Connect with us

Dois dos nomes mais importantes da história da música popular brasileira, Lulu Santos e Nelson Motta, anunciaram hoje uma coletânea onde celebrarão esta vitoriosa parceria em 16 faixas. Lulu & Nelsinho já está disponível para download em serviços digitais como iTunes e Google Play. A Sony Music informou que o formato físico chega às lojas no dia 9 de dezembro.

lulu-e-nelson

A ideia de produzir esta compilação partiu de Lulu que ao saber que o amigo Nelson seria homenageado no Grammy Latino deste ano, premiação que aconteceu no dia 17 de novembro, decidiu também fazer a sua homenagem ao célebre jornalista e compositor de 72 anos.

“Acho que sou o parceiro mais constante do Nelsinho. Ao saber que ele seria homenageado no Grammy, achei que eu tinha que me juntar aos ensejos. Achei justo fazer esta coletânea dedicada a essas 16 músicas, que formam de fato um álbum de canções do decorrer das nossas vidas, com as transformações da gente, do tempo e do cenário em que essas histórias se transcorreram”, explicou o cantor e compositor de 63 anos.

Entre as 16 músicas que integram o repertório de Lulu & Nelsinho, se encontra Tempo em Movimento, faixa inédita na voz de Lulu Santos. Esta canção integrou o repertório do álbum Sobre Amor e o Tempo da cantora Luiza Possi, lançado em 2013. Mas nesta coletânea, ganha nova roupagem na voz de Lulu.

“Eu tenho parcerias com vários artistas, com Dori Caymmi talvez umas dez músicas, duas ou três com Guilherme (Arantes) e Djavan. Mas uma obra mesmo só com o Lulu”, acrescenta Motta.

Confira o texto na íntegra de Nelson Motta sobre o novo trabalho:

“Conheci Lulu com 23 anos, em 1976, quando aluguei o equipamento de som da sua banda Vímana para uma temporada do musical “Feiticeira”, com Marília Pêra, no Teatro Casa Grande do Rio de Janeiro. Além de outros músicos do Vímana que tocavam na peça, Lulu veio como técnico de som. Com a saída do guitarrista Hélio Delmiro da banda, ele me pediu para substituí-lo, disse que já sabia todos os arranjos, que estava louco para tocar.

O musical, apesar de lindo, foi um retumbante fracasso, o tempo era de radicalização política com pouco espaço para musicais delicados. E Lulu não só sabia e tocava muito bem todos os arranjos, como se dedicou de corpo e alma ao espetáculo, o que, em ambiente de fracasso comercial, com 100 pessoas na platéia, não é para os fracos – ou pouco generosos. E se tornou um amigo querido, com sua jaqueta de oncinha e cabeleira revolta. 

Em 1980 fizemos nossa primeira parceria, o rock “Tesouros da juventude”, que foi o tema de abertura do programa “Mocidade Independente”, que apresentei durante seis meses na TV Bandeirantes. Logo depois, quando trabalhava com minha querida amiga Scarlet Moon, no talk show diário “Noites Cariocas”, na TV Record Rio, muitas vezes depois das gravações, ia para casa deles na Fonte da Saudade, onde viviam com três filhos pequenos de Scarlet, que tiveram em Lulu um precoce pai querido. Ficávamos de papo, piadas e doideiras e surgiram as primeiras músicas.

“Areias escaldantes”, primeiro de uma série que chamamos “rocks palestinos”, por alguma coisa meio Oriente Médio que ouvíamos nas melodias, que depois também inspiraram o rock “Palestina”, que tem menos a ver com política do que com as aventuras de uma espiã sedutora e perigosa que atua nos oásis verdejantes… sim, nós víamos mais que uma médio-orientalidade…

Da Palestina à Califórnia em poucos compassos. Em 1981, o diretor Bruno Barreto me chamou para fazer a trilha do filme “Menino do Rio”, dirigido por Antonio Calmon. Filme de praia, surf, romances juvenis, cheio de rocks e baladas. Precisávamos de um tema para um surfistinha adolescente que morre no fim. Whaaal. Quando Lulu veio com a melodia a frase me veio imediatamente à cabeça: garota eu vou pra Califórnia… afinal, a melodia era tão… californiana.

E logo terminamos a canção do garoto que sonha em ir para a Califórnia ser artista de cinema, que tocaria em todas as cenas do garoto preparando a comoção do publico para a cena em que se afoga. Sucesso instantâneo no filme, no rádio, nas festas e nas lojas de discos.

