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A jovem cantora Tuca Mei, de 23 anos, concedeu uma entrevista exclusiva ao The Music Journal Brazil para falar sobre o seu álbum-début, o EP Olhos Atentos que chega ao mercado através da Tuaregue, com distribuição da Tratore, com 5 músicas que são relatos poéticos de experiências vividas pela artista.




Tuca também falou sobre o inicio de sua carreira, a concepção deste álbum que foi lançado em setembro de 2018, além de suas inspirações para compor e sua forma de observar as coisas, onde ela mostra sua convicção em uma frase: “Eu acho que tudo tem significado na vida”.

Confira:

Marcelo de Assis: “Olhos Atentos”… Por que esse título para o EP?

Tuca Mei: É porquê o nome “Tuca” é de origem indígena e o seu significado é “Olhos Atentos”. Eu descobri isso mais tarde, porquê é um apelido meu, sempre foi, meu nome é Antônia, mas sempre fui chamada de “Tuca” pela minha família e amigos …

Marcelo de Assis: Mas é um belo nome …

Tuca Mei: Pois é (risos) só que eu acho ele muito sério. Mas o significado dele é lindo também: amiga inestimável! É linda também!

Marcelo de Assis: Você se apega ao significado dos nomes assim?

Tuca Mei: Eu me apego ao significado de tudo, Marcelo! (risos). Eu sou uma pessoa muito conectada com a sincronia das coisas. Eu acho que tudo tem significado na vida. Uma folha não cai em um lugar a toa. Ela tem inúmeros motivos para cair ali. Sou otimista mas buscando sempre essa sincronia da vida que me leva para os caminhos e eu vou indo … E a música foi um caminho que foi fluindo, que fui permitindo e eu acho que Olhos Atentos tem a ver com esse meu lado de perceber algumas coisas com uma canção mais específica. É a canção de olhar os detalhes, das coisas que não são vistas. Por isso que gostei de Olhos Atentos porquê todas as músicas falam de relacionamentos que tive, todas as experiências que tive. Era só eu comigo mesma, com meu olhar sobre as coisas. O que passa dentro da gente, as vezes, pode representar várias coisas, por isso que eu quis intitular Olhos Atentos, porquê simboliza muito o conjunto das músicas e me representa como indivíduo.

Marcelo de Assis: E essa forma natural de observação, até como definição para o nome do álbum, também é uma resposta de como você entrou na música, até porquê você se espelhou em sua irmã mais velha. Essa observação já não começou aí?

Tuca Mei: Sim, porquê quando eu era criança eu era meio “muda” (risos). A minha irmã era muito agitada e muito falante. Eu era muito quieta e observadora, então, eu observava as pessoas, as coisas e a minha irmã literalmente me introduziu em tudo na arte: me ensinou as primeiras formas geométricas, estrelas, triângulos, pintava comigo, fez piano clássico e depois entrei, ela fez dança e depois eu entrei, então, ela foi me introduzindo neste universo. A minha irmã é super artística também, mas nunca teve essa vontade de se dedicar como eu. Mas é curioso porquê ela me introduziu para muitas coisas e sempre fomos muito parceiras de vida, de alma, muito diferente uma da outra mas sempre nos complementamos muito bem. Então, a música para mim foi fundamental. Faço essa dedicatória a ela que me abriu as portas, né? A minha família, a minha vó que me cantava música para dormir, músicas folclóricas, tradições de família… Eu queria sempre transmitir a essência que eu carrego.

Marcelo de Assis: Ou seja, sua irmã não só te introduziu na música mas ela te despertou para algo que hoje você percebe que ama …

Tuca Mei: Ah sim, com certeza! E ela sempre me incentivou. Ela me disse: “Tuca, eu acho que você toca as pessoas com a sua música e você ainda não percebeu isso”. Porquê era uma época que eu cantava, tocava mas brincava. Sem esperar muito. Não tinha muitas ambições. E minha irmã me dizia: “Você confia que quem escutar a sua música vai saber o que você quer passar” …

Marcelo de Assis: Quando comecei a escutar seu álbum, gostei muito de “Farol”. Ouvi umas seis vezes …

