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Entrevistamos o cantor Peri

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Versatilidade é o ponto forte do cantor Peri. Amante da música desde cedo, aos 10 anos estudou música lírica e fez parte de coral. Além da música, transitou entre o cinema e o teatro, além de fazer parte da banda 9 mil anjos com Junior Lima e o saudoso Champignon e colaborar com grandes nomes da música como Rita Lee e Kiko Loureiro. Hoje ele está lançando o álbum O Mar Atravessou A Rua com canções autorais. Confira abaixo a entrevista que Peri deu ao The Music Journal Brazil!

Marcelo de Assis: Peri, como foi o inicio de sua carreira?

Peri: A minha carreira começou no coral lirico aos 10 anos chamado Os Meninos Cantores de São Paulo. Fiz o teste e entrei como solista e naquela época tinha que estudar de uma forma muito disciplinada, porque era uma filial de um coral da Áustria.“Depois que você começa estudar música, você entra naquela mentalidade de admirar músicos técnicos. Isso limita um pouco você ouvir Bob Marley, você entender Kurt Cobain, você entender o conceito de arte. Você entende de técnica mas de arte é diferente.”

 

“Depois que você começa estudar música, você entra naquela mentalidade de admirar músicos técnicos. Isso limita um pouco você ouvir Bob Marley, você entender Kurt Cobain, você entender o conceito de arte. Você entende de técnica mas de arte é diferente.”

 

Marcelo de Assis: Como é o seu processo de composição?

Peri: Um exemplo é como eu fazia com o Peu Souza: nos reuníamos, ele tocava violão e aquela harmonia me remetia a alguma emoção e dali desenvolvíamos uma letra através da música. E em outros casos me inspiro em situações do dia-a-d9a, escrevo primeiro e transformo em música.

Marcelo de Assis: O cotidiano te inspira?

Peri: Inspira. A temática que eu mais busco é sempre colocar na minha música é uma virada no final. Acabo falando das minhas experiencias que são meio difíceis mas sempre no final tem a virada na narrativa de falar “mas apesar disso”, tem sempre um lado bom que eu sempre faco questao de colocar ali. Não me sinto colaborando só “jogando para baixo”.

Marcelo de Assis: Quais são suas referencias musicais?

Peri: Chico Buarque e os Beatles. Aquele lance né?…Mãe gosta do Chico Buarque, pai gosta dos Beatles… os Beatles era aquela rebeldia enlatada e o chico era a resistência em forma de literatura, de música. Chico nunca deixou de ser uma presença forte.

Marcelo de Assis: Como a arte dialoga com a técnica nas suas composições?

Peri: Depois que você começa estudar música, você entra naquela mentalidade de admirar músicos técnicos. Isso limita um pouco você ouvir Bob Marley, você entender Kurt Cobain, você entender o conceito de arte. Você entende de técnica mas de arte é diferente.

Marcelo de Assis: E esse lance de trabalhar na banda 9 Mil Anjos?

Peri: Depois de passar pelo teatro musical esse trabalho me deu uma certa experiencia para fazer outros trabalhos. Trabalhava em um restaurante onde ons garçons cantam. Eu treinava todas as noites as músicas que eu queria cantar. Era a oportunidade que eu tive para juntar uma grana para gravar um cd demo. quando fui gravar esse CD o produtor me disse: “Você já ouviu falar do Peu (saudoso guitarrista da Pitty)”? Ele está montando uma banda. Você nao quer ligar lá? – Pensei, “Que passo diferente para mim”. Ele me deu uma musica com uma letra que havia feito e disse: “Canta essa música aqui”. O resultado é que dali a meia hora estávamos na casa do Junior Lima e começamos a tocar. Eles já estavam com muita coisa adiantada do projeto. Compomos no Brasil e gravamos na Califórnia.

Marcelo de Assis: Você trabalhou com a Rita Lee. Como aconteceu issso?

Peri: Eu tenho uma amiga que trabalhou com ela, a Débora Reis, a backing vocal dela. E viajei uma vez ao Rio com a Débora acompanhando a Rita Lee. Ai ela mandou uma letra para a Débora e disse: “Fala para o Peri terminar essa letra!”.  Era a letra de As Loucas.

Marcelo de Assis: Com qual outro artista você já trabalhou?

Peri: Tive a honra de gravar uma musica do Lenine com o Kiko Loureiro. O Kiko é um gênio!

Marcelo de Assis: Como você define sua musicalidade?

Peri: Defino como as vezes um som autêntico, as vezes solitário… o que eu gosto é da originalidade. é onde eu encontro conforto …

É jornalista e pesquisador musical. Cobre shows nacionais e internacionais e já entrevistou bastante gente interessante do Brasil e do mundo. Foi vencedor do Prêmio TopBlog Brasil em 2010 na categoria "Música"e é membro do Grammy Latino.