Das praias da Califórnia para as Dunas do Barato de Ipanema, entre surfistas e gatinhas. Pouco depois da morte do poeta Vinicius de Moraes, Lulu veio com aquela melodia irresistível, uma espécie envolvente de bolero havaiano, fluente e sensual. Logo que ouvi a melodia me veio a frase “a vida vem em ondas como o mar”, do poema “Dia da Criação”, de Vinicius, que se encaixava perfeitamente na melodia, homenageava o poeta e era o ponto de partida para o desenvolvimento da letra de “Como uma onda”, em que misturei leituras recentes de Jorge Luís Borges e textos budistas, o “tudo flui” da filosofia do grego Heráclito, com o ambiente de praia e maresia carioca, num zen tropical.

Gostamos muito quando a letra ficou pronta, mas fiquei com receio que parecesse metida a filosófica e pretensiosa, e para amenizar coloquei o subtitulo de “Zen surfismo”, como um trocadilho de humor. “Como uma onda” foi feita para o filme “Garota Dourada”, que tentava surfar na onda do sucesso espetacular do “Menino do Rio”, e no filme seria cantada por Ricardo Graça Mello. 

Como o filme demorou muito a ser lançado e a gravação de Lulu começou a tocar no rádio com sucesso imediato, quando o filme estreou já era um mega sucesso há meses… ninguém aguentava mais a música… rsrs… e o filme foi um fracasso retumbante. Mas a música seria nosso maior sucesso – até hoje!

Na trilha do filme tinha outra nossa bem engraçada, que fizemos para um personagem cômico, interpretado por Sérgio Mallandro, “Tric tric”.
Seguindo em nossa fase praieira, veio “Sereia”, feita para o musical infantil “Pirlimpimpim”, da TV Globo, e cantada pela sereia Fafá de Belém, entre cascatas de luz, citando o verso “luz do divinal querer”, de antigo bolero brega de Anisio Silva.

Em 1983, insanamente apaixonado por uma psicanalista enlouquecida, escrevi a que talvez considere minha melhor letra para a lindíssima melodia do Lulu: “Certas coisas”. Balada pesada, séria, emocionada e racional, que fizemos pensando em Roberto Carlos, mas, na época, ele não gravava musicas começadas por “não”… rsrs. Mas ouvi-la com Milton Nascimento, duas décadas depois, foi uma imensa alegria.

O romance terminou mal e para esquecer a psicanalista fui morar na Itália e a essas alturas Lulu já fazia muitas letras, cada vez melhores, e encontrou a perfeita integração de música e letra, se tornou autossuficiente.
Numa viagem ao Brasil, no verão de 84, Lulu veio com um baião diferentaço. Nordestino e carioca, caloroso e solar, com o Brasil em pleno verão… e em plena crise econômica. A letra brinca com estereótipos das letras “nordestinas” dos anos 70, falando em retirantes, flagelados e desempregados, não num ponto de vista social, mas sentimental.

“Dinossauros do rock” é nossa única canção em que a letra foi feita primeiro e Lulu fez a música em cima, acrescentando alguns versos. É uma brincadeira com o mundinho do rock brasileiro dos anos 80 que andava muito metido e nós fizemos uma gozação, que também era com nós mesmos. “Atualmente” e “De repente” são canções irmãs, com levadas mais R&B, com letras parecidas, que para mim foi um sinal de esgotamento de uma fórmula poética.

No final dos anos 80, furioso com o fim de um romance, fiz um samba-rap desabafo, meio lupiciniano, “Eu, não !”, mas como não sei fazer música, mostrei para o Lulu para terminar e ele disse que já estava ótima. Mas precisava ser melhor estruturada de ritmo e harmonia, como Lulu fez com carinho e competência.

Como uma onda no mar, a vida nos trouxe de novo à nossa praia trinta e cinco anos depois, quando Lulu me mandou uma linda melodia, quintessência de seu estilo, e fiz a letra de “Tempo em movimento”, que, naturalmente, é sobre nós, Lulu e Nelsinho”.