Tuca Mei: É minha última composição antes de eu lançar o EP. Eu achei curioso você ter logo capitado Farol porquê é uma música realmente muito sensível. Compus ela em 1 hora e eu senti como se tivesse uma energia entrando no meu corpo, meio que envolve você e eu nem considero as músicas exatamente minhas – eu sempre considero elas como um presente – pra você ver que eu não tenho apego. As vezes colocamos muito apego nas coisas. É deixar a história dos outros entrarem na música e fazer sentido de diferentes formas para elas …

 

 

Eu sou uma pessoa muito conectada com a sincronia das coisas. Eu acho que tudo tem significado na vida. Uma folha não cai em um lugar a toa. Ela tem inúmeros motivos para cair ali. Sou otimista mas buscando sempre essa sincronia da vida que me leva para os caminhos e eu vou indo …”

 

 

 

Marcelo de Assis: Este álbum tem um contexto literário de coisas bem profundas. Esse tipo de composição a qual você olha para dentro de si e através de sua escrita procura explicar uma história, sobre algo que você viveu, será uma temática em sua carreira?

Tuca Mei: Eu acho que sim … As pessoas que me conhecem sempre comentavam que eu era uma contadora de histórias, por lembrar de detalhes, sensações, olhares e as pessoas ficavam muito impressionadas como eu conseguia lembrar de tantos detalhes. E quando fui produzir o EP, um dos produtores notou isso: “Tuca, você é uma contada de histórias! Suas músicas são histórias e eu consigo visualizar quando escuto elas”. Sempre será uma temática! Minhas histórias e histórias de outras pessoas, inspirações que transformo em coisas bonitas, tristes, mas que toque quem escute. Que despertem alguma coisa!

Marcelo de Assis: É mais fácil falar da alegria ou da dor?

Tuca Mei: É como aquela famosa frase: (cantando) “Mas pra fazer um samba com beleza / É preciso um bocado de tristeza, É preciso …” (Samba da Benção, 1966 – Vinicius de MoraesGravadora Elenco). Pra fazer um samba a gente precisa de muita tristeza (risos).

Marcelo de Assis: Essa é a parte boa do jornalismo musical, quando a artista canta na entrevista …

Tuca Mei: (Risos). Mas eu acho que eu tenho facilidade para compor coisas tristes, porque eu usava a música para transformar sentimentos ruins em coisas boas…

Marcelo de Assis: Uma vávula de escape?

Tuca Mei: Exatamente isso! Pra liberar, para não guardar no peito? Eu usava muito isso para colocar para fora, alguns sentimentos que eu não conseguia explicar, porque sempre fui muito alegre e as pessoas não entendiam muito porquê eu fazia músicas tão tristes. Mas era uma sensação que não cabia em mim. Eu queria transformar aquilo em uma coisa bonita. Mas ultimamente ando fazendo coisas muito mais alegres. Mesmo na tristeza eu trago uma leveza. Eu sinto isso assim.

Marcelo de Assis: Em suas referências musicais imediatas, existem nomes como Marisa Monte, Lady Gaga e Lana Del Rey. Como você define sua sonoridade, trabalhando elas em suas composições?

Tuca Mei: Eu tenho muitas, muitas referências, mas esses traços da sonoridade é porque eu tive muita influência de música clássica e musicais. Eu tenho uma noção de que a música precisa de um clímax, de um movimento. Eu sempre observei as trilhas sonoras nos filmes. A própria questão da Lana Del Rey é porquê a música dela tem uma coisa vintage que lembra algo meio atemporal, que você pode ouvir em qualquer situação, qualquer época, que você vai se identificar e fará sentido para você. Mas eu introduzi muitos elementos de musicais, de trilha sonora e fiz um estudo disso. Foi mais inconsciente, intuitivo do que teórico.

Marcelo de Assis: E como foi a concepção e produção do EP “Olhos Atentos”?

Tuca Mei: Quando eu produzo uma música, eu sou muito “redonda” nela: eu já venho com a composição praticamente pronta. Eu cheguei no estúdio com as músicas prontas e pedi aos produtores: “Eu quero que vocês encontrem o potencial da música!”. Eu sabia que a música tinha um potencial que ainda não foi alcançado. Ali fomos encontrando o potencial de cada música e respeitando o processo delas. Como elas são de diferentes épocas da minha vida – minha primeira composição foi com 14 anos e a Farol, foi com 20 anos – então foram processos diferentes.

