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Marcelo de Assis: como a pandemia forçou os artistas a venderem seus catálogos  Marcelo de Assis: como a pandemia forçou os artistas a venderem seus catálogos 

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Marcelo de Assis: como a pandemia forçou os artistas a venderem seus catálogos 

A cantora colombiana Shakira | Reprodução | YouTube

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Nas últimas semanas, uma surpreendente movimentação de grandes artistas que venderam suas edições de obras musicais passou a ser manchete de vários jornais mundo a fora.

Esse tipo de negociação não é algo incomum na indústria musical. Em 2014, por exemplo, o astro norte-americano Neil Diamond, que já vendeu mais de 100 milhões de discos em sua longeva carreira com mais de 50 anos de atividade e inúmeros sucessos, negociou toda a sua discografia com a Capitol Records, gravadora do grupo Universal Music, depois de longos anos lançando discos pela Columbia Records.

Marcelo de Assis: como a pandemia forçou os artistas a venderem seus catálogos 

A cantora colombiana Shakira, que vendeu seu catálogo para a Hipgnosis | Foto: Reprodução | YouTube

Com o inicio da atual pandemia do coronavírus e, consequentemente, a não realização de concertos ao ar livre e indoors, os artistas tiveram que rever seus negócios, pois fazer shows seria carta fora do baralho.

Uma das saídas, principalmente para artistas já consagrados e com suas carreiras consolidadas há décadas, era vender os direitos de suas discografias. E isso foi muito lucrativo para alguns deles.

É o caso do lendário cantor e compositor norte-americano Bob Dylan: ele negociou todos os direitos de sua discografia por algo em torno de US$ 300 milhões. E seu material é vasto. Inicialmente, são 39 álbuns de estúdio, 12 álbuns ao vivo e 20 coletâneas.

Com exceção dos álbuns Before the Flood e Planet Waves, ambos de 1974, lançados pela Asylum Records, todo o restante de sua discografia foi editada pela Columbia. Agora, todo esse material passa a ser administrado pela Universal Music Publishing.

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Também temos o caso de Stevie Nicks, a icônica vocalista do Fleetwood Mac, que vendeu sua participação majoritária na discografia do Fleetwood Mac por US$ 100 milhões. Os seus companheiros de banda, Lindsey Buckingham e o fundador Mick Fleetwood também venderam suas partes.

E tudo isso, sem contar as recentes transações de vendas de catálogo de outros grandes nomes como Neil Young e Shakira – que não quiseram expor os valores negociados.

Hipgnosis – você ainda vai ouvir falar muito desta empresa. Ela é uma das protagonistas deste mais recente movimento de venda de direitos discográficos e editoriais no novo século. Eles já investiram mais de US$ 1 bilhão só para adquirir esse material. Shakira e Neil Young venderam seus catálogos a eles.

Se os artistas estão impossibilitados a realizar grandes concertos para os seus milhares de fãs, a saída que eles encontraram para seus ativos e para o bem estar de seus controles financeiros foi negociar os direitos de tudo o que produziram em suas bem sucedidas carreiras.

E como ainda há incertezas em um horizonte de pandemia, o streaming entrou no jogo para mostrar sua força no século 21.

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É jornalista e pesquisador musical. Cobre shows nacionais e internacionais e já entrevistou bastante gente interessante do Brasil e do mundo. Foi vencedor do Prêmio TopBlog Brasil em 2010 na categoria "Música"e foi membro do Grammy Latino.