Nelson Motta, novembro de 2016

Repertório de Lulu & Nelsinho:

1. Tesouros da Juventude
2. Areias Escaldantes
3. Palestina
4. Sirigaita
5. Como uma Onda (Zen Surfismo) (Ao Vivo)
6. Tudo
7. Tudo Azul
8. Certas Coisas
9. Atualmente
10. De Repente
11. Dinossauros do Rock (Ao Vivo)
12. Eu Não
13. Pop Coração
14. Outro Papo
15. Sereia
16. Deusa da Ilusão
17. Tempo em Movimento
18. Sereia / De Repente Califórnia / Como uma Onda (Zen Surfismo)

É jornalista e pesquisador musical. Cobre shows nacionais e internacionais e já entrevistou bastante gente interessante do Brasil e do mundo. Foi vencedor do Prêmio TopBlog Brasil em 2010 na categoria "Música"e foi membro do Grammy Latino.

LANÇAMENTOS

Silva faz live romântica e beneficente nesta sexta-feira

Show especial celebra todos os amores em pleno Dia dos Namorados

Published

on

Silva faz live romântica e beneficente nesta sexta-feira
Breno Galtier

O cantor Silva realiza nesta sexta-feira (12) uma live para celebrar o Dia dos Namorados. O evento contará com um repertório especial que inclui Infinito Particular, Tá Tudo Bem e Pra Vida Inteira, além das faixas de seu mais recente álbum Ao Vivo em Lisboa, lançado em maio pela Som Livre, via Slap.

Silva faz live romântica e beneficente nesta sexta-feira

Foto: Breno Galtier

“Sempre gostei de cantar sobre os amores que vivi, mas também sobre meus desamores. Acredito que o dia 12 seja um momento pra gente celebrar esses encontros, que podem virar desencontros e assim a vida segue. Vejo beleza nisso, especialmente agora nessa confusão em que estamos metidos”, conta Silva.

O show de Silva será transmitido ás 20h no YouTube. Toda a renda obtida por meio de doações do público será revertida para a Casa 1, centro de cultura e acolhimento LGBTQI+, localizado no centro de São Paulo.

Continue Reading

David Bowie

David Bowie: álbuns clássicos dos anos 1970 são relançados em CD

Published

on

David Bowie: álbuns clássicos dos anos 1970 são relançados em CD
Divulgação

A gravadora Warner Music anunciou nesta sexta-feira (22) a continuação da celebração do legado de David Bowie com o relançamento de três álbuns icônicos do Camaleão do Rock: Heroes, Hunky Dori e The Rise and Fall of Ziggy Strardust and the Spiders from Mars. Todos esses títulos chegam ao mercado brasileiro em formato físico.

Bem recebido pelos críticos e nomeado Melhor Álbum do Ano pelo NME, Heroes, 12° projeto da carreira do artista mantém a faixa-título como uma das músicas mais conhecidas e aclamadas da carreira de Bowie. O projeto foi responsável por consagrar não apenas a nova fase da carreira do compositor, mas, também por eternizar um dos principais nomes da pop do século passado, forjando parâmetros que ajudaram a moldar o gênero neste século. O álbum, mostra o processo de amadurecimento e um compositor seguro de si e disposto a correr riscos.

Bem antes deste lançamento, quarto álbum de estúdio do britânico, Hunky Dory, gravado no verão de 1971 e lançado em dezembro do mesmo ano, foi descrito por Stephen Thomas Erlewine da Allmusic, como tendo “um arranjo caleidoscópico, de estilos pop, unidos somente pelo senso de visão de Bowie: uma vasta mistura cinemática de artes altas e baixas, sexualidade ambígua, cafonice e classe”.

Desde o lançamento, Hunky Dory recebeu aclamações e é visto até hoje como um dos melhores trabalhos do artista. O disco foi incluído na lista 100 Melhores Álbuns de Todos os Tempos da revista Time, em janeiro de 2010. Na sequência, Bowie entregou ao público The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars. Muitas vezes encurtado para Ziggy Stardust, o quinto álbum de estúdio do músico foi inspirada num rock star fictício chamado Ziggy Stardust, o “outro eu” de Bowie. O disco ficou na quinta posição das paradas do Reino Unido, e na posição 75 da Billboard Music Charts dos Estados Unidos.

Ziggt Stardust age como um mensageiro de seres extraterrestres e foi criado pelo músico em Nova York, enquanto promovia o Hunky Dory. Bowie chegou a interpretar o personagem fictício numa turnê que passou pelo Reino Unido, Japão e América do Norte. Tanto álbum, como personagem ficaram conhecidos pelas influências no glam rock e pelos temas, que tratavam da exploração sexual e da visão da vida.