Marcelo de Assis: Acho que teremos um álbum acústico no futuro …

Tuca Mei: Pois é. Estamos pensando nessa questão acústica, como as pessoas gostam de ouvir as minhas canções na forma acústica, toda hora alguém pede para eu puxar um violão … (risos).

Marcelo de Assis: E shows, apresentações… Como você está se planejando?

Tuca Mei: Estou no começo do processo, então organizando agendas, divulgando meu trabalho. Como sou iniciante, eu não tinha uma estrutura de apoio. Hoje eu tenho. Foi tudo muito espontâneo. Quando fui para a produção no estúdio, eu nem estava pensando muito na questão de carreira. Só queria produzir as música para tê-las e no processo fomos percebendo essa possibilidade. O próprio lançamento do EP foi um teste. É muito legal quando as pessoas vem até você e falam das músicas que ouviram. Agora, quanto aos shows é um processo de construção.

Marcelo de Assis: Com quem você dividiria o palco?

Tuca Mei: Eu nunca pensei nisso, olha que engraçado! …. Dividiria o palco com Francisco El Hombre, talvez com Caetano… vamos sonhar grande né? (risos). A Duda Beat, o som dela é muito interessante … Marisa Monte também, quem sabe … (risos).

Marcelo de Assis: Você está tatuada na capa. Como surgiu essa ideia?

Tuca Mei: Eu desenvolvi a capa através de um primo meu de Minas Gerais, que é fotógrafo – mantive tudo em família, está percebendo né? (risos) – e eu queria que fosse uma coisa muito pessoal. Pessoas que tiveram contato comigo na fase da infância, que fizeram parte desses meus momentos. E quando tiramos as fotos, desenvolvendo todo esse processo, meu primo percebeu e me perguntou: “O que você sente que esse EP te representa?” Eu acho que representa muito esse lado da vulnerabilidade, de estar com o coração aberto para tudo e pensamos muito nessa ideia de pintar meu corpo com o coração no meio com várias flores saindo dele. O florescer dessa vulnerabilidade, se mostrar ao mundo quem você é o que não é fácil. As pessoas colocam máscaras, te tratam de diferentes formas e a pintura fez todo sentido e para o que está sendo dito no EP.

Marcelo de Assis: Como artista independente, qual sua análise sobre o mercado musical nos dias de hoje?

Tuca Mei: É um mercado que não é fácil, porque você necessita de muito mais trabalho do que um artista que está em uma gravadora, que possui investimento ao mesmo tempo que você tem muito mais liberdade para a sua criatividade. Só que seria interessante ter pessoas competentes para te orientar eu busquei isso. Uma equipe de apoio para me ajudar a desenvolver as minhas ideias e que se mostrem viáveis para esse mundo, para que as pessoas consumam, porque infelizmente para quem quer viver de música, as pessoas precisam consumir. Não adianta fazer uma coisa linda, criativa, mas que não caiba na realidade do nosso mundo. O mercado independente tem essa coisa boa mas tem seus desafios.

Marcelo de Assis: O céu é o limite. Em termos de carreira, o que é o céu para você?

Tuca Mei: O céu? (pensativa) Eu acho que é um show com muitas pessoas cantando comigo. Eu tenho sempre essa visualização. Isso seria o céu para mim. A minha música seguir para lugares distantes …

Marcelo de Assis: Tuca por Tuca!

Tuca Mei: Espontânea! Sou espontânea!

É jornalista e pesquisador musical. Cobre shows nacionais e internacionais e já entrevistou bastante gente interessante do Brasil e do mundo. Foi vencedor do Prêmio TopBlog Brasil em 2010 na categoria "Música"e foi membro do Grammy Latino.

ENTREVISTAS

Entrevista com Eagle-Eye Cherry: “É um prazer encerrar esta turnê no Brasil”

O cantor e compositor sueco concedeu uma entrevista exclusiva ao The Music Journal Brazil onde fala de seu relacionamento com a irmã Neneh Cherry, de suas colaborações com artistas brasileiros e de sua alegria em retornar ao Brasil.

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Entrevista com Eagle-Eye Cherry: "É um prazer encerrar esta turnê no Brasil"
Nando Machado

O cantor Eagle-Eye Cherry esteve no Brasil pela primeira vez em 1999 quando se apresentou no extinto Free Jazz Festival e voltou diversas vezes nos anos seguintes para turnês concorridas e shows esgotados. Aqui no Brasil, construiu uma sólida base de fãs, impulsionada por sua participação em trilhas sonoras de novelas, filmes e séries como Smallville, Billy Elliot e E Sua Mãe Também, além de parcerias com artistas locais como Maria Gadú e Vanessa da Mata e o guitarrista Carlos Santana.

