as pessoas e poder fazer o que eu faço de melhor.

Marcelo de Assis: Como você analisa o pop e o rock nacional de hoje em termos poéticos e de estrutura musical?

Rodrigo Suricato: Eu não tenho escutado tanta coisa vinda de rock nacional. Acho que na questão de atitude, o que representa isso seja o rap hoje em dia. Acho que a roda da vida está colocando o rap e o hip-hop em uma evidência em um momento em que eles jamais se encontraram. E eu acho maravilhoso, porque você vai em um show e vê as as pessoas estão cantando aquelas músicas enormes e na minha geração eu me vangloriava muito de sabermos a letra de Faroeste Caboclo inteira. Eu acho isso maravilhoso. É a profunda transformação da vida e a mudança do paradigma do comportamento. Do que um roqueiro deveria fazer. Um amigo meu fala que eu sou o roqueiro mais frustrante que ele ja viu na dele vida inteira …

Marcelo de Assis: Por quê? (risos)

Rodrigo Suricato: Porque eu durmo cedo, eu acordo seis horas da manhã, … (risos).

Marcelo de Assis: Ou seja, você estaria na contramão do que seria o estereótipo do rock …

Rodrigo Suricato: A Anitta é muito mais rock´n´roll do que eu! E muito mais rock´n´roll do que os principais rockers do Brasil. Então é maravilhoso ver essa mudança de postura. O que é rock´n´roll? Eu não sei dizer o que é rock´n´roll é muito mais do que uma guitarra distorcida.

Marcelo de Assis: Seu trabalho é muito elogiado por nomes como Paulinho Moska, Nando Reis, Lulu Santos e por uma lenda do rock argentino que é o Fito Paez. Como você recebe toda essa admiração desses artistas?

Rodrigo Suricato: Para mim é maravilhoso! Pra mim é a concretização do meu crivo, porque quando começamos a fazer isso, a nunca achamos que estamos certos, buscando referências nas vidas dos outros em histórias de sucesso, algo que possa servir para a sua própria vida e na verdade, não, cada vida é uma vida e ninguém está atrasado em relação a ninguém, o meu relógio é completamente diferente do seu, de qualquer pessoa. A perspectiva passa a ser muito cruel nesse sentido, fazendo você acreditar que o seu trabalho é muito ruim. Para mim é maravilhoso! No caso do Lulu (Santos), contando um segredo para você, ele foi talvez a melhor e a pior coisa que aconteceu para mim durante o meu processo musical, porque o Lulu me chamou para tocar guitarra com ele e eu já tocava no The Voice, eu gravava as guitarras do programa com o produtor do meu disco, Marco Vasconcellos, e ele me convidou para tocar com ele. Só que esse convite não se concretizou. E por conta do convite do Lulu, eu declinei da minha renovação com o The Voice. Então, passei um tempo desempregado e me descobri um compositor melhor ainda. E calhou de serem as canções Sol-Te que foi agraciado com um Grammy Latino. É maravilhoso ser reconhecido por essas pessoas, mas não sobe muito na cabeça, não!

 

 

“A Anitta é muito mais rock´n´roll do que eu!”

 

 

 

Marcelo de Assis: Suricato, você fala sobre o teor do tempo de uma forma bem concreta, concisa. Então te pergunto: o que é o ontem, o hoje e o amanhã?

Rodrigo Suricato: Olha, só temos o “hoje” na verdade. E a única coisa que sabemos é que nada se muda no passado. Ter a possibilidade de se reconectar e se reconstruir a cada instante, foi uma das maiores descobertas da minha vida. Aceitar e chegar ao lugar onde estou hoje e poder abraçar os meus erros. O pior de mim está na mesma mão que trago flores pra você! É abraçar o Rodrigo lá de trás e dizer: “Cara, você não sabia tudo e agora deixa comigo que estou no comando e te levarei para um lugar melhor!” Eu só tenho o hoje, cara. Eu não faço previdência privada de amor, de afeto. Tudo o que eu tenho é para viver agora!

Marcelo de Assis: Como será a promoção deste seu novo trabalho, Suricato?

Rodrigo Suricato: São 10 músicas gravadas, com 10 webclipes que não contarão com dramaturgia, não tem mocinha, não tem bandido e sim eu tocando com uma atmosfera com luzes da forma como eu enxergo esse novo trabalho. Pretendo ir para a estrada a partir de Agosto com as novas canções e performando sozinho os instrumentos. É um show do qual eu não posso vacilar, meu baterista não pode estar em um dia ruim porque ele faz parte da mesma pessoa e isso pode arruinar tudo. É um show que exige muito de mim realmente e ele será maravilhoso.

Marcelo de Assis: Como é estar a frente do Barão Vermelho?

Rodrigo Suricato: O Barão Vermelho é maravilhoso, é o melhor processo coletivo que ja vivi em minha vida. Fazer parte de uma banda com tanta história e pelas pessoas que fundaram o Barão Vermelho. Eles que ligaram para o Cazuza, que ligaram para o Frejat e construiram essa história lindíssima. Para mim é muito bom ter essa plataforma de comunicação mais coletiva e o Suricato é aquela coisa mais individual. Muitas bandas acabam na verdade porque as pessoas não tem essa liberdade de poder se expressar através de outros trabalhos, de outra plataformas. O que eu acho muito cruel. Quando você analisa a história de uma banda, elas terminam exatamente pelos mesmos motivos. Imagine você ser obrigado a trabalhar com as pessoas que você conheceu na sua infância pelo resto da sua vida. Isso é muito cruel, então, esse “respiro” é maravilhoso. Eu tenho agora a sorte de poder fazer isso com o Barão Vermelho.

Marcelo de Assis: Quem é Rodrigo Suricato?

Rodrigo Suricato: Rapaz, eu estou descobrindo agora falando com você!

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