Em meio às discussões políticas, de uso de droga e orientação sexual, The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars explora as artificialidades do rock, por meio do rock star bissexual alienígena. Assim, foi por várias vezes considerado um dos maiores álbuns de todos os tempos.

Confira as tracklists completas dos projetos abaixo:

Heroes

Beauty And The Beast (2017 Remastered Version
Joe The Lion (2017 Remastered Version)
Heroes (2017 Remastered Version)
Sons Of The Silent Age (2017 Remastered Version)
Blackout (2017 Remastered Version)
V-2 Schneider (2017 Remastered Version)
Sense Of Doubt (2017 Remastered Version)
Moss Garden (2017 Remastered Version)
Neuköln (2017 Remastered Version)
The Secret Life Of Arabia (2017 Remastered Version)

Hunky Dori

Changes (2015 Remaster) 03:37
Oh! You Pretty Things (2015 Remaster) 03:13
Eight Line Poem (2015 Remaster) 02:55
Life On Mars? (2015 Remaster) 03:55
Kooks (2015 Remaster) 02:53
Quicksand (2015 Remaster) 05:06
Fill Your Heart (2015 Remaster) 03:10
Andy Warhol (2015 Remaster) 03:54
Song For Bob Dylan (2015 Remaster) 04:13
Queen Bitch (2015 Remaster) 03:20
The Bewlay Brothers (2015 Remaster) 05:29

The Rise and Fall od Ziggy Stardust and the Spiders from Mars

Five Years (2012 Remastered Version
Soul Love (2012 Remastered Version)
Moonage Daydream (2012 Remastered Version)
Starman (2012 Remastered Version)
It Ain’t Easy (2012 Remastered Version)
Lady Stardust (2012 Remastered Version)
Star (2012 Remastered Version)
Hang On To Yourself (2012 Remastered Version)
Ziggy Stardust (2012 Remastered Version)
Suffragette City (2012 Remastered Version)
Rock ’N’ Roll Suicide (2012 Remastered Version)

Continue Reading

Alok

Alok lança “All The Lies” em parceria com Felix Jaehn e a banda inglesa The Vamps

Published

on

Alok lança "All The Lies" em parceria com Felix Jaehn e a banda inglesa The Vamps
Divulgação

Após o lançamento de duas músicas neste ano: Pray com o cantor inglês Conor Maynard, e Metaphor, com o DJ e produtor australiano Timmy Trumpet, Alok continua apostando alto na carreira internacional com mais um lançamento de peso. Trata-se de All the Lies em parceria com o produtor e DJ alemão Felix Jaehn e a banda inglesa The Vamps. A faixa já está disponível em todas as plataformas digitais pela Warner Music.

O lançamento, com uma pegada mais pop e tropical, se destaca pelo vocal cativante da banda The Vamps e pelo estilo de produção único do Felix Jaehn que, juntos com Alok, entregam uma música com batidas perfeitas tanto para as pistas como também para rádios.

All the Lies é uma track que une a atitude e a personalidade de cada artista e promete se destacar nas paradas de sucesso com seu estilo único e envolvente.

O superstar brasileiro Alok é a atualmente o artista da cena eletrônica com maior reconhecimento dentro do país e, levando para o mundo seu estilo, conquistou números impressionantes nas plataformas digitais. Recentemente, o artista foi eleito o 13º melhor DJ pela DJ Mag e possui cerca de 8 milhões de ouvintes mensais no Spotify.

O produtor alemão Felix Jaehn, conhecido internacionalmente pelo seu remix da música Cheerleader, do artista OMI, que alcançou o 1º lugar em mais de 55 países, lançou recentemente o álbum I, em 2018. A atual track, So Close, já ganhou Disco de Ouro na Austrália e permanece com grande destaque nas paradas em todo o mundo. Felix Jaehn também alcançou mais de 2 bilhões de plays no Spotify.

A banda britânica The Vamps lançou o terceiro álbum Night & Day, em 2018. Lançado em duas partes, a primeira foi a número um na parada oficial de discos e a segunda foi destaque no verão. A The Vamps é uma das bandas mais bem-sucedidas do Reino Unido, alcançando enorme sucesso de público por todo o mundo. O recente single, All Night com o DJ e produtor Matoma bateu mais de 370 milhões de plays no Spotify.

Continue Reading

As Mais Lidas