Entrevista com Eagle-Eye Cherry: "É um prazer encerrar esta turnê no Brasil"

Filho do prestigiado trompetista Don Cherry e da pintora Monika Moki, a música está na vida de Eagle-Eye desde o começo. Com sua irmã Neneh Cherry, hoje também cantora e musicista, viajou o mundo em turnês com o pai. Aos 12 anos, mudou-se para Nova York para estudar cinema e começou a trabalhar como ator, além de baterista para diversos grupos da cena local.

Pouco depois da morte do pai em 1995, retorna a Estocolmo para começar o compor o que seria o seu primeiro grande sucesso comercial, o álbum de estreia Desireless, que projetou o músico para uma carreira internacional, vendeu mais de 4 milhões de cópias e foi disco de platina nos Estados Unidos com sua roupagem pop aliada a elementos de folk e blues.

De lá para cá, foram mais cinco álbuns de estúdio e um disco ao vivo, gravado na icônica casa de shows Circo Voador no Rio de Janeiro, onde também se apresenta nesta nova turnê. Streets of You, seu último trabalho inédito, foi lançado em 2018.

Eagle-Eye Cherry, que chegou a gravar um novo clipe em São Paulo no último domingo (20) e se apresenta na capital paulistana no Cine Joia no dia 23 de outubro e no dia 24 no Circo Voador no Rio, concedeu uma entrevista exclusiva ao The Music Journal Brazil onde fala de seu relacionamento com a irmã Neneh Cherry, de suas colaborações com artistas brasileiros e de sua alegria em retornar ao Brasil para finalizar a sua atual turnê, onde ele diz que “é um prazer muito grande encerrar esse ciclo em lugar que eu gosto tanto”.

Confira a entrevista:

Entrevista com Eagle-Eye Cherry: "É um prazer encerrar esta turnê no Brasil"

Marcelo de Assis: Qual a sensação de retornar ao Brasil e sua expectativas para os seus shows aqui?

Eagle-Eye Cherry: Estou muito feliz em retornar ao Brasil. Estamos em turnê com este álbum há mais ou menos um ano e quando descobri que os últimos shows seriam aqui eu fiquei muito animado. Eu gosto muito do público brasileiro e é um prazer muito grande encerrar esse ciclo em lugar que eu gosto tanto.

Marcelo de Assis: Eagle, você esteve aqui pela primeira há exatos 20 anos. Ainda se recorda daquele momento quando se apresentou aqui?

Eagle-Eye Cherry: Sim, foi no Free Jazz Festival com o Roots e o Finley Quayle. Eu me lembro muito bem, porque cresci ouvindo música brasileira, então, eu sempre soube que viria ao Brasil em algum momento, só que eu acreditava que seria como turista e não como artista. Naná Vasconcelos, que era amigo do meu pai, tocaram juntos e isso se mantém com uma memória muito viva para mim.

Marcelo de Assis: Como você avalia sua carreira até hoje desde o lançamento de Desireless?

Eagle-Eye Cherry: Eu me senti um homem de sorte por ter essa carreira até hoje, porque quando eu comecei eu tive muitos sonhos e realizei muitos deles. Tive participações em programas de TV, coisas que eu não imagina que eu faria e acabei realizando, mas, acima disso, eu consegui criar uma música que resistisse à prova do tempo e eu sinto que consegui isso. É uma grande realização.

 

 

“Eu gosto muito do público brasileiro e é um prazer muito grande encerrar esse ciclo em lugar que eu gosto tanto.”

 

 

 

 

Marcelo de Assis: E você é irmão da Neneh Cherry. Como é a relação de vocês e como vocês discutem a música?

Eagle-Eye Cherry: Eu sou um grande amigo da minha irmã. É minha pessoa favorita. Eu não a vejo sempre, mas, temos uma relação ótima. Temos uma compreensão sobre o outro muito grande e quando estamos juntos, na maior parte do tempo, não falamos sobre trabalho. Cozinhamos e fazemos coisas juntos, mas eu sei que se eu precisar conversar sobre música com alguém, uma das pessoas que mais me entendem é minha irmã, então, me sinto confortável para falar com ela sobre qualquer coisa.

