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O fim do Kid Abelha

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Depois de mais de 30 anos de contribuição ao rock brasileiro, o grupo Kid Abelha não existe mais.

Foram 13 álbuns de estúdio e 5 ao vivo com destaque para o derradeiro e comemorativo Multishow Ao Vivo: Kid Abelha 30 anos que rendeu uma turnê pelo país. Era o início do fim.

A carreira do Kid Abelha foi recheada de indicações a prêmios onde conquistaram o Prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) em 1998 com o projeto gráfico de Autolove, o Prêmio Multishow de Música Brasieira na categoria Melhor Clipe para a nova versão de Na Rua Na Chuva Na Fazenda de Hyldon em 1996, Prêmio TIM de Música na categoria Melhor CD Pop Rock para Acústico MTV em 2003 e mais quatro indicações ao MTV Video Music Brasil e uma ao Grammy Latino.

Os integrantes Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato emitiram um comunicado oficial na última sexta (22) em sua página oficial no Facebook. Confira:

“Nota de Agradecimento

Querido fã:

Temos sido chamados para entrevistas sobre nossos projetos atuais, e claro, sempre há alguma pergunta sobre o Kid Abelha, nossa banda durante mais de 30 anos e que nos trouxe grandes alegrias na vida. Com gentileza, procuramos sempre contar a verdade, mas, surpreendidos por algumas publicações equivocadas, estamos fazendo este esclarecimento.

A vontade de experimentar outras formas de criar e o desgaste natural de tanto tempo juntos nos levaram a essa decisão. Optamos por um soft-ending, um final suave, evitando o sensacionalismo, com a convicção de que nossa trajetória vitoriosa sempre se deveu ao entusiasmo e dedicação sempre renovados a cada disco, cada turnê.

Foram três décadas de sucesso, aventuras, amizade, e também de momentos difíceis, altos e baixos dessa carreira desafiadora que escolhemos. Pela nossa filosofia e pelo amor à música, nunca tivemos o dinheiro como norte, e sim como conseqüência (ou não) de um trabalho original e bem realizado, que se tornou paradigma de pop-rock brasileiro.

Mas faltou o mais importante: Agradecer em negrito, com letras garrafais, a você!

Ao fã que nos acompanha há tanto tempo, viajando para nos assistir ao vivo, escrevendo cartas, mandando mensagens e comentando nas redes sociais, elogiando, criticando, se preocupando…a esse amigo, que convida seus amigos a nos ouvir, e cuja vida está marcada através das canções que nós fizemos, e cujo carinho e atenção também marcaram nossas vidas, MUITO OBRIGADO!

Saiba que, do fundo do coração, não nos esqueceremos nem dos aplausos, dos gritos e da voz em coro nos grandes eventos, nem de cada voz isolada num quarto, entoando uma melodia também criada num quarto, na solidão, na vontade de vencer o tédio e a tristeza através de uma canção bonita.

Com amor;
Paula, George e Bruno.”

Sob a alcunha do nome Kid Abelha E Os Abóboras Selvagens, os três primeiros álbuns do grupo, com influência da new wave foram produzidos por Liminha e lançados pela Warner Music Brasil, obtiveram grande êxito comercial embalados pelos sucessos dos singles Como Eu Quero, Porquê Não Eu?, Pintura Íntima, Lágrimas e Chuva, Educação Sentimental, Os Outros, Amanhã é 23 e No Meio da Rua.

Nos anos 90, sucessos como No Seu Lugar, Grand Hotel, Eu Tive Sonho, Na Rua, na Chuva, na Fazenda, e Como É Que Eu Vou Embora mostravam que o Kid Abelha buscava novos direcionamentos para as suas composições em um bom momento de seu processo criativo. Os três últimos álbuns de estúdio foram gravados nos anos 2000: Coleção, Surf e Pega Vida.

 

É jornalista e pesquisador musical. Cobre shows nacionais e internacionais e já entrevistou bastante gente interessante do Brasil e do mundo. Foi vencedor do Prêmio TopBlog Brasil em 2010 na categoria "Música"e foi membro do Grammy Latino.