Marcelo de Assis: Você já trabalhou com artistas brasileiros como Maria Gadú e Vanessa da Mata. Como foi essas colaborações e o que elas agregaram em sua carreira?

Eagle-Eye Cherry: Tive uma colaboração com a Maria Gadú e quando estava pensando em fazer uma colaboração, eu descobri a voz dela que é uma coisa maravilhosa e acredito que a música foi para outro patamar e com a Vanessa da Mata, eu acabei descobrindo ela depois de uma colaboração com o Ben Harper, de quem eu sou muito fã e acredito que essas colaborações agregam muito e eu fiquei muito feliz com ambos os resultados.

Marcelo de Assis: Quem é o Eagle-Eye Cherry?

Eagle-Eye Cherry: Eu faço essa pergunta todos os dias quando eu acordo e me olho no espelho! (risos). E quando eu levo muito tempo em gravar um álbum e outro é porque eu ainda tenho dificuldade com essa parte de celebridade. Eu gosto muito de tocar, é tudo para mim, é como respirar, comer, algo vital. Mas ainda tenho essa dificuldade de estar muito exposto e as vezes faço pausas maiores na carreira. Tem esses dois Eagles: o cara que sobe no palco e outro que é uma pessoal normal, que prefere ficar longe das câmeras.

Marcelo de Assis: Música tem que ser a celebração da vida ….

Eagle-Eye Cherry: Sim! Exatamente!

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ENTREVISTAS

Entrevista com Lucas Lucco: “Guardo dentro de mim muitos sonhos.”

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Entrevista com Lucas Lucco: "Meu novo projeto é trazer uma proximidade com o público"
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O cantor e compositor Lucas Lucco lotou semana passada o Madalena Gastrobar, em Goiânia. Foram cerca de 500 pessoas no espaço para prestigiar uma estreia. Qual? Nada mais, nada menos, do que o novo projeto de Lucas, intitulado De Bar em Bar. Com a presença de amigos, fãs e da noiva, Lorena Carvalho, o cantor trouxe ao público 5 canções inéditas. São elas: Ex pegador, Rolo coisa e tal, Desnecessário, Sumiu do mapa, Boquinha de cerveja, Disney, além de trechos de seus sucessos.

Com muita animação, mas sem deixar o romantismo de lado, a novidade do novo trabalho irá rodar por diversos bares Brasil afora, sempre carregando consigo músicas inéditas para o público, além de enaltecer a cultura regional e as histórias dos povos pelo país.

Em uma entrevista exclusiva ao The Music Journal Brazil, Lucco falou mais sobre este projeto, sobre a turnê de A Origem e como ele analisa a carreira como um todo. Confira:

Entrevista com Lucas Lucco: "Meu novo projeto é trazer uma proximidade com o público"

Marcelo de Assis: Lucas, como nasceu a ideia de realizar este projeto “De Bar em Bar”?

Lucas Lucco: A ideia nasceu com o objetivo de reunir amigos e fãs em um clima agradável e descontraído, com intuito de celebrar as raízes da música popular brasileira, em especial o sertanejo.

Marcelo de Assis: O intuito deste novo projeto é reunir amigos e fãs. Ou seja, a nova série de shows seria algo mais intimista se comparado aos grandes shows?

Lucas Lucco: Não diria intimista, mas a ideia é trazer uma proximidade com o público, com palco menor, mais baixo e com a possibilidade de andança nas passarelas e no próprio balcão.

Marcelo de Assis: Você pretende usar esse encontro como uma label registrada. Como funcionará isto?

Lucas Lucco: A ideia é bem recente, mas pretendo tornar uma label registrada sim, com certeza.

Marcelo de Assis: Como tem sido a turnê de A Origem?

Lucas Lucco: Tem sido muito bacana, estamos rodando o Brasil todo, onde posso compartilhar com o público uma das minhas grandes paixões, que é o sertanejo, além da aproximação com os fãs, que são sempre muito fieis.

 

 

“É incrível, o balanço que faço é muito positivo. São anos de muito aprendizado, muito crescimento pessoal e profissional.”

 

Marcelo de Assis: Lucas, como você analisa sua carreira como um todo? Em outras palavras, como foi o processo de amadurecimento neste sentido?

Lucas Lucco: É incrível, o balanço que faço é muito positivo. São anos de muito aprendizado, muito crescimento pessoal e profissional. Tive a oportunidade de conhecer pessoas incríveis neste caminho, que fizerem e fazem toda a diferença na minha vida.

Marcelo de Assis: Quanto à música sertaneja, o que mudou desde o inicio de sua carreira?

Lucas Lucco: A música sertaneja sempre esteve em alta, temos artistas incríveis hoje em dia e isto só tem crescido. Acredito que o principal destaque atualmente seja a ascensão das duplas femininas, o feminejo veio com tudo!

Marcelo de Assis: Quais são seus planos para 2020?

Lucas Lucco: Ah, são muitos. Quero lançar novos projetos, músicas e trabalhar muito. Amo o que faço, de todo o coração.

Marcelo de Assis: A tônica de seu trabalho sempre foi o romantismo. Por que o sertanejo dialoga tanto com esse sentimento?

Lucas Lucco: Sim, eu sempre fui apaixonado por música sertaneja, sempre fui um cara romântico. Acho que temos o sertanejo moderno dialoga muito com este sentimento, e isto é incrível.

Marcelo de Assis: Luccas, tem algum sonho que você ainda não realizou?

Lucas Lucco: Sou um cara muito realizado, mas guardo dentro de mim muitos sonhos. Com fé e trabalho, espero
conseguí-los.

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ENTREVISTAS

Entrevista com Rodrigo Suricato: “Estou em um momento muito significativo”

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Entrevista com Rodrigo Suricato: "Estou em um momento muito significativo"
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No mês passado, Rodrigo Suricato lançou seu novo EP homônimo pela Universal Music e concedeu uma entrevista exclusiva ao The Music Journal Brazil onde ele fala sobre o processo criativo deste novo trabalho, do seu gosto pela leitura que tanto influenciou a contextualização de suas letras e de sua opinião sobre a música pop e rock do Brasil nos dias atuais, onde ele elogia a ascensão de outros gêneros musicais e, inclusive, a cantora Anitta: “Ela é  muito mais rock´n´roll do que eu!”.

Confira:

Marcelo de Assis: Como o Suricato está se sentindo com o lançamento deste EP? Me parece algo muito significativo, não?

Rodrigo Suricato: Sim, cara! É um momento muito bonito, muito significativo como você falou! Foram dois anos compondo um repertório com mais de 30 canções onde eu selecionei 10 canções. E como culminou de eu estar vivendo um processo individual, pessoal, muito intenso de um mergulho muito bonito, então, eu não havia planejado mas acabou sendo um disco do qual eu toquei 85% dos instrumentos que estão ali, produzi o álbum com o meu amigo Marcos Vasconcelos, compus todas as canções, enfim, tive que me desdobrar e estar performando no palco defendendo esse repertório com os instrumentos e tudo. E está sendo bem bonito, não via realmente a hora de reencontrar meu público com canções que eu acredito e com mensagens que eu quero passar.

Marcelo de Assis: Eu imagino quão foi difícil para você, como compositor, dentre tantas faixas, escolher algumas apenas. Como foi esse processo e como se desenhou o fator determinante para a escolha de cada uma delas que compõe o EP?

Rodrigo Suricato: O EP traduz um pouco a atmosfera sonora que existe no disco com a apropriação de alguns elementos eletrônicos, a minha forma de compor com a minha assinatura na composição através da canção Admirável Estranho, a canção que dará título ao álbum que é Na Mão as Flores, que seja um pouco mais conceitual com uma frase que adoro: “Diz que o pior de mim está na mesma mão que trago flores para você”…

Marcelo de Assis: Muito forte …

Rodrigo Suricato: É! A aceitação da gente durante a vida, a gente saber um pouco mais do conhecimento dos nossos defeitos, mas também valorizar o que a gente tem de mais bonito. Eu acho que esse disco valorizou o que eu tenho de mais bonito e eu gostaria que as pessoas ouçam, porque ele trata também de canções que não só referentes a mim, Suricato, mas como a qualquer outra pessoa. Então, as letras abordam uma questão muito mais humanas do que individual do que eu passo no meu cotidiano, no meu dia-a-dia.

 

 

“Eu acho que esse disco valorizou o que eu tenho de mais bonito e eu gostaria que as pessoas ouçam, porque ele trata também de canções que não só referentes a mim, Suricato, mas como a qualquer outra pessoa.”

 

 

 

Marcelo de Assis: É parte de uma auto-observação, uma forma de como você enxerga a vida, você traduz isso para as suas composições …

Rodrigo Suricato: É, tenho muita sorte de poder traduzir em palavras do pouco que eu vivo.

Marcelo de Assis: Admirável Estranho te toca muito profundamente. O que ela tem de especial para você enquanto compositor. Como é essa sintonia?

Rodrigo Suricato: Muito curioso que Admirável Estranho tenha sido a primeira canção que eu compus. E por coincidência do destino também será a primeira que dará largada a este novo processo. Ela funcionará como todas as outras minhas canções, eu não me aproprio de um outro personagem para compor elas, pelo menos não neste disco. Ela tem uma história muito bonita. A ideia da composição diz o quanto as pessoas estão ao seu lado. As vezes estamos ao lado de uma pessoa tão admirável, ela te impacta de uma maneira tão profunda mas ela jamais saberá disso, porque você jamais terá um elogio para que ela entenda isso de uma forma mais profunda. Tem muita gente que admiramos e que nunca mais veremos na vida e elas não saberão disso, então, ela tem essa coisa platônica mas muito verdadeira.

Marcelo de Assis: Você é um artista muito versátil, trabalha vários instrumentos musicais … Como nasceu esse plural de habilidades?

Rodrigo Suricato: Eu costumo dizer nasci guitarrista e compositor eu quis ser! Eu comecei ganhando minha vida nos bares e na noite “só os fortes sobrevivem” (risos). Eu tocava guitarra, violão e não cantava até então. Eu tive que aprender a cantar para que aquilo ali potencializasse o modo de vida que eu havia escolhido. Larguei a faculdade de economia, me dedicando inteiramente à música e comecei a tocar com outros artistas. A partir daí fui me interessando pela leitura e fui desenvolvendo o meu próprio texto, minha própria maneira de compor. Desde cedo eu quis usar meu trabalho como desenvolvimento do que eu sou pessoalmente e artisticamente. A pessoa que você vai ver fora do palco será a mesma que virá acima no palco.

Marcelo de Assis: E existe um grande teor poético em suas letras. Isso já vem pela influência de sua leitura …

Rodrigo Suricato: Sim e principalmente porque o melhor do texto é aquilo que fica, de tudo o que você vai extrair, a coisa de você esculpir as palavras. Esse interesse veio realmente depois, porque como eu comecei guitarrista, eu segui muito pelo universo dos instrumentos, dos instrumentistas e, então, comecei a me aprofundar muito sobre os instrumentos exóticos… Sou um curioso mesmo, né? Sou um curioso em meu trabalho. Eu gosto de ser o que eu sou, não ficar em um pedestal artístico, eu gosto de circular entre as pessoas e poder fazer o que eu faço de melhor.

Marcelo de Assis: Como você analisa o pop e o rock nacional de hoje em termos poéticos e de estrutura musical?

Rodrigo Suricato: Eu não tenho escutado tanta coisa vinda de rock nacional. Acho que na questão de atitude, o que representa isso seja o rap hoje em dia. Acho que a roda da vida está colocando o rap e o hip-hop em uma evidência em um momento em que eles jamais se encontraram. E eu acho maravilhoso, porque você vai em um show e vê as as pessoas estão cantando aquelas músicas enormes e na minha geração eu me vangloriava muito de sabermos a letra de Faroeste Caboclo inteira. Eu acho isso maravilhoso. É a profunda transformação da vida e a mudança do paradigma do comportamento. Do que um roqueiro deveria fazer. Um amigo meu fala que eu sou o roqueiro mais frustrante que ele ja viu na dele vida inteira …

Marcelo de Assis: Por quê? (risos)

Rodrigo Suricato: Porque eu durmo cedo, eu acordo seis horas da manhã, … (risos).

Marcelo de Assis: Ou seja, você estaria na contramão do que seria o estereótipo do rock …

Rodrigo Suricato: A Anitta é muito mais rock´n´roll do que eu! E muito mais rock´n´roll do que os principais rockers do Brasil. Então é maravilhoso ver essa mudança de postura. O que é rock´n´roll? Eu não sei dizer o que é rock´n´roll é muito mais do que uma guitarra distorcida.

Marcelo de Assis: Seu trabalho é muito elogiado por nomes como Paulinho Moska, Nando Reis, Lulu Santos e por uma lenda do rock argentino que é o Fito Paez. Como você recebe toda essa admiração desses artistas?

Rodrigo Suricato: Para mim é maravilhoso! Pra mim é a concretização do meu crivo, porque quando começamos a fazer isso, a nunca achamos que estamos certos, buscando referências nas vidas dos outros em histórias de sucesso, algo que possa servir para a sua própria vida e na verdade, não, cada vida é uma vida e ninguém está atrasado em relação a ninguém, o meu relógio é completamente diferente do seu, de qualquer pessoa. A perspectiva passa a ser muito cruel nesse sentido, fazendo você acreditar que o seu trabalho é muito ruim. Para mim é maravilhoso! No caso do Lulu (Santos), contando um segredo para você, ele foi talvez a melhor e a pior coisa que aconteceu para mim durante o meu processo musical, porque o Lulu me chamou para tocar guitarra com ele e eu já tocava no The Voice, eu gravava as guitarras do programa com o produtor do meu disco, Marco Vasconcellos, e ele me convidou para tocar com ele. Só que esse convite não se concretizou. E por conta do convite do Lulu, eu declinei da minha renovação com o The Voice. Então, passei um tempo desempregado e me descobri um compositor melhor ainda. E calhou de serem as canções Sol-Te que foi agraciado com um Grammy Latino. É maravilhoso ser reconhecido por essas pessoas, mas não sobe muito na cabeça, não!

 

 

“A Anitta é muito mais rock´n´roll do que eu!”

 

 

 

Marcelo de Assis: Suricato, você fala sobre o teor do tempo de uma forma bem concreta, concisa. Então te pergunto: o que é o ontem, o hoje e o amanhã?

Rodrigo Suricato: Olha, só temos o “hoje” na verdade. E a única coisa que sabemos é que nada se muda no passado. Ter a possibilidade de se reconectar e se reconstruir a cada instante, foi uma das maiores descobertas da minha vida. Aceitar e chegar ao lugar onde estou hoje e poder abraçar os meus erros. O pior de mim está na mesma mão que trago flores pra você! É abraçar o Rodrigo lá de trás e dizer: “Cara, você não sabia tudo e agora deixa comigo que estou no comando e te levarei para um lugar melhor!” Eu só tenho o hoje, cara. Eu não faço previdência privada de amor, de afeto. Tudo o que eu tenho é para viver agora!

Marcelo de Assis: Como será a promoção deste seu novo trabalho, Suricato?

Rodrigo Suricato: São 10 músicas gravadas, com 10 webclipes que não contarão com dramaturgia, não tem mocinha, não tem bandido e sim eu tocando com uma atmosfera com luzes da forma como eu enxergo esse novo trabalho. Pretendo ir para a estrada a partir de Agosto com as novas canções e performando sozinho os instrumentos. É um show do qual eu não posso vacilar, meu baterista não pode estar em um dia ruim porque ele faz parte da mesma pessoa e isso pode arruinar tudo. É um show que exige muito de mim realmente e ele será maravilhoso.

Marcelo de Assis: Como é estar a frente do Barão Vermelho?

Rodrigo Suricato: O Barão Vermelho é maravilhoso, é o melhor processo coletivo que ja vivi em minha vida. Fazer parte de uma banda com tanta história e pelas pessoas que fundaram o Barão Vermelho. Eles que ligaram para o Cazuza, que ligaram para o Frejat e construiram essa história lindíssima. Para mim é muito bom ter essa plataforma de comunicação mais coletiva e o Suricato é aquela coisa mais individual. Muitas bandas acabam na verdade porque as pessoas não tem essa liberdade de poder se expressar através de outros trabalhos, de outra plataformas. O que eu acho muito cruel. Quando você analisa a história de uma banda, elas terminam exatamente pelos mesmos motivos. Imagine você ser obrigado a trabalhar com as pessoas que você conheceu na sua infância pelo resto da sua vida. Isso é muito cruel, então, esse “respiro” é maravilhoso. Eu tenho agora a sorte de poder fazer isso com o Barão Vermelho.

Marcelo de Assis: Quem é Rodrigo Suricato?

Rodrigo Suricato: Rapaz, eu estou descobrindo agora falando com você!

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